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Coronavírus22/07/2020 | 11h47Atualizada em 22/07/2020 | 14h51

Pelo mundo: saiba como está a pandemia na visão de quem morou na Serra e hoje vive fora do Brasil

Mais de quatro meses após ser acionado o alerta mundial, países vivem diferentes momentos mas, sem vacina, ainda temem a covid-19

Pelo mundo: saiba como está a pandemia na visão de quem morou na Serra e hoje vive fora do Brasil Marina Bassanesi Bianchi/Arquivo pessoal
Foto: Marina Bassanesi Bianchi / Arquivo pessoal

Até o fechamento desta matéria, 620.314 pessoas no mundo já morreram por covid-19, doença contraída a partir da infecção por coronavírus, conforme dados do covidvisualizer.com. Desde que o surto de contágio foi enquadrado no mais alto nível de alerta internacional da Organização Mundial de Saúde, no dia 11 de março de 2020, os cenários foram variando conforme cada país e, até mesmo, conforme as regiões de cada um deles.

Atualmente, o Brasil é o segundo país do mundo mais afetado pela doença, perdendo apenas para os Estados Unidos, onde quase 145 mil pessoas já morreram. No Brasil, conforme dados do consórcio de veículos de imprensa, até as 8h desta quarta-feira (22), o país já contabilizava 81.628 mortes por covid-19 desde que a primeira foi registrada, em 12 de março. Em meados de maio, o Brasil ultrapassou a Itália e a Espanha em números de confirmações diárias para covid-19. Ambos países europeus chegaram a ser epicentro da doença, entre os meses de março e abril, com uma demonstração do que as Américas estariam por enfrentar logo em seguida.

Ainda antes do número de casos disparar no Brasil, pessoas da Serra que residem em outros países relataram ao Pioneiro suas experiências diante da pandemia em solo estrangeiro. Mais de quatro meses depois, a reportagem procurou novamente alguns participantes da série "Pelo Mundo" para saber como está a situação atual no país onde cada um reside. Com ou sem estabilidade no número diário de mortes, a falta de uma vacina ainda faz com que o aumento da curva de contágio seja monitorado com atenção nos quatro cantos do mundo.

ESPANHA: "Parecia que a normalidade estava chegando"

Antonio Milton Natalio tem um restaurante em Irún, na Espanha e fala como estão as regras após as flexibilizações no país.<!-- NICAID(14549843) -->
Entre as principais regras está a limitação de até 10 pessoas por mesa, além da permissão para servir bebidas alcóolicas somente até às 23hFoto: Antonio Milton Natalio / Arquivo pessoal

O país que chegou a figurar na lista dos mais afetados do mundo agora chega a quase 285 mil casos confirmados e mais de 28 mil mortos por covid-19. As medidas restritivas, que têm como objetivo a redução do contágio, passaram a ser estipuladas regionalmente e têm sido intensificadas após surtos recentes. O Ministério da Saúde registrou na última sexta-feira (17) 628 infecções em um único dia na Espanha, o número mais elevado desde o final do estado de alarme, que ficou vigente até 21 de junho. O uso de máscaras de proteção é obrigatório em todo o país, conforme relata o empresário Antonio Milton Natalio, natural de Garibaldi, mas que vive com sua família na cidade de Irún. 

— Parecia que a normalidade estava chegando, tudo bastante tranquilo, mas os contágios voltaram a subir consideravelmente, por isso foi decretado aqui o uso obrigatório de máscaras na rua. Quem sai sem máscara pode ser multado. Ainda assim, as pessoas podem consumir dentro dos bares e restaurantes — afirma Natalio, que possui um restaurante e vem cumprindo as normas estabelecidas para funcionamento após reabertura permitida pelo governo.

Entre as principais regras está a limitação de até 10 pessoas por mesa, além da permissão para servir bebidas alcoólicas somente até as 23h, com permanência dos clientes autorizada até 1h. A cidade onde Natalio mora faz fronteira com a França e, por isso, sente os reflexos da falta de restrições do país vizinho.

— Agora mesmo está permitido circular sem máscara por lá e está livre o acesso de um país para o outro, mas acredito que daqui alguns dias eles também irão começar a restringir mais — afirma.

AUSTRÁLIA: "Estamos esperando para ver no que vai dar"

Jornalista Vitória Lovat, de Farroupilha, mora em Brisbane, capital do estado de Queensland, na Australia. Na foto, uma feira do bairro onde ela mora, em um final de semana de julho.<!-- NICAID(14549833) -->
Foto: Vitória Lovat / Arquivo pessoal

O país que tornou-se um dos principais exemplos na contenção do contágio por coronavírus está com as fronteiras internas fechadas em função do aumento da curva que voltou a ser registrado no país. Conforme a jornalista Vitória Lovat, de Farroupilha, que vive na Oceania, o controle se deu após medidas extremas de distanciamento social, que chegaram a zerar o número de casos em algumas regiões.

— Agora estavam fazendo campanhas para o turismo local, com a reabertura das fronteiras as pessoas poderiam viajar de um estado para o outro, mas isso foi por água abaixo porque os números estão maiores que na primeira onda. Algumas cidades e bairros estão em lockdown — afirma a moradora, que vive na cidade de Brisbane, capital de Queensland, onde, pontualmente, novos casos não vêm sendo registrados. A situação mais crítica, no momento, se dá no Estado de Victoria, onde já somam-se 6.739 casos confirmados para covid-19, sendo 347 nas últimas 24h.

