Bandeira vermelha: entenda a classificação e confira o que pensam os prefeitos da região de Caxias - Geral - Pioneiro

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Distanciamento Controlado03/07/2020 | 22h08Atualizada em 03/07/2020 | 22h10

Bandeira vermelha: entenda a classificação e confira o que pensam os prefeitos da região de Caxias

Os chefes do Executivo tem até domingo para apresentar seus contrapontos ao governo do Estado

Bandeira vermelha: entenda a classificação e confira o que pensam os prefeitos da região de Caxias Marcelo Casagrande/Agencia RBS
Caso a mudança se confirme, estabelecimentos varejistas classificados como não essenciais estarão proibidos de realizar atendimento ao público Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

Na quinta-feira (2 de julho)  o governador do Estado, Eduardo Leite (PSDB) havia publicado um vídeo nas redes sociais defendendo medidas mais rígidas de distanciamento social porque, segundo ele, o inverno "é o período em que pode ser o mais duro no combate à pandemia no Rio Grande do Sul".

— Os próximos 15 dias vão ser cruciais. O apelo não é só meu, mas de todos os que pensam e agem com racionalidade. Nos próximos 15 dias fique em casa, respeite os protocolos e faça a sua parte — sentenciou o governador, demonstrando preocupação com o avanço da covid-19 em todo o Estado.

A narrativa de Leite já era vista, nos bastidores das prefeituras da macrorregião da Serra, como um indicativo de que a classificação no Modelo de Distanciamento Controlado seria novamente de bandeira vermelha. Dito e feito, por volta das 18h de sexta-feira (3), em comunicado, foi confirmado temor das administrações municipais. As prefeituras têm até domingo para apresentar justificativas para que a região não seja enquadrada nas restrições maiores previstas na bandeira vermelha, já que na segunda-feira (6) serão anunciadas as medidas definitivas, que passam a valer a partir de terça (7).

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Acompanhe os casos confirmados na Serra 

Conforme avaliação do Estado, Caxias do Sul, que é a cidade referência da região, seria classificada em alguns índices como bandeira preta. São eles: hospitalizações confirmadas para covid-19 em relação à população e projeção de óbitos em relação à população, que mantiveram situações de maior risco. Conforme o documento, o primeiro indicador aumentou 9% entre as duas semanas, passando de 76 para 83. Apesar de o avanço da doença ter reduzido na velocidade, o número de pessoas internadas por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em UTI aumentou de 62 para 78. Além disso, os internados em leitos clínicos passaram de 57 para 59, e os internados em leitos de UTI covid-19 agora são 59, contra 40 da última semana.

O texto emitido pelo governo do Estado, com detalhamento da situação de Caxias, termina com outro índice que classificaria a cidade sob a égide da bandeira preta. O trecho da nota diz: "o indicador de leitos de UTI livres dividido pelo de leitos de UTI ocupados por pacientes covid-19, mensurado para a macrorregião, atingiu situação de bandeira preta (com 1,42 leitos de UTI adulto livre para cada leito de UTI adulto ocupado por covid-19 na região). Ou seja, configura-se um aumento na ocupação de leitos de UTI por pacientes com coronavírus.

Avanço dos casos em Caxias
Na última semana, segundo boletim epidemiológico da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), Caxias registou uma média diária de 70 casos positivados de coronavírus. Desde a última segunda-feira (29 de junho), quando os prefeitos conseguiram reverter a bandeira vermelha, ocorreram sete óbitos em cinco dias. Quanto à ocupação dos leitos de UTI, apenas em Caxias, dos 152 disponíveis, 99 estão ocupados, sendo 27 com pacientes covid-19, o que significa 63,46% de ocupação.

Metade das regiões fica em vermelho no mapa preliminar da 9ª rodada do Distanciamento Controlado.<!-- NICAID(14537808) -->
Metade do estado está classificado com a bandeira vermelhaFoto: Comitê de dados (SES) / SEPLAG

Bandeira vermelha na prática
A bandeira vermelha estendida para Caxias e região se deve pela percepção de que o risco de contágio do coronavírus é considerado alto. É por isso que, dentre as medidas de prevenção à propagação, está a indicação de fechamento de todo o comércio que não seja classificado como essencial. O protocolo orienta ainda que os estabelecimentos essenciais só poderão abrir com 50% dos trabalhadores.

Caso a mudança se confirme, estabelecimentos varejistas classificados como não essenciais estarão proibidos de realizar atendimento ao público. Nestes segmentos, o comércio poderá atuar com 25% dos trabalhadores para atendimento exclusivo por meio de telentrega, após reivindicações das entidades setoriais, entre elas a CDL Caxias.

