"Não houve negligência, foi uma fatalidade", diz neta de vítima do surto de covid-19 em lar de idosos de Gramado - Geral - Pioneiro

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Pandemia17/09/2020 | 21h00Atualizada em 17/09/2020 | 21h33

"Não houve negligência, foi uma fatalidade", diz neta de vítima do surto de covid-19 em lar de idosos de Gramado

Nove moradores do Santa Ana Residencial Geriátrico morreram em pouco mais de uma semana

"Não houve negligência, foi uma fatalidade", diz neta de vítima do surto de covid-19 em lar de idosos de Gramado Marcelo Casagrande/Agencia RBS
Residencial geriátrico fica no no bairro Vale das Colinas Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

O surto de covid-19 no Santa Ana Residencial Geriátrico, em Gramado, fez mais duas vítimas nesta quinta-feira, totalizando nove desde o último dia 9. Os casos mais recentes foram uma mulher de 80 anos e um homem de 75, que morreram durante a tarde na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital São Miguel.

Até o início da noite, três idosos e dois funcionários do residencial, localizado no bairro Vale das Colinas, permaneciam internados. A casa geriátrica de alto padrão tinha 30 residentes, sendo que 22 deles testaram positivo para a doença. Entre os 37 funcionários, 15 foram contaminados, totalizando 36 casos positivos para a doença relacionados ao surto. O Ministério Público (MP) aguarda informações da clínica e da Secretaria Municipal da Saúde, mas não estabeleceu um prazo para resposta aos ofícios. 

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Moradores de Gramado lamentam o episódio no lar geriátrico, mas classificam a situação como uma fatalidade. A Santa Ana é conhecida na cidade pelo alto padrão de atendimento e por ser uma opção para famílias com condições de oferecer cuidados paliativos a idosos com doenças severas no fim da vida. A reportagem conversou com a neta de uma das vítimas, que pediu para não ser identificada. Confira os principais trechos:

 Desde quando a sua avó vivia na casa?

Ela tinha 83 anos e histórico de Alzheimer há oito. Em maio, teve um AVC (Acidente Vascular Cerebral) muito extenso. Ela ficou ainda mais debilitada e precisaríamos contratar técnicos em enfermagem para cuidar dela 24 horas por dia. Quando começamos a contatar os profissionais, percebemos que todos eles trabalham pelo menos um turno no hospital, então o risco seria grande. Não íamos conseguir nos isolar totalmente. Foi uma decisão muito dolorida, mas pensamos no melhor para ela.

 Então, optaram pela casa geriátrica?

Eles já tinham a infraestrutura que a gente precisava, com a atenção permanente de enfermagem. Tínhamos conhecidos, alguns médicos e dentistas, pessoas da área da saúde, que tinham os pais lá em situação muito parecida com a nossa. Ela sempre foi muito bem cuidada, faziam muito além da casa geriátrica. O próprio doutor Ubiratã (Oliveira, proprietário do residencial) passa todos dia em visita e avalia os sinais vitais. Depois, nos passavam informações, tudo sempre foi muito transparente.

 Como foi o contato com a tua avó durante esse período?

Em períodos de bandeira laranja, a gente podia ir até a casa e ver ela através de uma janela, fora as ligações diárias com a equipe. Isso amenizava um pouco. Entre junho e agosto, ela precisou ser hospitalizada três vezes por que teve complicações com as sondas. A gente tinha serviço de ambulância contratada, então ela foi direto para o hospital.

 A senhora acha que houve negligência?

Ela foi super bem cuidada, o atendimento foi humanizado e tentaram minimizar o sofrimento da distância. Não houve negligência, foi uma fatalidade. O primeiro contaminado também é vítima e não pode ser julgado. É um momento muito difícil para todo mundo.

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