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14 anos da Lei Maria da Penha07/08/2020 | 09h22Atualizada em 07/08/2020 | 15h30

Por mês, mais de 100 mulheres são atendidas por violência doméstica em Caxias

Dado, da Coordenadoria da Mulher, é relativo ao primeiro semestre de 2020

Por mês, mais de 100 mulheres são atendidas por violência doméstica em Caxias Rodrigo Philipps/Agencia RBS
Em Caxias do Sul, 641 mulheres receberam atendimento da Coordenadoria da Mulher no primeiro semestre de 2020 Foto: Rodrigo Philipps / Agencia RBS

Apesar dos dispositivos para garantir mais segurança às mulheres nessa condição, a Lei Maria da Penha, que completa 14 anos nesta sexta-feira (7), ainda é insuficiente para garantir que muitas delas fiquem em segurança. Em Caxias do Sul, 641 receberam atendimento da Coordenadoria da Mulher no primeiro semestre de 2020. A média é de 106 casos por mês, levemente superior ao registrado no mesmo período do ano passado, quando foram 595 atendimentos, uma média de 99 por mês. Em 2019, foram 3.173 atendimentos direto e indiretos na coordenadoria. Isso significa 264 mulheres por mês. A baixa na assistência não significa, no entanto, que mais mulheres estão a salvo de companheiros violentos. 

Conforme a diretora de Proteção Social de Caxias, a guarda municipal Raquel Simone de Azevedo, a pandemia é um fator que colabora para que menos denúncias sejam feitas. Na Casa de Apoio Viva Rachel, lugar para o qual mulheres são levadas quando estão sob risco e não têm onde ficar em segurança, são apenas duas abrigadas atualmente. Antes da pandemia, o número girava em torno de oito.

— A gente acredita que é devido à pandemia. O medo de sair e não ter onde ficar. E o que mais me assusta: a desinformação. Por mais que a gente faça pôster e campanhas, a gente ainda encontra pessoas que dizem que não conhecem o serviço — disse Raquel, em entrevista ao Gaúcha Hoje da rádio Gaúcha Serra desta sexta.

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Outro aspecto levantado por Raquel é a identificação por parte das mulheres de que elas estão em condição de violência psicológica. De acordo com a diretora de Proteção Social, há casos de recorrentes ameaças. Como muitas vezes esses homens se colocam na condição de únicos provedores da família, parte das mulheres também sofre violência financeira, por ficarem sem renda. A chantagem com relação ao suposto afastamento das mães dos filhos é outro fator que faz com que elas permaneçam em um ciclo de violência. A autoestima das mulheres também costuma ser atacada.

— Toda essa tortura psicológica é feita por um longo período até chegar o momento que talvez ela tenha se irritado tanto e tenha respondido algo que talvez o agressor não quer ouvir e parte para a violência (física). Aí elas resolvem buscar atendimento. Nós temos fichas de mulheres que foram várias vezes ao serviço. Vão lá e voltam até conseguirem se encorajar e tomarem a decisão, ou talvez conseguirem um emprego, se sentirem um pouco mais seguras para poder romper com essa violência.

Para marcar o aniversário da Lei Maria da Penha, a Coordenadoria da Mulher promove nesta sexta-feira um seminário sobre o assunto. O evento ocorre às 14h de forma remota. O acesso pode ser feito pelo Youtube ou Facebook da Câmara Municipal de Caxias do Sul. Participam, além de vereadoras, representantes do Juizado da Violência Doméstica de Caxias, da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher, do Centro de Referência da Mulher e da Coordenadoria da Mulher.

Como buscar ajuda
Coordenadoria da Mulher: (54) 3218-6026
Centro de Referência para a Mulher: (54) 3218-6112
Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM): (54) 3220-9280
Patrulha Maria da Penha: (54) 98423-2154 (o número está disponível para ligações e mensagens de WhatsApp)
Central de Atendimento à Mulher: telefone 180

Confira a entrevista na íntegra:


 
 
 

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