Conforme Vitória, há poucas semanas a situação estava tão tranquila no país que o uso obrigatório de máscara sequer chegou a ser discutido. O primeiro fechamento, que ocorreu ainda em março e abril, foi absolutamente respeitado pela população, que passou, em seguida, a viver normalmente dentro do país, onde restaurantes e diversos outros ambientes (exceto locais de aglomeração, como estádios e cinemas) passaram a abrir normalmente.

— Todas medidas de restrição começaram a dar passos pra trás. Está todo mundo receoso agora, até porque é algo muito imprevisível. A esperança de que os aeroportos internacionais abrissem acabou e as pessoas entenderam que a situação é séria e que pode se alastrar por meses ainda. Como todo o resto do mundo, estamos esperamos para ver no que vai dar — comenta Vitória.

ALEMANHA: "Em setembro os casos podem voltar a subir"

Bruna Cecilia de Vargas mora em Munique e relata como estão as regras e cuidados em relação à pandemia no país. Com o verão, clubes e ruas estão mais movimentados.<!-- NICAID(14549847) -->
Foto: Bruna Cecilia de Vargas / Arquivo Pessoal

Após uma flexibilização iniciada em maio — mantendo os cuidados de distanciamento, entre outros protocolos — a Alemanha voltou ao estado de alerta em junho, quando novos surtos começaram a ser registrados no país. A chegada do verão, porém, fez com que a população ganhasse as ruas, o que faz com que se projete um aumento de casos a partir de setembro, conforme relata a contabilista de Caxias do Sul, Bruna Cecilia de Vargas, 28, que mora em Munique.

— Os números estão sendo controlados, mas muita gente está viajando para outros países por conta das férias. Em setembro, junto com a chegada do frio, os casos podem voltar a subir — comenta Bruna.

De acordo com ela, enquanto os números permanecem sob aparente controle, a vida dos alemães praticamente voltou ao normal.

— Algumas coisas ainda são restritas, as escolas estão com parte das aulas presenciais e outra parte remota. Como estamos no verão, nas férias, as pessoas estão indo muito para os clubes, restaurantes, tomando sorvete, sendo a máscara obrigatória somente em locais fechados — relata.

Na Alemanha, quase 205 mil pessoas já testaram positivo para covid-19 desde o início da pandemia. Mais de 9 mil pessoas morreram com a doença no país.

ITÁLIA: "Esta seria uma época de alta temporada"

Caroline Weber Echer mora em Bologna, na Itália e conta como está o país que chega ao quinto mês de pandemia. Na foto: Piazza Minghetti<!-- NICAID(14549840) -->
Piazza Minghetti, em Bologna, regista movimento mas fluxo ainda é baixo se comparado aos dias "normais" de verão na cidadeFoto: Caroline Weber Echer / Arquivo pessoal

No dia 19 de março, quando municípios como Caxias do Sul começavam a tomar as primeiras medidas oficiais de distanciamento em prevenção ao contágio por coronavírus, a Itália tornava-se o país mais afetado pela covid-19, com 41.035 casos, em um aumento de 5.322 confirmações em relação ao dia anterior. Após dois meses de lockdown — e a morte de 32 mil pessoas — a redução do contágio fez com que o país desse início a um processo de desconfinamento, com reabertura controlada de diversos estabelecimentos e permissão para viagens dentro e fora do país (desde o viajante permaneça na União Europeia).

Atualmente, o país totaliza pouco mais de 35 mil mortes e 12,2 mil casos ativos. Apesar de ser considerada controlada, a pandemia ainda faz com que sejam estabelecidas regras, como distanciamento, medição de temperatura, higienização das mãos e uso obrigatório de máscaras, sendo este último apenas em locais fechados e em meios de transporte, como relata a engenheira caxiense Caroline Weber Echer, 33, que mora em Bologna.

— Os serviços, em geral, estão normalizados, mas a quantidade de pessoas ainda é bastante controlada e algumas lojas estão adotando o agendamento prévio para a ida do cliente. As empresas estão revezando home office com trabalho presencial. Vemos muitos negócios pequenos que acabaram fechando porque não conseguiram se sustentar durante o período em que permaneceram fechados — comenta a moradora.

Ela relata que o movimento nas ruas ainda é reduzido. O mesmo ocorre em Florença, onde vive a arquiteta, também caxiense, Marina Bassanesi Bianchi, 32.

Marina Bassanesi Bianchi mora em Florença, na Itália e fala sobre como estão as regras em relação à pandemia no país. Restaurantes apostam em mesas externas, mas movimento ainda é baixo.<!-- NICAID(14549845) -->
Mesas externas têm sido a grande aposta de bares e restaurantes no verão de FlorençaFoto: Marina Bassanesi Bianchi / Arquivo pessoal

— Estamos no verão e o turismo está completamente afetado. Para motivarem as pessoas a saírem, os restaurantes e bares estão deixando mesas e bancos nas ruas. Esta seria uma época de alta temporada, com muitas promoções, muitos trabalhos temporários sendo abertos, mas não é o que ocorre neste ano — comenta Marina.

Ainda conforme a moradora, as escolas estão em período de recesso e, ao que tudo indica, as aulas iniciarão normalmente em setembro.

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