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Coronavírus05/08/2020 | 20h45Atualizada em 06/08/2020 | 08h23

Com 34% dos casos fatais na Serra, Bento Gonçalves é a quinta cidade do Estado com mais mortes por covid-19

Segundo coordenador médico da Secretaria da Saúde, cidade entrou antes na pandemia e já teria passado pela pior fase

Com 34% dos casos fatais na Serra, Bento Gonçalves é a quinta cidade do Estado com mais mortes por covid-19 Porthus Junior/Agencia RBS
Segundo representante da SMS, número de mortes totais na cidade se mantém estável em relação ao ano passado Foto: Porthus Junior / Agencia RBS

De cada seis pessoas que morreram em Bento Gonçalves este ano, uma, em média, estava com covid-19. Com 82 casos até esta quarta-feira (5) , Bento é a quinta cidade com maior número de óbitos por coronavírus em todo o Rio Grande do Sul. As vítimas do município representam 34% do total de mortes pela doença entre 65 cidades da Serra gaúcha.

A prefeitura tem analisado os dados, mas ainda não chegou a uma conclusão sobre os motivos que levaram Bento a um número tão expressivo. O coordenador médico da Secretaria Municipal da Saúde, Marco Antônio Ebert, recorda que, no início, a pandemia atingiu uma classe mais elitizada, compatível com o perfil econômico do município _ os primeiros casos foram registrados entre pessoas que viajaram ao Exterior, a negócios ou a lazer. Com isso, ele acredita que Bento esteja em uma fase mais adiantada da pandemia. E, portanto, o momento mais crítico tenha ficado para trás. 

– Infelizmente fomos protagonistas, mas eu quero acreditar que o pior já tenha passado. Estamos um pouco mais tranquilos agora por entender que estamos mais próximos do fim do que do começo – analisa.

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Ebert explica que o número de casos, neste momento, foi estabilizado.

– Já paramos de crescer. De ontem para hoje, tivemos 41 positivos e 100 curados. Se conseguirmos manter essa relação, daqui 15 dias podemos ver a curva, que está num platô, começar a baixar – projeta.

O coordenador destaca que o número de mortes totais na cidade se mantém estável em relação ao ano passado. No entanto, ele reconhece que o volume de vítimas da covid-19 é uma preocupação do município e destaca que 90% tinham outras comorbidades. 

– O fato de sermos referência no tratamento em oncologia na região faz com que muitos pacientes orbitem por aqui. Com a instalação de mais esse vírus, muitos não conseguiram resistir.

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Na avaliação do coordenador, a conduta do município no tratamento à doença foi adequada. Vinte novos leitos de UTI foram criados e nenhum paciente ficou sem atendimento. No entanto, Ebert lamenta não poder ampliar a testagem por falta de fornecedores no mercado.

 Troca de bandeira preocupa

Ebert atribui a estabilização nos casos, entre outras coisas, à eficiência das medidas de prevenção adotadas até agora, como o uso de máscara e o distanciamento social. No entanto, ele demonstra preocupação com a troca de bandeira, da vermelha para a laranja, e teme que as menores restrições tenham o efeito contrário na curva que, a tanto custo, foi estabilizada.

– O distanciamento entre as pessoas não pode ser afrouxado. Não atingimos ainda imunidade de rebanho. Inclusive, estamos bastante distante disso, com pouco mais de 2 mil infectados. Teria que ter 30 a 40 mil para alcançar um patamar em que o trânsito do vírus fica dificultado – projeta.

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O coordenador afirma que o maior inimigo a ser combatido são as aglomerações na rua. Para ele, a abertura do comércio não é o fator preponderante para o acúmulo de pessoas, mas a falta de consciência de quem retomou atividades de lazer como se a pandemia já tivesse sido extinta. 

– Ainda não é o momento de programar festas, encontros. Também não podemos aceitar o retorno das escolas. Se voltarmos à vida normal agora, vamos ter uma recaída, uma segunda onda, e não podemos admitir – apela.

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