Pela primeira vez desde a adoção do Modelo de Distanciamento Controlado nenhuma região ficou com a bandeira amarela. Dos 20 territórios, 10 estão sob bandeira vermelha, o que representa 73% da população gaúcha. Além da região de Caxias, Taquara, Palmeira das Missões, Pelotas, Erechim, Porto Alegre, Passo Fundo, Canoas, Capão da Canoa e Novo Hamburgo também estão com restrições mais duras. A única melhora foi em Santo Ângelo, que regrediu para bandeira laranja.

REPERCUSSÕES ENTRE OS PREFEITOS DA REGIÃO

"A gente não conseguiu entender essa posição do governo de passar a nossa região para a bandeira vermelha, pois nós estamos desde o início do processo com bandeira amarela. Hoje não temos nenhum leito de UTI ocupado e nenhuma internação na nossa referência, que é Taquara. Aí fomos surpreendidos, direto da bandeira amarela para a vermelha. Nós vamos fazer o recurso, os prefeitos já estão se reunindo para ponderar os números que os municípios têm e esperamos que o Estado reveja e reverta esse posicionamento".
Schamberlaen José Silvestre, prefeito de Cambará do Sul.

Flávio Cassina , prefeito , reunião, governador, Eduardo Leite, Caxias do Sul<!-- NICAID(14478682) -->
Flávio Cassina, prefeito de Caxias do SulFoto: Fabiana de Lucena / Divulgação

"A preocupação é grande e não temos outra alternativa a não ser recorrer novamente para continuarmos trabalhando de forma regular, principalmente o comércio e os serviços. Vamos, via Amesne, mostrar de maneira clara e enfática a capacidade da região de enfrentamento da pandemia pelos esforços que estão sendo desprendidos. Temos ainda uma boa capacidade de absorção de situação adversa que pode ocorrer. Isto deve ser considerado pelo governo do Estado".
Flávio Cassina, prefeito de Caxias do Sul

O Prefeito Municipal de Cotiporã, José Carlos Breda, foi eleito na última sexta-feira, dia 17 de abril, como Presidente da AMESNE ¿ Associação dos Municípios da Encosta Superior do Nordeste. Breda estará à frente da entidade na gestão 2020/2021, assumindo a função no lugar do Prefeito de Bento Gonçalves, Guilherme Pasin.<!-- NICAID(14481990) -->
José Carlos Breda, prefeito de Cotiporã e presidente da Associação dos Municípios da Encosta Superior do Nordeste (Amesne)Foto: Assessoria de imprensa da Amesne / Divulgação

"Vamos recorrer porque vamos demonstrar ao governo que a Serra tem condições de se manter na bandeira laranja pela estabilização da capacidade de atendimento. Não mudou nesse período, gira em torno de 64%, 65% de leitos ocupados. Houve aumento na capacidade de atendimento. Porque senão, todo esse esforço que a Serra vem fazendo não tem valido nada".
José Carlos Breda, prefeito de Cotiporã e presidente da Associação dos Municípios da Encosta Superior do Nordeste (Amesne).

Leia, a seguir, as restrições por conta da bandeira vermelha:

O risco é considerado alto e a região está em um de dois cenários: média propagação do vírus e baixa capacidade do sistema de saúde; ou média/alta capacidade do sistema de saúde, porém alta propagação do vírus. Confira as regras:

Administração Pública
:: Serviços não essenciais podem atuar com 25% de  trabalhadores;
:: Serviços de habilitação de condutores podem atuar com 50% de trabalhadores;

Agropecuária
:: Agricultura, pecuária e relacionados com 50% de trabalhadores
:: Pesca e aqüicultura com 25% de trabalhadores

Alimentação
:: Restaurantes self-service não podem abrir;
:: Restaurantes a la carte, prato feito e buffet sem autosserviço só podem atender clientes em sistema de telentrega, drive-thru e pegue e leve. A operação deve acontecer com 50% de trabalhadores;
:: Lanchonetes e padarias só podem atender clientes em sistema de telentrega, drive-thru e pegue e leve. A operação deve acontecer com 50% de trabalhadores.

