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Esperança15/06/2020 | 21h04Atualizada em 15/06/2020 | 21h04

Primeiro paciente a receber plasma convalescente no Rio Grande do Sul deixa a UTI

Tarcísio Giongo saiu do tratamento intensivo após 45 dias internado

Primeiro paciente a receber plasma convalescente no Rio Grande do Sul deixa a UTI Porthus Junior/Agencia RBS
Tarcísio Giongo (C) encontrou pela primeira vez com Fábio Klamt (E), que o doou o plasma convalescente para ajudar na recuperação contra a covid-19 Foto: Porthus Junior / Agencia RBS

Uma vitória que vai muito além do que simplesmente derrotar a covid-19. Tarcísio Giongo, de 63 anos, deixou a unidade de terapia intensiva (UTI) do Hospital Virvi Ramos, na tarde desta segunda-feira (15), com uma recepção de herói na saída da ala especial para contaminados com o coronavírus. O morador de Garibaldi é o primeiro paciente que realizou o experimento da transfusão de plasma convalescente para combater a doença e seus efeitos.

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Do lado de fora da UTI, onde Giongo passou os últimos 45 dias, aguardavam ansiosos pela sua saída a esposa Neusa e os filhos Anderson e Andressa. O primeiro momento de emoção da tarde se deu na chegada do professor e historiador Fábio Klamt.

Aos 44 anos, o professor venceu a covid-19, saiu de Porto Alegre e subiu a Serra para realizar a doação do plasma convalescente no Hemocentro de Caxias do Sul (Hemocs). Até às 17h desta segunda, nunca tinha visto pessoalmente a família Giongo. No entanto, no primeiro contato, o cumprimento com os cotovelos não escondeu o sentimento de gratidão que os familiares de Tarcísio sentiam.

— Queria poder dar um grande abraço em vocês — disse Klamt, que teve de Anderson a resposta mais sincera de agradecimento:

— O que tu fez vale mais que o abraço.

 CAXIAS DO SUL, RS, BRASIL, 15/06/2020. Paciente que recebeu plasma em tratamento experimental saindo da UTI do Hospital Virvi Ramos. Tarcísio Giongo deverá saiu da unidade intensiva após passar por coma induzido e respirar com ajuda de aparelhos. Na saídal, além do familiares de Tarcísio, também aguarava o  doador do plasma que foi compatível, o pesquisador Fábio Klamt. (Porthus Junior/Agência RBS)Indexador:                                 <!-- NICAID(14522763) -->
Anderson Giongo (E) e Fábio Klamt se encontraram pela primeira vezFoto: Porthus Junior / Agencia RBS

Entre uma conversa e outra, se ouviu o som da sineta vinda do corredor da UTI - e badalada por uma profissional da saúde. Era Tarcísio vindo. Ainda fragilizado pelo longo tempo hospitalizado, carregava um cartaz avisando que "eu venci a covid-19" e recebia os aplausos dos funcionários do hospital que o acompanharam por tanto tempo.

O professor, ao ver o resultado de sua ação de generosidade, não conteve a emoção. Tarcísio, mesmo com o ar cansado de quem enfrentou uma longa batalha, pegou ele mesmo a sineta e  a tocou. Mais uma vitória consolidada para o homem que pode ser inspiração para tantas pessoas que ainda lutam contra a covid-19.

Satisfação completa

O encontro entre doador e receptor foi rápido. Porém, a ligação entre Giongo e Klamt é maior do que qualquer palavra dita.

— Ele é um exemplo. Estava em um estado muito grave e há muito tempo na UTI. E a recuperação é fantástica. Todo mundo viu ele tocando a sineta para sair. É complicado segurar a emoção — afirmou  o professor, que já veio três vezes para Caxias realizar a doação do plasma convalescente após se recuperar da covid.

— É o mínimo que a gente pode fazer. Quem é que não está sensibilizado com a situação que estamos? E agora temos essa esperança. No meio de tanta notícia ruim, temos que nos agarrar nas boas. Que essa recuperação sirva de exemplo no Estado para realmente implementar e a gente possa mitigar os efeitos dessa doença maldita — torce ele.

Além da satisfação de quem doou, o entusiasmo também tomou  conta de quem acompanhou todo o processo de Tarcísio e conseguiu ver o paciente dar mais um passo na recuperação. 

— Gerou uma expectativa maior e agora dá mais ânimo para todo mundo trabalhar sabendo que estamos fazendo algo diferente por um paciente. A alta dele da UTI só reforça mais o trabalho de toda a equipe — comemora a médica intensivista Eveline Maciel Correa Gremelmaier, relembrando dos momentos difíceis durante os últimos 45 dias até a alegria da saída:

— O período em que tivemos ele sedado, precisando de altos parâmetros respiratórios, conversar com a família todos os dias e dizer que ainda era muito grave mas que tentaríamos fazer o nosso melhor. E agora ver a alegria da família vendo ele sair daqui é muito gratificante.

 CAXIAS DO SUL, RS, BRASIL, 15/06/2020. Paciente que recebeu plasma em tratamento experimental saindo da UTI do Hospital Virvi Ramos. Tarcísio Giongo deverá saiu da unidade intensiva após passar por coma induzido e respirar com ajuda de aparelhos. Na saídal, além do familiares de Tarcísio, também aguarava o  doador do plasma que foi compatível, o pesquisador Fábio Klamt. (Porthus Junior/Agência RBS)Indexador:                                 <!-- NICAID(14522768) -->
Médica intensivista, Eveline diz que recuperação de Giongo motiva equipe na luta contra a covid-19Foto: Porthus Junior / Agencia RBS

Para que Giongo volte para casa ainda será preciso mais um tempo. A reabilitação envolverá uma equipe multidisciplinar, ainda maior do que a que já trabalhava na UTI. Por conta da longa estadia entubado e no tratamento intensivo, ele precisará de uma atenção maior da fisioterapia, para recuperar a força muscular, e da fonoaudiologia, para que retorne a se alimentar por via oral.

A transfusão de plasma convalescente não é a cura definitiva para a covid-19, mas é um grande passo para auxiliar na recuperação de tantas pessoas hospitalizadas.  Homens de 18 a 60 anos que estão recuperados da doença, podem fazer a doação para que mais gente tenha a chance de viver a emoção que a família Giongo e Klamt viveram nesta segunda-feira.

— Eu pediria que, a partir de agora, mais pessoas pudessem doar. Vamos precisar de mais doadores. E se essas pessoas têm a possibilidade de fazer a doação, que liguem para o Hemocs para fazer o cadastro e, na medida que for preciso, conseguirmos ajudar mais pessoas — concluiu Eveline.

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