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Pandemia18/09/2020 | 19h09Atualizada em 18/09/2020 | 19h14

"Estamos muito abatidos, consternados", diz proprietária de casa asilar de Gramado

Surto já vitimou nove moradores nas últimas semanas

"Estamos muito abatidos, consternados", diz proprietária de casa asilar de Gramado Marcelo Casagrande/Agencia RBS
Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

A rotina no Santa Ana Residencial Geriátrico de Gramado é resumida por muito isolamento, desde que os primeiros casos de coronavírus foram conhecidos por exames e, até esta sexta-feira (18), acabaram vitimando  nove idosos. Os 15 residentes que permanecem na instituição estão em seus quartos, inclusive aqueles que negativaram os exames para a covid-19, e não podem sair dos dormitórios até a próxima terça-feira (22). 

A quarentena encerrará no dia 21 de setembro — quando completam os 15 dias desde o primeiro caso — e só depois eles poderão conviver em espaços mútuos. Entre os 17 que não precisaram de internação, apenas dois residentes — que tiveram resultado negativo — foram para as casas de familiares e retornarão também na próxima terça. Essa rotina parece ser bastante desgastante aos avôs e avós atendidos no local.

— Eles estão mais abatidos, mais deprimidos. Eles não têm as visitas das famílias desde março e aí ter que deixar eles nos quartos fechados, não é fácil. A nossa base de idade é de 89 anos, então imagina deixar idosos fechados. Mas agora, graças a Deus, segunda-feira a vigilância (sanitária do município) provavelmente irá liberar eles para conviverem normalmente — relata Cristina Oliveira, proprietária do local.

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Esse abatimento também é demonstrado no tom de voz de Cristina. A reportagem tentou contato com o marido e também proprietário, o médico Ubiratã de Oliveira, durante toda a sexta-feira (18) e só conseguiu resposta ao final da tarde. Cristina foi quem atendeu e disse que todos estão muito consternados com a situação.

— É muito difícil. Estamos muito abatidos, consternados. A gente sabe que isso é uma pandemia, aconteceu em todos os lares geriátricos do mundo, mas tínhamos a esperança que não chegaria aqui. Estamos desde março, com todos os EPI's, sem visitas, controlando todos os funcionários. Qualquer sintoma em funcionário, ele já era isolado e fazia o teste. Não tinha ninguém positivo. Quando veio, veio com tudo. Estamos muito abalados — conta.

EM BUSCA DE RESPOSTAS

Desde aquele 3 de setembro, quando foram identificados os primeiros contaminados pelo coronavírus, o quadro de funcionários está sofrendo uma rotatividade. Até aqui, 12 testaram positivo e o residencial precisou contratar substitutos temporários, que também foram testados pela vigilância sanitária de Gramado antes de poder entrar na casa.

— Não sei exatamente quantos a gente substituiu. Tem muitos voltando da quarentena, porque isso é muito rápido. Após 10 dias, quem não teve sintomas está liberado para retornar. E são 15 dias para quem teve algum sintoma. Isso dá uma rotatividade. Conforme precisa, a gente coloca outro no lugar — explica a proprietária.

Como o coronavírus chegou até a casa asilar? É uma incógnita. Até o momento, o que se tem conhecimento é que um dos idosos acusou febre e foi iniciada uma pesquisa. Como os exames foram realizados com todos que convivem na casa e foram vários os testes positivos, não é possível ainda ter uma resposta sobre como o coronavírus alcançou o residencial. 

— Eu não sei se foi funcionário, não sei se foi uma vó. Nós tivemos internações hospitalares que foram necessárias nesse período, não tem como saber — ressalta Cristina.

Segundo a proprietária, todos os cuidados foram tomados para que o vírus não chegasse ao Santa Ana Residencial.

— A vigilância tem todos os dados, tivemos vários funcionários isolados e nenhum positivou. Eles tinham outras doenças. Nunca teve caso positivo. Caso contrário seríamos os primeiros a tomar uma atitude. Além de ser uma coisa emocional, é um negócio. Eu vou querer que os idosos morram? Não tem cabimento. É o meu negócio que está aí na mídia, na televisão, no jornal. Então, a gente é o primeiro a querer que isso não aconteça. Jamais iria colocar em risco e com uma doença que é letal com quase 100% dos idosos — finaliza.

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