Alojamento
:: Hotéis e similares com 40% dos quartos
:: Hotéis e similares (beira de estradas e rodovias) com 75% dos quartos

Comércio que não pode abrir:
:: Varejista de itens não essenciais

Comércio que pode abrir com 25% dos trabalhadores:
:: Comércio de Veículo, apenas teleatendimento;
:: Serviços de higiene pessoal (cabeleireiro e barbeiro)
:: Manutenção e Reparação de Veículos, teleatendimento e presencial restrito;
:: Atacadista não essencial, apenas por telentrega, pegue e leve e drive-thru;
:: Centro comercial e shopping, mas apenas lojas de alimentação, higiene e itens essenciais. Recomendada a medição de temperatura

Comércio que pode abrir com 50% dos trabalhadores:
:: Comércio Varejista de Produtos Alimentícios
:: Comércio Atacadista de Itens Essenciais
:: Comércio Varejista de Itens Essenciais
:: Postos de gasolina, mas é vedada aglomeração

Educação
:: Todas as modalidades de ensino devem ser remotas, o que inclui aulas particulares de idiomas, de música, de esportes, de dança e artes cênicas, de arte e cultura.
:: São autorizadas apenas as atividades práticas essenciais para conclusão de curso: pesquisa, estágio curricular obrigatório, laboratórios e plantão dos ensinos Médio e Superior. Devem operar com 25% dos trabalhadores e monitoramento de temperatura.

Indústria que pode abrir com 75% dos trabalhadores
:: Construção de Edifícios;
:: Obras de Infraestrutura;
:: Serviços de Construção;
:: Extração de Carvão Mineral;
:: Extração de Petróleo e Gás, com monitoramento de temperatura;
:: Alimentos e Bebidas
:: Farmoquímicos e Farmacêuticos, com monitoramento de temperatura
:: Metalurgia
:: Fumo
:: Têxteis
:: Vestuário
:: Couros e calçados
:: Madeira
:: Papel e celulose
:: Impressão e Reprodução
:: Derivados do petróleo
:: Químicos
:: Borracha e Plástico
:: Minerais não metálicos
:: Produtos de Metal
:: Equipamentos Informática
:: Materiais Elétricos
:: Máquinas e Equipamentos
: Veículos Automotores
:: Móveis
:: Produtos Diversos
:: Manutenção e Reparação 

Indústria que pode abrir com 100% dos trabalhadores:
:: Farmoquímicos e farmacêuticos  

Serviços que não podem abrir:
:: Casas noturnas, bares e pubs
:: Missas e serviços religiosos
:: Serviços Domésticos
:: Parques Temáticos e similares
:: Teatros, cinemas e casas de espetáculos
:: Museus, bibiliotecas, arquivos, acervos e similares
:: Ateliês
:: MTG e similares
:: Eventos em ambiente fechado ou aberto
:: Agência de turismo, passeios e excursões

Serviços que podem abrir com 100% dos trabalhadores
:: Funerária
:: Pesquisa científica e laboratórios (pandemia)

Serviços que podem abrir com 50% dos trabalhadores
:: Bancos, lotéricas e similares
:: Assistência Veterinária
:: Parques e reservas naturais, jardins botânicos e zoológicos = Sem atendimento ao público
:: Advocacia
:: Call-center

Serviços que podem abrir com 25% dos trabalhadores
:: Imobiliárias e similares, apenas por teleatendimento
:: Reparação e manutenção de objetos e equipamentos
:: Lavanderias e similares
:: Serviços de contabilidade, auditoria, consultoria, engenharia, arquitetura e publicidade, apenas por teleatendimento

Transporte que pode operar com 100% dos trabalhadores
:: Transporte rodoviário de carga
:: Estacionamentos

Transporte que pode operar com 50% dos assentos (janela)
:: Coletivo de passageiro municipal e metropolitano do tipo comum
:: Rodoviário fretado de passageiros
:: Rodoviário de passageiros municipal do tipo comum
:: Rodoviário de passageiros intermunicipal do tipo comum
:: Rodoviário de passageiros metropolitano ou intermunicipal do tipo semidireto, direto, executivo ou seletivo, com monitoramento de temperatura
:: Rodoviário de passageiros interestadual. com monitoramento de temperatura

Transporte que pode operar com 50% dos trabalhadores
:: Correios

Transporte que pode operar com 25% dos trabalhadores
:: Aeroclubes e aeródromos

Todas as regiões, seja qual for a bandeira na qual está classificada, devem seguir todos os protocolos de prevenção, que incluem uso de máscara, distanciamento entre as pessoas, higienização dos ambientes e das mãos, uso de equipamento de proteção individual (EPI), afastamento de casos positivos ou suspeitos, teto de ocupação e atendimento diferenciado para grupos de risco.

Fonte: Distanciamento Social Controlado, do Governo do Estado do Rio Grande do Sul

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