Arrabalde de Santa Catarina: o casarão dos Andreazza - Geral - Pioneiro

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Memória07/08/2020 | 15h33Atualizada em 07/08/2020 | 17h04

Arrabalde de Santa Catarina: o casarão dos Andreazza

Em fase de revitalização, imóvel centenário abrigou, a partir de 1915, a vinícola e a residência do comerciante José Andreazza e sua família

Arrabalde de Santa Catarina: o casarão dos Andreazza Acervo de família / Divulgação/Divulgação
Anos 1930: Aparício Postali e Guilhermina Andreazza próximos à cascata do Arroio Tega, tendo ao fundo o casarão da família (posterior Cantina Pão & Vinho) Foto: Acervo de família / Divulgação / Divulgação

Símbolo do bairro Santa Catarina, o centenário casarão que abrigou as famílias Andreazza e Tonet - e posteriormente a Cantina Pão & Vinho - retorna em breve consolidando um projeto que mescla memória, preservação e inovação. Está prevista para novembro a entrega do local revitalizado à comunidade, valorizando seu passado por meio de um novo espaço enogastronômico.

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Toda essa história começou em meados de 1914, quando o descendente de imigrantes italianos José Andreazza construiu, em pedra e alvenaria, o imóvel que receberia a produção de vinho e a numerosa família - formada pela esposa Luiza Barbisan e pelos 10 filhos: Pedro, Guerino, Inês, Rosalina, Hegínio, Guilhermina, Ettore, Zélia, Raimundo e Alfredo. 

Filha de dona Guilhermina Andreazza e do dentista Aparício Postali - e neta de seu José -, a professora Suzana Postali Fantinel, 80 anos, conhece toda essa trajetória em detalhes. Integrante da quinta geração dos Andreazza, Suzana foi a responsável pela tradução do livro “Feral de Vita Migrantina", escrito pelo tio Hegínio Andreazza em dialeto vêneto, recordando os pioneiros da família e as vivências na casa e no "arrabalde". 

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Conforme ela, o tataravô, Giuseppe Andreazza, era natural da localidade de Unigo de Piave, província italiana de Treviso, e migrou para o Brasil em 1878, com a esposa Ana Poloneatto e os oito filhos. O grupo de 16 pessoas, incluindo outros seis parentes, fixou-se no antigo Travessão Thompson Flores (9ª Légua), atual bairro Nossa Senhora da Saúde, onde todos dedicaram-se ao comércio de produtos coloniais e à vitivinicultura.  

Aparício e Guilhermina com a filha recém-nascida Suzana no jardim da casa, em 1940Foto: Acervo de família / Divulgação

O construtor

Neto de Giuseppe e filho de Pietro (Piero), José Andreazza nasceu em 6 de agosto 1882 e, em 1904, aos 22 anos, casou-se com a jovem Luiza Barbisan. Conforme explica Suzana, os avós residiram com a família do patriarca Giuseppe em Nossa Senhora da Saúde até a chegada do sexto filho.

— Eram tantos no local que até foi chamado de “O Vaticano” — revela.

Posteriormente, com o crescimento do comércio de vinhos, seu José adquiriu um terreno localizado no antigo Arrabalde de Santa Catarina, próximo ao Arroio Marquês do Herval (Tega), onde deu início à construção da casa da família e de uma cantina para a produção da bebida.

— Foi onde nasceu  a sétima  filha, minha mãe Guilhermina, em 1915 — conta Suzana, que disponibilizou uma série de imagens de família para ilustrar essa viagem no tempo.

Na imagem que abre a matéria, os pais de Suzana, Aparício Postali e Guilhermina Andreazza Postali, próximos à cascata do Arroio Tega, com o casarão ao fundo, em finais da década de 1930. Acima, Aparício e Guilhermina com Suzana recém-nascida no jardim da casa, em 1940. Abaixo, os avós de Suzana, os pioneiros José Andreazza e Luiza Barbisan Andreazza.

O casal José e Luiza AndreazzaFoto: Acervo de família / Divulgação
Anos 1940: a matriarca Luiza Barbisan Andreazza e parte da família junto à ponte de pedra do Arroio Tega, no bairro Santa CatarinaFoto: Acervo de família / Divulgação

Mudanças 

Em meados dos anos 1920, com o crescimento do negócio, uma casa anexa surgiu, agregando-se a um cenário natural que incluía jardim, horta, pomar e parreirais. Foi ali, no distante e bucólico bairro Santa Catarina, que os Andreazza permaneceram até meados da década de 1940.

Nas imagens acima e abaixo, a família Andreazza junto a outro símbolo do passado do bairro Santa Catarina: a ponte romana, com dois arcos, do então límpido Arroio Tega. Na imagem acima vemos, à esquerda, Nelson Andreazza, Raimundo, Rozalina, Rosa e a matriarca Luiza (de preto). Sentados, Stefano e Zélia Andreazza Alberti, o filho José Alexandre Alberti, a menina Stela Alberti e Suzana Postali Fantinel. De pé, à direita, dona Guilhermina. O menino com a mão no rosto é Pedro Luís Andreazza, irmão de Nelson.

Detalhe: atrás, vemos a caminhonete com a marca "Andreazza Madeiras", usada pela empresa em Santa Catarina. Sim, nos anos 1930, seu José Andreazza e os filhos investiram em serrarias nos municípios catarinenses de Videira, Tangará e Campos Novos. 

Dona Guilhermina com a filha Suzana no colo e vizinhas junto à ponte do Tega, nos anos 1940Foto: Acervo de família / Divulgação

Morte em 1943 

Localizada junto ao casarão da família, a vinícola de José Andreazza fornecia a bebida também a consumidores de Porto Alegre, São Leopoldo e Montenegro. O vinho, engarrafado e acondicionado em barris, era transportado em carroças até a Estação Férrea, onde era despachado nos vagões.

José Andreazza faleceu aos 60 anos, em 28 de janeiro de 1943. Quatro anos após a morte do comerciante, o duplo imóvel foi adquirido pelo senhor Angelo Tonet, que ali morou com a família a partir de 1947. 

Na reprodução abaixo, a notícia do falecimento de seu José Andreazza, publicada no jornal "O Momento" de 30 de janeiro de 1943.

Foto: Divulgação

Nome de rua

José Andreazza nomeia uma rua do bairro Santa Catarina, localizada numa antiga área pertencente ao comerciante e próxima ao casarão da família.

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