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436 pessoas20/06/2020 | 14h10Atualizada em 20/06/2020 | 14h11

Quase um terço dos funcionários de frigorífico de Caxias foram expostos ao coronavírus, apontam testes

A maioria, contudo, já havia desenvolvido anticorpos

Quase um terço dos funcionários de frigorífico de Caxias foram expostos ao coronavírus, apontam testes Porthus Junior/Agencia RBS
Foto: Porthus Junior / Agencia RBS

A testagem em massa realizada no frigorífico da JBS no bairro Ana Rech, em Caxias do Sul, apontou que 436, dos 1,5 mil funcionários tiveram contato com o coronavírus. O balanço foi divulgado nesta sexta-feira (19) pelo Ministério Público do Trabalho (MPT). Apesar do número representar quase um terço do quadro, a maioria já havia desenvolvido anticorpos contra a doença.

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Os exames começaram a ser aplicados no último dia 10, após a empresa conseguir na Justiça a cassação da liminar que havia determinado a interdição da unidade. Todos os funcionários realizaram testes rápidos e 80 passaram também pelo chamado teste RT-PCR, que consiste na coleta de material da garganta do paciente e passa por análise laboratorial.

A aplicação dos testes ficou a cargo da Universidade de Caxias do Sul (UCS), contratada pela JBS. Segundo o diretor da Área de Ciências da Vida da instituição, Asdrubal Falavigna, o teste rápido pode apontar dois tipos de anticorpos, em caso de exposição ao coronavírus: o IGG, indica que a pessoa está imunizada, enquanto o IGM é uma situação intermediária, podendo apontar um processo de evolução ao IGG ou uma fase de transmissão da doença. Por conta disso, todos os que apresentavam anticorpos IGM passaram também pelo teste RT-PCR, que permite identificar a presença do vírus.

— O IGG teve vários, mas isso é uma condição positiva, o resultado que todo mundo quer. É como se a pessoa tivesse sido vacinada — revela.

O número apresentado pelo MPF é muito superior ao do boletim mais recente da prefeitura de Caxias do Sul, divulgado nesta sexta. Segundo o município, o frigorífico teve 91 casos confirmados. A explicação do secretário da Saúde, Jorge Olavo Hahn Castro, é que o município não contabiliza os resultados dos testes rápidos nesses casos. Apesar disso, ele afirma que ainda há casos referentes ao frigorífico que não entraram na contagem, por isso, o número pode aumentar.

— Para nós, os confirmados são os do RT-PCR, que é o que detecta o vírus, isso é uma orientação da Secretaria Estadual da Saúde (SES). Para questões de saúde pública, a pessoa que já teve os sintomas há 20 dias não faz diferença. Nesses casos tem que ver os contatos — justifica.

Apesar da explicação do secretário, o Estado tem aceitado resultados de testes rápidos de municípios desde o dia 5 de maio. Caxias tem aplicado testes do tipo em pacientes sintomáticos em todas as unidades de saúde. A verificação, contudo, ocorre somente após o período da quarentena e nem todos os resultados positivos entram na estatística oficial.

— Nós avaliamos caso a caso, de acordo com os sintomas apresentados (se foram mais severos) — afirma Castro.

Casos dobraram em uma semana

Ainda que nem todos os resultados sejam contabilizados, o número de casos em Caxias do Sul quase dobrou em uma semana: foram de 342 para 608, conforme os números oficiais da Secretaria Municipal da Saúde. Apesar disso, o secretário considera a doença sob controle porque a ocupação de leitos de UTI e as mortes, crescem em ritmo menor.

— Estamos na fase ascendente e o crescimento é exponencial, é sempre o dobro. Isso é esperado e faz parte da pandemia. O que temos que fazer é controlar esse crescimento — explica.

Com relação ao frigorífico da JBS de Ana Rech, Castro afirma que a fiscalização foi intensificada e não se descarta a necessidade de mais testes no futuro. Além da empresa, o secretário afirma que outros dois surtos foram registrados em Caxias. Um deles foi em um asilo, com pelo menos três idosos infectados, enquanto o outro foi em um hospital, no qual ele não soube informar a quantidade de contaminados. De acordo com Castro contudo, os surtos já foram controlados.

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