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Educação 23/09/2020 | 08h45Atualizada em 23/09/2020 | 09h01

Serra: aulas online são tendência no pós-pandemia 

Instituições de Ensino Superior sinalizam que vão oferecer ensino remoto aos estudantes em 2021

Serra: aulas online são tendência no pós-pandemia  Porthus Junior/Agencia RBS
Instituições de Ensino Superior da Serra sinalizam que vão oferecer ensino remoto aos estudantes em 2021 Foto: Porthus Junior / Agencia RBS

Nas universidades e faculdades, a tendência é que mesmo após a pandemia de covid-19, as aulas remotas ou a educação a distância (EAD) tenham mais adesões e, em alguns casos, até superem as presenciais. Para se ter uma ideia, a Universidade de Caxias do Sul (UCS) e o Centro Universitário da Serra Gaúcha (FSG) decidiram manter o ensino remoto à disposição dos acadêmicos para 2021, mesmo com a volta das aulas presenciais no ano que vem. 

É preciso esclarecer que EAD e ensino remoto, que é a modalidade implantada hoje por diversas universidades para fazer com que o conteúdo chegue até o aluno, não são a mesma coisa. O ensino remoto é parecido com a EAD apenas no que se refere a uma educação mediada pela tecnologia. No entanto, os princípios seguem os mesmos da educação presencial. Na educação a distância, o apoio dos professores não ocorre em tempo real e a carga horária pode ser diluída em diferentes recursos midiáticos. Contudo, indiferente do modelo, é perceptível que a pandemia acelerou uma tendência: as aulas online devem superar as presenciais antes do previsto em pesquisa da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES). 

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A projeção era que 51% dos estudantes matriculados em 2023 optariam por cursos a distância, contra 49% que escolheriam salas de aula tradicionais. A perspectiva levou em conta dados do Censo da Educação Superior, realizado pelo Inep/MEC, em 2018. O levantamento mostrou que foram registradas, pela primeira vez na série histórica do instituto, mais vagas oferecidas a distância do que em cursos presenciais. Naquele ano, 7,1 milhões de vagas foram abertas para a EAD, enquanto 6,3 milhões estavam disponíveis em salas de aulas nas universidades. 

ENSINO REMOTO X EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 

Na UCS, por exemplo, há cursos com EAD e aulas remotas, que estão ocorrendo atualmente e não são caracterizadas como educação a distância. Isso porque, as atividades acontecem ao mesmo tempo. Ou seja, professor e aluno estão online e há interação como se estivessem em sala de aula. Diante do atual cenário e da experiência vivenciada em 2020, algumas disciplinas terão aulas remotas em tempo real em 2021: 

-  Temos essa questão da flexibilização e de desenvolver competências para que os estudantes tenham experiência e vivência para fazer frente aos desafios do dia a dia. É uma flexibilização que acolhe esse perfil diferente de estudantes e que busca preparar os alunos para enfrentar o cotidiano e qualificar a atuação profissional. Eles terão múltiplas chances de aprendizado - explica a pró-reitora acadêmica da UCS, Nilda Stecanela.

Ela acrescenta ainda que é preciso usar a tecnologia para que os acadêmicos tenham mais suporte diante das novas tendências: 

- Temos que preparar os alunos para que vivam essas novas tendências que surgem a partir da pandemia e criar esse suporte que eles precisam no processo de aprendizagem. 

Modelos deverão se complementar

Se antes o estudante tinha a sala de aula como um ambiente de aprendizagem, onde adquiria conhecimento, hoje ele pode aprender de qualquer lugar. Basta que esteja conectado à internet. O ensino remoto já é conhecido entre pesquisadores como híbrido e poderá se consolidar ainda mais no mundo pós-pandemia. Como foram impedidas da noite para o dia de continuar com aulas presenciais, as instituições de ensino passaram as aulas presenciais para o ambiente virtual: 

-  O mercado do Ensino Superior está passando por uma transformação. Entendo que a pandemia acelerou esse processo e tivemos o deslocamento das atividades para o ensino remoto. Mas, nesse caso, as aulas passaram dos campus para a casa do aluno, no mesmo modelo - ressalta Carlos Fernando de Araújo Júnior, pró-reitor de Educação à Distância da Cruzeiro do Sul Virtual, grupo ao qual pertence a FSG. 

Ele acredita que os dois modelos vão se complementar. Segundo o pró-reitor, pesquisas apontam que, no futuro, os cursos mais procurados serão os híbridos, que mesclam momentos presenciais e atividades executadas de forma remota. 

- As atividades expositivas podem ser feitas online, e isso deve ser reduzido bastante, sendo que o espaço das faculdade ficará para debates, atividades práticas e laboratórios. O teórico vai para o online. As matrículas vão continuar crescendo e terá quem opte tanto pelo ensino remoto quanto pela educação a distância - projeta. 

"A pandemia foi um acelerador digital", afirma especialista 

Para a doutora em Inteligência Artificial Aplicada à Educação, coordenadora do UCS Digital e professora colaboradora do programa de pós-graduação em Ensino de Ciências e Matemática (PPGCiMa), Elisa Boff, tanto a EAD quanto o ensino remoto são voltados para jovens e adultos. A EAD tem um público específico a partir de 25 anos, sendo que muitos alunos estão cursando uma segunda graduação e tem uma rotina de trabalho mais agitada. 

Ela acredita que instituições já familiarizadas com o EAD contam com um atalho para converter cursos presenciais em híbridos: 

- Acho que as duas modalidades vão se fortalecer, mas essa tendência de ensino remoto não é para substituir o presencial e, sim, para que os alunos tenham liberdade de escolha. A pandemia foi um acelerador de transformação digital. Nós não vamos voltar para o ponto de antes. Os professores tiveram que se apropriar da tecnologia e agora só vamos além do que já íamos em sala de aula.  

A especialista acredita ainda que as universidades vão aumentar as ofertas e oferecer essas escolhas aos alunos: 

- Alguns se deslocam por duas horas ou mais para estudar. Com o ensino remoto, eles economizam tempo e dinheiro e tem o mesmo atendimento que teriam em sala de aula. Eles mantêm a vida acadêmica, o contato com colegas, convivência com professores e, ao mesmo tempo, montam o currículo de maneira mais flexível.

Mensalidade acessível e flexibilidade

A flexibilidade para estudar e a economia são as vantagens apontadas por estudantes que optam por essa modalidade de ensino. Ao manter um curso a distância, a faculdade não tem os mesmos gastos que teria se as aulas fossem presenciais. O aluno, por sua vez, economiza com deslocamentos, alimentação fora de casa e cópias de materiais. O custo da graduação foi um dos primeiros critérios avaliados pela caxiense Ariana Busnello na hora de escolher cursar Ensino Superior. Quando ela pesquisou os preços em faculdades e universidades concluiu que frequentar uma sala de aula física todos os dias seria inviável naquele momento do ponto de vista financeiro.

- Ou iria atrasar mais uma vez o início da universidade ou nunca iria fazer o que eu queria, que é Ciências Contábeis. Analisei outras possibilidade e optei por um curso a distância. Economizo tempo, porque tenho flexibilidade de horário, e dinheiro, porque as disciplinas são mais em conta em EAD.

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