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Memória03/07/2020 | 07h00Atualizada em 03/07/2020 | 13h17

Irmãos Pisani: o incêndio na fábrica de marmeladas em 1948

Sinistro destruiu a fábrica de doces localizada na Rua Feijó Jr., em São Pelegrino

Irmãos Pisani: o incêndio na fábrica de marmeladas em 1948 Jornal Pioneiro / Reprodução/Reprodução
Anúncio publicado na primeira edição do Pioneiro, em 4 de janeiro de 1948 Foto: Jornal Pioneiro / Reprodução / Reprodução

Basta perguntar a quem tem mais de 70 anos que boa parte vai lembrar. Entre o final dos anos 1940 e início da década de 1950, Caxias testemunhou uma série de misteriosos incêndios em fábricas e estabelecimentos comerciais da área central, a maioria sem um laudo preciso das causas até hoje. Um deles foi o que atingiu a Fábrica de Marmelada Irmãos Pisani, localizada na Rua Feijó Jr., 1.094, em São Pelegrino, na noite de 28 de dezembro de 1948.

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O sinistro foi noticiado pelo Pioneiro na capa da edição de dois dias depois, em 30 de dezembro de 1948:

“À chegada dos bombeiros, a fábrica estava praticamente destruída, conseguindo eles, no entanto, isolar alguns prédios. Como devem recordar-se os leitores, esta fábrica havia sido destruída por incêndio há cerca de seis meses, tendo sido imediatamente reconstruída logo após aquele sinistro. Segundo tivemos conhecimento, tanto naquele como neste incêndio, os prejuízos foram totais, pois nenhum seguro havia sido feito. O flagrante acima da reportagem de “O Pioneiro” fixa um aspecto dos restos da fábrica, vendo-se, inclusive, maquinários e motores inutilizados pelas chamas”.

O incêndio foi recordado também em uma matéria sobre a história do Corpo de Bombeiros em Caxias, publicada pelo Pioneiro em 30 de junho de 1984. O relato foi do então sargento Luiz Carlos Duarte, referindo-se à antiga sede da corporação, na Rua Coronel Flores esquina com a Sinimbu. 

“Houve uma chamada para atender um incêndio na fábrica de marmelada do Pisani, distante 100 metros do Corpo de Bombeiros. O carro dos bombeiros foi até o local, e a bomba enguiçou. Para não queimar o carro, os civis o empurraram. Preparamos o carro auxiliar e, na metade da quadra, também enguiçou. Foi aquele comentário. Daí, o Américo Pisani ficou revoltado, foi para a imprensa, tiraram fotos. Só assim foi adquirido o primeiro Ford 1946 simples e, depois, mais um com eixo de força”.

Nas fotos abaixo, alguns anúncios da fábrica publicados pelo Pioneiro entre 1948 e 1950. O maior deles estampou uma das páginas da primeira edição do jornal, em 4 de novembro de 1948. Entre as delícias da época, a figada e a “maçansada”...

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A "Nonna Pisani"

Tendo como sócios e fundadores Américo e Germano Pisani, a Fábrica de Marmelada Caxiense iniciou em meados dos anos 1930, conforme mencionamos na coluna de ontem.

Matéria publicada pelo Pioneiro em 19 de janeiro de 1974, recordando da trajetória de Germano Pisani, detalhou os primórdios do negócio:

“Sua vida não foi ligada unicamente com o trabalho em madeira. Em 1930, viria a fundar a Fábrica de Marmelada Caxiense, industrializando frutas da região, pois desde pequeno, além de trabalhar com seu pai na madeireira, ajudava sua mãe no fabrico de doces de frutas caseiras. Elas eram vendidas pela “Nonna Pisani”, maneira carinhosa como sua mãe era chamada por todos. Em 1942, começou a fazer, além de caixas de doces de frutas, suas primeiras caixas para refrigerantes, tais como Laranjinha e Marabá. Posteriormente, fez caixas para a Brahma e, a partir desta, começou a trabalhar para indústrias de grande porte, afirmando com satisfação que nunca perdeu um cliente, pois todos os daquela época são seus clientes hoje na Madeireira Germano Pisani S/A”. 

A saber: em 1973, a antiga madeireira passou a atuar no setor de embalagens plásticas, acompanhando as inovações tecnológicas da época. Hoje, a Pisani Soluções em Plástico é uma das maiores empresas do ramo na América Latina.

Sinistros em série

O duplo incêndio na Fábrica de Marmelada Irmãos Pisani ocorreu no mesmo ano em que pegou fogo a Ferragem Andreazza, na esquina da Pinheiro Machado com a Moreira César, em 29 de janeiro de 1948. 

Quatro anos depois, foram destruídos pelas chamas outros três ícones do comércio: a firma Guerino Sanvitto & Cia, no cruzamento da Marechal Floriano com a Os Dezoito do Forte, em 17 de janeiro de 1952; a Ferragem Caxiense (defronte ao Eberle) e, por consequência, a vizinha Casa Minghelli, na Sinimbu com a Marquês do Herval, em 23 de novembro de 1952. Já na véspera do Natal de 1954 foi a vez do pavilhão de madeira anexo ao antigo Moinho Progresso, na Rua Coronel Flores, sucumbir. 

Outro sinistro de enormes proporções foi o ocorrido no antigo Pavilhão da Festa da Uva de 1950, junto à antiga Cooperativa Madeireira Caxiense (atuais mercados Big e Zaffari). Na madrugada de 17 de março de 1950, às vésperas do encerramento daquela edição, as labaredas destruíram o famoso Duque de Caxias, primeiro avião de treinamento doado ao Aeroclube de Caxias do Sul pela Campanha Nacional da Aviação.

Em todos eles, as explicações recaíram sobre curtos-circuitos, instalações velhas de madeira e a fácil combustão dos materiais estocados. Mas muito gente até hoje fala em incêndios criminosos... 

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A Rua Feijó Jr.

O trecho da Rua Feijó Jr. entre a Os Dezoito do Forte e a Augusto Pestana, onde a Fábrica de Marmelada Irmãos Pisani funcionava, abrigou outros estabelecimentos que fizeram história no setor alimentício de Caxias. Entre eles a Indústria de Licores e Destilados de Maurício Viola (onde hoje situa-se o edifício homônimo e a Galeria Arte Quadros) e o lendário Pastifício Caxiense, da família Dal Pont, produtor das Massas Diana e dos Biscoitos Pérola.

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