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Memória06/07/2020 | 14h08Atualizada em 07/07/2020 | 21h41

A antiga sede dos Bombeiros em São Pelegrino

Guarnição improvisada ficava na parte inferior da Delegacia de Polícia, anexo do Colégio São Carlos, na Sinimbu

A antiga sede dos Bombeiros em São Pelegrino Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami/Divulgação
Em 1958: o comandante Frederico Bergmann (à esquerda) com os bombeiros e os clássicos modelos Ford na Rua Sinimbu, próximo à Coronel Flores, onde ficava a antiga sede Foto: Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami / Divulgação

Não há morador mais antigo do bairro São Pelegrino que não recorde de dois locais emblemáticos da esquina das ruas Sinimbu e Coronel Flores: o campinho e a quadra de esportes (atual Edifício Aplub) e a Delegacia de Polícia (prédio anexo do Colégio São Carlos), com a guarnição improvisada dos bombeiros instalada na parte inferior.

A precariedade daqueles tempos, final dos anos 1940 e início dos 1950, foi abordada pelo jornalista Duminiense Paranhos Antunes no livro Documentário Histórico do Município de Caxias do Sul (1875-1950), lançado há 70 anos.

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“Acha-se o Corpo de Bombeiros instalado no porão onde fica a Delegacia de Polícia, um lugar impróprio, com alojamentos sem nenhum conforto para seus homens, conforme nos confessou seu diretor, senhor Francisco Bergmann. Até bem pouco tempo, o Corpo de Bombeiros contava apenas com dois carros, vindo finalmente, em 1948, a ser equipado com um novo e moderno carro-tanque, de maior proporção”.

Esse período também foi recordado na antiga página “Memória”, publicada pelo Pioneiro em 30 de junho de 1984, a partir das pesquisas do historiador Juventino Dal Bó e da equipe do então Museu e Arquivo Histórico Municipal. 

“Na década de 1940, o quartel do Corpo de Bombeiros foi instalado em condições precárias na Rua Coronel Flores. Lembra o sargento Luís Carlos Duarte, bombeiro há 22 anos, que não havia nem “rancho”. O bombeiro trazia sua marmita de casa, não havia combustível (querosene) para acender o fogareiro, verbas escassas, tinham que retirar gasolina dos carros para acendê-los, com risco de incêndio no próprio Corpo de Bombeiros”. 

Em 1964, o Corpo de Bombeiros deixou de pertencer à municipalidade, sendo encampado pelo Estado. Após um breve tempo funcionando junto ao prédio do antigo Samae, desde 1975 têm sua base central na Rua 20 de Setembro, esquina com a Moreira César.

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A história da Ferragem Caxiense, na Rua Sinimbu, em frente ao Eberle, ficou marcada pelo famoso incêndio de 23 de novembro de 1952. Decorrente de uma explosão, o sinistro consumiu parte do prédio de alvenaria, um casarão de dois pavimentos em madeira ao lado, onde funcionava o curso de desenho da metalúrgica, e a antiga Casa Minghelli, estabelecimento comercial situado na esquina com a Marquês do Herval.<!-- NICAID(13904207) -->
O incêndio da Casa Minghelli, na esquina da Sinimbu com a Marquês do Herval, em 23 de novembro de 1952Foto: Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami / divulgação

Fogões à lenha e barracões precários

Outro relato da página Memória de 1984 destacava as causas dos princípios de incêndio de antigamente:

“Os bombeiros, com longa experiência, afirmam que antigamente ocorriam mais incêndios: casas de madeira com dois pisos, uso frequente do fogão à lenha, chaminés mal colocadas, hábito de acender o fogo com querosene, curto circuito e, principalmente, a insuficiência das instalações industriais: barracões precários, porões acanhados, indústrias clandestinas... O sargento Duarte comenta que ainda hoje a população confunde as atribuições do Corpo de Bombeiros, solicitando seus serviços para ocorrências as mais estranhas possíveis: “Particulares chegam a solicitar o transporte de água para construções”. Provavelmente, esta atitude seja reflexo de anos anteriores, quando o Corpo de Bombeiros fazia tudo: desde socorro a indigentes, recolhimento de animais, gado solto, abastecimento de água, até serviço de detenção, que chegou a ser oficializado de 1935 a 1938, através de arranjo com a Polícia feito pelo tenente Antunes”.

Incêndio na firma Guerino Sanvitto & Cia em 17 de janeiro de 1952, na esquina das Ruas Marechal Floriano e Os Dezoito do Forte. No local funciona, além da ferragem, a Malharia Jane. Na foto, mercadorias salvas pelos bombeiros empilhadas na Rua Os Dezoito do Forte.<!-- NICAID(14094541) -->
O combate às chamas na firma de Guerino Sanvitto, na esquina da Dezoito com a Mal. Floriano, em 17 de janeiro de 1952 Foto: Studio Geremia / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami,divulgação

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A equipe

Na imagem que abre esta coluna, os bombeiros próximos à antiga sede, na Rua Sinimbu quase esquina com a Coronel Flores (ao fundo), por volta de 1958. O prédio à direita abrigava, no piso superior, a Congregação das Irmãs Carlistas (Colégio São Carlos). No térreo, o alojamento da Brigada Militar e dos bombeiros. 

A partir da esquerda vê-se o então comandante Frederico Bergmann, o sargento Oscar de Azevedo, Nei Andrade, Artur Mello, Joecy da Silva, Candido Abreu e João Maria Machado, entre outros não identificados. Os veículos Ford 1946/1948 eram modelos auto-bomba-tanque.

Informações repassadas ao Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami por Luiz Carlos Duarte, do setor administrativo da Brigada, em 24 de agosto de 2010.

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