O chalé da Praça Dante Alighieri em 1917 - Geral - Pioneiro

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Memória22/09/2020 | 07h00Atualizada em 23/09/2020 | 13h48

O chalé da Praça Dante Alighieri em 1917

Local funcionou como restaurante, café e comércio até 1925

O chalé da Praça Dante Alighieri em 1917 Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami / Divulgação/Divulgação
Dezembro de 1917: cartão-postal da Praça Dante vista a partir da Júlio de Castilhos, com a Catedral e o chalé ao centro Foto: Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami / Divulgação / Divulgação

Parece inacreditável, mas Caxias já dispôs de um charmoso chalé municipal, com restaurante, café, comércio, venda de bebidas e música ao vivo bem no coração da Praça Dante Alighieri — exatamente onde, desde 1937, situa-se o chafariz. A estrutura surgiu 20 anos antes, em 1917, conforme destacado pelo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami em sua série de publicações semanais no Facebook — e que hoje compartilhamos neste espaço.

Giovanni Argenta e os primórdios da Catedral

Firmado o contrato entre a Intendência Municipal e os concessionários Jorge Domingos de Arruda e Alziro Baptista de Lucena em agosto de 1916, o “Chalet Municipal” tomou forma entre os meses de setembro de 1916 e janeiro de 1917. Já a inauguração ocorreu em 1º de fevereiro de 1917, conforme noticiou o jornal “O Brazil” em sua edição de 3 de fevereiro:

"Teve lugar quinta-feira, às 21h, a inauguração do elegante e confortável chalet da Praça Dante. A todos que visitaram o chalet, os senhores Lucena & Arruda ofereceram profuso chopp, abrilhantando o ato duas bandas de música."

Cerca de um ano depois, em fevereiro de 1918, circulou a notícia de que Arruda & Lucena venderam "as existências do Chalet da Praça Dante" ao sr. Dionysio Cibelli. Após algumas reformas, o lugar foi reinaugurado em outubro daquele ano, sob a propriedade de Cibelli & Valencia, conforme destacado pelo jornal Città Di Caxias, edição de 4 de novembro de 1918:

"Grande tem sido o número de excelentíssimas famílias que, todas as noites, acorrem ao Chalet no desejo de ouvir boa música, passando momentos agradabilíssimos."

Posteriormente, em 1920, o local teve como arrendatários os senhores Ary Fontoura e Antonio Veiga, que deram sequência ao serviço de restaurante.

O registro abaixo, reproduzido do livro “O Rio Grande do Sul Colonial”, traz uma montagem do entorno da Praça Dante Alighieri e o chalé recém-concluído em 1917. Na foto que abre a matéria, um cartão postal da praça e do chalé, vistos a partir da então Rua Júlio de Castilhos.

Em ambos, a praça ainda aparece cercada e com muros - antes das reformas que culminariam com o nivelamento do terreno e a demolição do chalé, em 1925.

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Fotomontagem de dois registros captados a partir da Dr. Montaury, com o chalé ao centroFoto: Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami / Divulgação
O Chalé Municipal (à direita) à época da construção da Casa Canônica (Bispado), ao lado da Catedral Diocesana, em 1918Foto: Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami / Divulgação

Outras abordagens

O chalé também já apareceu em fotos que ilustraram outros assuntos abordados na coluna, como a inauguração da Estátua da Liberdade, em 1922, e a Gripe Espanhola de 1918. Na foto abaixo, a Praça Dante Alighieri coberta de neve em 7 de junho de 1918.

Trata-se de um registro dos trabalhos de ajardinamento realizados durante a gestão do intendente Penna de Moraes. Captada a partir da Rua Marquês do Herval, com a Dr. Montaury ao fundo, a foto traz, ao centro, o Chalet Municipal.

Na parte inferior, avista-se também as entradas dos sanitários públicos, que já apresentavam uma proposta moderna para a época: construções subterrâneas com acessos individuais masculino e feminino.

