Bodas de ouro de Rodolfo e Josefina Braghirolli em 1935 - Geral - Pioneiro

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Memória15/07/2020 | 07h00Atualizada em 15/07/2020 | 07h00

Bodas de ouro de Rodolfo e Josefina Braghirolli em 1935

Família teve destacada atuação na área da alfaiataria e da música

Bodas de ouro de Rodolfo e Josefina Braghirolli em 1935 Reprodução/Divulgação
A foto comemorativa das bodas de ouro, em 1935. Em pé estão Yolanda, Hygina, o patriarca Rodolfo Braghirolli, Sylvia e Aldo. Sentadas aparecem Lyna, a matriarca Josefina e Dyna Braghirolli Foto: Reprodução / Divulgação

A alfaiataria do início do século 20 em Caxias está diretamente ligada à trajetória do imigrante italiano Rodolfo Braghirolli – Rodolpho, na grafia original. Tanto que seu estabelecimento/moradia, no trecho da Avenida Júlio de Castilhos entre a Visconde de Pelotas e a Dr. Montaury, até hoje é lembrado pela população mais antiga.

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Toda essa história teve início em 1869, quando o menino de nove anos chegou ao Brasil na companhia do pai, Carlos Braghirolli. Com a morte precoce do progenitor, Rodolfo dedicou-se desde muito cedo ao ofício de alfaiate, que ensinava também a outros jovens. O aperfeiçoamento veio ao completar 20 anos, em 1880. Foi quando ele retornou à Itália para um curso de alfaiataria na Academia de Victorio Raffignone, em Torino. 

Já o casamento com dona Josephina Rosina, na então Igreja de Santa Teresa, ocorreu em 14 de fevereiro de 1885, nascendo dessa união sete filhos. Desses, seis (Sylvia, Hygina, Dyna, Lyna, Aldo e Yolanda) festejaram as bodas de ouro dos pais, em 1935, conforme texto ao lado. A irmã Branca Braghirolli falecera em 1917, aos 14 anos.

ATUAÇÃO

Bastante envolvido com a comunidade e a vida sócio-cultural da cidade, Rodolfo Braghirolli foi membro-fundador da Associação Comercial de Caxias, presidente da Sociedade Príncipe de Nápoles e um dos sócios-fundadores do Clube Juvenil, tendo feito, em 1909, um empréstimo de 10 mil réis ao senhores Hermenegildo Buratto (presidente da agremiação) e Victorio Rossi (tesoureiro).

O alfaiate também auxiliou a adquirir, juntamente com os amigos Angelo Manfro e José Chiaradia, o primeiro “carro condutor”. Seria uma espécie de carreta puxada por mulas, para levar os mortos ao cemitério, devido ao barral existente nas pequenas ruas sem calçamento da antiga vila. 

Acompanhando a evolução da cidade a partir das janelas de casa e da alfaiataria da Avenida Júlio de Castilhos, Rodolfo testemunhou ainda outro acontecimento marcante daqueles tempos: a inauguração da estrada de ferro e a chegada do  trem, em 1º de junho de 1910. À época, ele tinha 50 anos.

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Os Braghirolli em 1911: Rodolfo Braghirolli e Josefina com os filhos Aldo e Sylvia (à frente), Dina Braghirolli e Lina (ao centro), Higina e Yolanda (atrás).<!-- NICAID(14544641) -->
Os Braghirolli em 1911: Rodolfo e Josefina com os filhos Aldo e Sylvia (à frente), Dyna e Lyna (ao centro), Hygina e Yolanda (atrás)Foto: Acervo de família / Divulgação
As felicitações da família de Rodolfo Braghirolli para o ano novo de 1914 no jornal ¿O Brazil¿.<!-- NICAID(14544639) -->
As felicitações para o ano novo de 1914 no jornal “O Brazil”Foto: Jornal O Brazil / Reprodução

Os 50 anos de casados

Nota social no jornal “O Momento” de 14 de fevereiro de 1935 destacou a data:

“O sr. Rodolfo Braghirolli e sua exma. esposa, dona Josefina Braghirolli, que hoje festejam 50 anos de casados, têm recebido, por esse motivo, inúmeras demonstrações de apreço, tendo sua residência se conservado repleta com a presença dos filhos, genros e netos do casal, bem como de pessoas amigas que os vão abraçar e apresentar votos de felicidades. Hoje, pela manhã, uma verdadeira multidão assistiu ao cerimonial das Bodas de Ouro, realizado com toda solenidade na Igreja Matriz, e que foi paraninfado pelos senhores Miguel Muratore (prefeito municipal) e José de Oliveira Soares e suas exmas. esposas. Grande cópia de telegramas e fonogramas de felicitações tem o casal recebido. O casal Braghirolli reside há muitos anos neste município, tendo os seguintes filhos: sr. Aldo Braghirolli, residente em Boa Vista do Erechim; dona Hygina Braghirolli Dal Cortivo, casada com o sr. Augusto Dal Cortivo, residente em Pelotas; dona Yolanda Braghirolli Galvão, casada com o sr. Victor Galvão, residente em Farroupilha; e mais as senhoritas Sylvia, Dyna e Lyna Braghirolli, residentes nesta cidade. Existem também alguns netos. O sr. Rodolfo Braghirolli, que exerceu durante muitos anos a profissão de alfaiate, bastante contribuiu, por diversos meios, para o progresso de Caxias. As provas de apreço que hoje tem recebido o distinto casal atestam o grau de estima em que o tem a população desta cidade”. 

A saber: Rodolfo Braghirolli morreu em 11 de fevereiro de 1942, aos 83 anos. Dona Josefina faleceu 19 anos depois, em 1961.

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Postal enviado por Rodolfo Braghirolli para Vicente Argenta em 12/09/1910. Casarão localizado na Avenida Júlio de Castilhos, entre Dr. Montaruy e Visconde de Pelotas.<!-- NICAID(10551926) -->
Antigo postal enviado por Rodolfo Braghirolli ao amigo Vicente Argenta mostra a fachada da alfaiataria, na Avenida Júlio, em 1910Foto: Casrtão-postal,acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami / divulgação
Comunicado familiar no jornal ¿O Brazil¿ de 1922.<!-- NICAID(14544640) -->
Comunicado familiar no jornal “O Brazil” de 1922Foto: Jornal O Brazil / Reprodução

Fontes

Parte das informações desta coluna foi reproduzida de um perfil de dona Dyna Braghirolli, publicado pelo Pioneiro em 13 de junho de 1987. Foi às vésperas de dona Dyna, então com 87 anos, receber o Troféu Caxias. Falecida em 1993, Dyna Braghirolli foi uma das mais importantes professoras de música de Caxias e terá sua história em breve detalhada neste espaço. Você foi aluno ou aluna de Dyna? Tem alguma recordação ou foto antiga de alguma apresentação? Envie para o e-mail rodrigolopes33@gmail.com.

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Na imprensa

Na reprodução abaixo, o agradecimento e o convite para a missa de falecimento de Rodolfo Braghirolli, publicado no jornal "O Momento" em 15 de fevereiro de 1942.

Foto: Jornal O Momento / Reprodução


 
 
 

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