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100 mortes por coronavírus08/07/2020 | 21h28Atualizada em 09/07/2020 | 08h15

"Ele deixa um vazio inestimável em nossos corações", dizem filhos da vítima de Nova Prata

Primo Strapazzon tinha 66 anos e faleceu em 22 de junho

"Ele deixa um vazio inestimável em nossos corações", dizem filhos da vítima de Nova Prata Arquivo Pessoal/
Foto: Arquivo Pessoal

Primo Strapazzon era daqueles que estava sempre disponível para estar com os amigos, ainda mais se fosse uma janta para jogar conversa fora. Um homem simples, que dedicou quase toda a vida para extração de basalto. Porém, aos 66 anos, ele acabou contraindo o coronavírus. No dia 22 de junho, faleceu na UTI do Hospital Beneficente São Pedro, de Garibaldi. Foi a primeira e, até o momento, a única vítima da cidade de Nova Prata.

— Foi muito rápido. Uma pessoa tranquila, que gostava das amizades, ele gostava de viver, sabe? Teve esse processo todo e levou ele de nós — afirma Dago Zilli, amigo e chefe.

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Strapazzon nasceu em São Jorge, na Serra Gaúcha, mas foi em Nova Prata que ele construiu sua vida e sua família. São sete filhos que viram os grandes exemplos e seguem esses ensinamentos do pai:

— Mesmo com seu jeito rígido criou seus filhos e os educou com muita responsabilidade. Nos ensinou e transmitiu princípios de serenidade,simplicidade e honestidade — afirmam. 

Os conhecimentos de Strapazzon também ajudou muito a família Zilli. Ele trabalhou por muito tempo para eles e criou um nível afetivo que ia bem além de um vínculo trabalhista. Foi Strapazzon quem viu a possibilidade de que haveria um bom negócio na propriedade de Dago, se apostasse na extração do basalto.

— Ele trabalhou a vida inteira com isso e a gente tem essa oportunidade da natureza, de ter uma terra com a pedreira em cima. Ele conhecia e veio lá, me explicou todo o processo, disse que a gente tinha uma riqueza. Começamos numa brincadeira e se prolonga até hoje — conta Dago.

Os primeiros sintomas apareceram no mês de maio. Strapazzon foi internado no hospital de Nova Prata após se sentir mal e os exames apresentaram anormalidades nos pulmões. Ele foi liberado três dias depois, mas não demorou para regressar ao hospital, com uma síndrome respiratória mais grave. O quadro deteriorou rapidamente, o diagnóstico deu positivo para a covid-19. Na primeira semana de junho, os médicos decidiram interná-lo na UTI de Garibaldi. Strapazzon não resistiu à agressividade do coronavírus.

— Infelizmente, um fim que a gente não imaginava. Eu queria ir buscar ele com vida em Garibaldi, mas não foi possível — conta Dago, dizendo que a situação pegou todos de surpresa.

A covid-19 fez mais uma vítima e criou mais um vazio para os amigos e também para a família.

— Dono de um coração enorme. Ele deixa um vazio inestimável em nossos corações e a dor de não poder proporcionar uma despedida digna que ele merecia — ressalta Morgana Strapazzon, junto dos seus outros seis irmãos.

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