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Neve cobrindo a Praça Dante Alighieri, com o ajardinamento realizado pelo Intendente Penna de Moraes. Ao centro o Chalet Municipal que abrigava um bar e restaurante. O município detinha a propriedade e a prestação de serviço era concessão de Jorge Arruda, o Buffete. Na parte inferior avista-se as entradas dos sanitários subterrâneos. Os sanitários apresentavam proposta moderna, construções subterrâneas com acessos individuais masculino e feminino. Data: 7 de junho de 1918. Ao fundo, a Rua Dr. Montaury.<!-- NICAID(14465473) -->
O chalé em 1918, visto a partir da Rua Marquês do HervalFoto: Olympio Rosa,Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami / Divulgação

Jardim, pintura e jogos lícitos

Conforme informações do Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, o edital de concorrência para o arrendamento do chalé foi publicado pela Intendência Municipal em agosto de 1916. Segundo o documento, a concessão se daria pelo prazo de 20 anos, a contar de 1º de janeiro de 1917, e estaria sujeita a diversas condições. Cabia aos concessionários, entre outras:

:: O direito de estabelecer um bar com qualquer gênero de diversão moral e jogos lícitos, podendo transferir a terceiros a concessão ou sublocar o chalé.

:: Depositar nos cofres da Intendência Municipal o valor da construção do chalé, ajustado pela proposta com o construtor Ferrucio Duso, no total de "dez contos e quinhentos mil réis", em três prestações, ficando isentos de qualquer aluguel durante o prazo da concessão.

:: A utilização do jardim, sem prejuízo da arborização e plantação, porém não poderiam fazer ali instalações para festejos populares.

:: A obrigação de zelar pela conservação do chalé e suas dependências devendo o mesmo ser caiado e pintado pelo menos uma vez a cada dois anos e também realizar a limpeza do perímetro ocupado.

Já à Intendência Municipal cabiam, entre outras condições:

:: Fornecer água para mais de um encanamento instalado no interior do chalé e também para uma torneira, correndo as despesas por conta da construção do chalé e estando incluídas no seu custo total.

:: Responsabilidade pela limpeza e manutenção do jardim, pelo policiamento do local e por manter acesas as lâmpadas da iluminação pública durante a noite, nas horas regulamentares.

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Inauguração da Estátua da Liberdade durante as comemorações do Centenário da Independência do Brasil, na Praça Dante Alighieri. Monumento foi inaugurado em 8 de setembro de 1922, um dia depois, devido ao mau tempo. Ao fundo, a Catedral Diocesana, o Bispado e o antigo quiosque localizado na área do futuro chafariz, inaugurado 15 anos depois, durante a Festa da Uva de 1937. Estátua foi esculpida por Michelangelo Zambelli e pedestal foi obra de Silvio Toigo.<!-- NICAID(13438997) -->
O chalé visto durante a solenidade de inauguração da Estátua da Liberdade, em 8 de setembro de 1922Foto: Giacomo Geremia / Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami,divulgação
Inauguração da Estátua da Liberdade durante as comemorações do Centenário da Independência do Brasil, na Praça Dante Alighieri. Monumento foi inaugurado em 8 de setembro de 1922, um dia depois, devido ao mau tempo. Ao centro o antigo quiosque localizado na área do futuro chafariz, inaugurado 15 anos depois, durante a Festa da Uva de 1937. Estátua foi esculpida por Michelangelo Zambelli e pedestal foi obra de Silvio Toigo. Em primeiro plano, desfile dos alunos do Colégio Elementar José Bonifácio.<!-- NICAID(13439000) -->
O chalé visto durante o desfile dos alunos do Colégio Elementar José Bonifácio em 8 de setembro de 1922Foto: Giacomo Geremia / Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami,divulgação

Curiosidades

:: O local oferecia, além de sanduíches, cafés e bebidas diversas, o “famoso fumo em corda amarelinho”, conforme anúncios publicados em jornais de 1922.

:: No chalé também eram expostos e comercializados livros, como Os Irmãos Brocato - Crimes e Aventuras, de Crispim Mira. Volumes da obra foram oferecidos para venda pelo senhor Augusto Gavioli, segundo notas de 1918 no jornal Città di Caxias.

:: As noites de verão costumavam ser animadas por “afinadas orquestras”, conforme publicações de 1918.

Fotógrafo Umberto Zanella (1878-1957), que eternizou Caxias e Flores da Cunha entre 1905 e 1928. Na foto, Praça Dante em 1922: a Estátua da Liberdade, com a balaustrada original, e o antigo quiosque de José Dal Prá <!-- NICAID(14441871) -->
O chalé (à direita) e o antigo Largo da Independência, à época da inauguração da Estátua da LIberdade, em 1922Foto: Umberto Zanella / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami,divulgação

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