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Turismo22/08/2020 | 11h20Atualizada em 22/08/2020 | 11h25

Com hotéis lotados, movimento se intensifica em parques nacionais de Cambará do Sul 

Mais de 1,6 mil turistas visitaram os cânions Itaimbezinho e Fortaleza entre a quarta e sexta-feira, segundo a secretaria de Turismo 

Com hotéis lotados, movimento se intensifica em parques nacionais de Cambará do Sul  Marcelo Casagrande/Agencia RBS
Mais de 1,6 mil turistas visitaram os cânions Itaimbezinho e Fortaleza entre a quarta e sexta-feira Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

A expectativa de neve, que se confirmou na noite da última quinta-feira (20) atraiu turistas para as cidades da Serra e dos Campos de Cima da Serra. Em Cambará do Sul, 80% da rede hoteleira está ocupada desde sexta-feira (21), dentro da capacidade prevista em decreto municipal para combater o coronavírus.  Os primeiros hóspedes começaram a chegar à cidade ainda na quarta-feira (19) para não perder a chance de registrar a neve. 

Mesmo com a rede hoteleira lotada, na área central de Cambará, o movimento é tranquilo neste sábado. Turistas passaram pela praça na área central logo cedo para garantir um registro do termômetro, que marcava -4 graus por volta das 6h. Os que haviam chegado recentemente estavam à procura de uma padaria para tomar um café e se aquecer; os que estavam na cidade, faziam fotografias e vídeos, mas já se preparavam para visitar os parques nacionais de Aparados da Serra e da Serra Geral. Com o frio intenso e os hotéis lotados, 1.663 visitantes passaram pelos cânions entre a quarta e a sexta-feira: 644 turistas estiveram no Itaimbezinho e 497 no Fortaleza durante a sexta. O levantamento foi repassado pela secretaria de Turismo.

Enquanto muitos visitantes procuram a cidade como destino turístico pelo frio, outros buscam pelas belezas naturais dos cânions.

— Viemos para visitar os cânions. Alugamos uma casa e claro que o frio é uma experiência a mais, mas a nossa viagem já estava marcada para conhecer os parques — conta Fernanda Barbosa de Oliveira , 43 anos, natural de Osório. 

Neve impulsiona turismo em São Francisco de Paula e São José dos Ausentes

Depois de uma caminhada no sol, no topo do Fortaleza, a médica Letícia Soares, 53, conta que saiu de Minas Gerais para passar uma semana em Cambará do Sul em busca de tranqüilidade.

— Estou sempre cansada porque pandemia tem sugado toda a minha energia. Vim em busca disso — disse apontando o penhasco. Ela complementa: 

— É um encontro com Deus, um momento de recuperar a força e voltar para a batalha. Eu não vou fotografar ou filmar, eu quero captar com a alma cada pedacinho desse lugar. Não vim pelo frio ou neve, eu precisava me conectar, sentar e ouvir o que Deus tem a me dizer — emociona-se ela. 

Os porto-alegrenses Ruy Lima, 57, e Cassiano Prestes da Rosa, 42, estavam em busca de aventura. Eles saíram da Capital no dia 15, antes da previsão de neve. Percorreram 76 quilômetros de bicicleta até Cambará do Sul. Na sexta-feira, concluíram a melhor parte do passeio: subir a trilha até o topo do Fortaleza. 

 CAMBARÁ DO SUL, RS, BRASIL, 21/08/2020 - Queda de temperatura e expectativa de neve atrai turistas para região dos canions.Em Cambará, na madrugada de sexta feira, termômetro chegou a marcar -7 graus. Sem neve, turistas podem visitar o Canion Fortaleza.  (Marcelo Casagrande/Agência RBS)<!-- NICAID(14574062) -->
Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

—De Cambará do Sul até aqui embaixo do penhasco pedalamos 24 quilômetros. É o meu lugar preferido na Serra. O melhor porque aqui sentimos paz — conta Lima. 

Para Rosa, estar no cânion é uma chance de reequilibrar a energia: 

— Estou de férias. A rotina é pesada e cansativa. Estar aqui, respirando esse ar, é bom para dar um up e voltar à vida com uma nova energia e disposição.

Já a fotógrafa caxiense Aline Fortuna, 26, chegou à cidade na sexta-feira. Ela programou a viagem pensando em encontrar neve: 

— Vim com a expectativa de ver a neve. Estar no cânion é um presente, esse contato com a natureza e essa conexão são incríveis. 

A representante comercial, Gicele Mendes 34, é de Curitiba. Ela confessa que chegou a ficar frustrada por não ver a neve, mas ao chegar ao Itaimbezinho, disse que se arrependeu de não ter conhecido a cidade antes: 

— Reservei uma pousada pensando no frio, queria ver neve, e estava empolgadíssima. Mas eu cheguei na sexta-feira de manhã, e não havia mais chance de nevar. Até chegar ao parque eu ainda estava chateada, então olhei aquele espetáculo da natureza e pensei: agradeça. E ainda posso aproveitar o frio, uma boa comida e vinho — diz, rindo. 

O enfermeiro Ricardo Costa, 31, também visitou o Itaimbezinho: 

— Sem palavras para descrever o quanto é bonito. Por fotos não é a mesma coisa, tem que vir conhecer. VOu voltar para Curitiba e convidar os amigos. 

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A cidade respira turismo

Fechados em 22 de março como medida de prevenção para conter o avanço da pandemia de coronavírus, os parques nacionais reabriram em 10 de junho de forma gradual e monitorada, mediante cumprimento dos protocolos de segurança sanitária. Antes da reabertura dos cânions, o fluxo de turistas havia caído. Agora o fluxo aumentou, e com o frio o movimento se intensificou. A Secretaria de Turismo recebe diariamente dezenas de ligações em busca de informações. 

— Hoje os nossos carros chefes são os parques nacionais. A cidade respira turismo e eles são nosso maior atrativo. Em seguida vem a nossa cultura e a nossa essência, o bem receber. Nos preparamos para isso, a cidade é pequena, bem de interior, mas a recepção é carinhosa, acolhedora para que todos se sintam bem e em casa. O frio é sempre um aliado porque potencializa o turismo, mas os parques são o nosso patrimônio e beleza — diz a secretária de Turismo, Beatriz Trindade. 

Pesquisa para privatizar parques

Aproveitando o movimento, uma empresa contratou uma pesquisa para conhecer a opinião dos turistas sobre a privatização dos parques nacionais. Havia equipes nos dois cânions e em Gramado e Canela, uma vez que há agências de turismo que organizam os passeios. No questionário, os visitantes falam sobre o que precisa melhorar na infraestrutura, como a sinalização e a falta dele no caso do Fortaleza, a necessidade de banheiros, lixeiras e espaço para lanches e também o que gostariam de fazer nos parques como acampar ou fazer rapel.

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