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Pandemia22/06/2020 | 16h39Atualizada em 22/06/2020 | 19h52

Hospitais da Serra estão com cirurgias eletivas suspensas por falta de fornecimento de insumos

Em contato com fabricantes e diversas instâncias da Saúde, hospitais lidam com baixos estoques de sedativos necessários para intubação em UTIs

Hospitais da Serra estão com cirurgias eletivas suspensas por falta de fornecimento de insumos André Ávila/Agencia RBS
Foto: André Ávila / Agencia RBS

A falta de insumos para a produção de sedativos no mercado brasileiro, gerada pelo aumento da demanda durante a pandemia, tem dificultado a compra destes medicamentos por parte de hospitais de todo o país, incluindo unidades de referência da Serra gaúcha. Há pouco mais de duas semanas, o Hospital Geral (HG) de Caxias do Sul está vendo seus estoques baixarem consideravelmente enquanto tenta buscar alternativas junto aos laboratórios e às instâncias de Saúde.

De acordo com o diretor técnico do HG, o médico Alexandre Avino, em cumprimento à orientação municipal, todas as cirurgias eletivas estão suspensas até que seja retomado o fornecimento das drogas, necessárias para Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), em procedimentos como a intubação e manutenção de pacientes sob ventilação mecânica.

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Segundo Avino, a queda nos estoques de hipnóticos, analgésicos e bloqueadores neuromusculares impede a retomada dos procedimentos que estavam, aos poucos, voltando a ser realizados, mesmo durante a pandemia. Em Caxias do Sul, a orientação se deu por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), para que o medicamento não faltasse aos pacientes de urgência e emergência.

— Já viemos de uma redução em função da priorização de leitos para covid-19, assim como para diminuir a circulação de pacientes. Mas a demanda continua ocorrendo, e ela é cada vez maior — comenta o diretor, destacando que trata-se de uma situação nacional, que foge do controle dos hospitais.

O diretor garante que nenhum procedimento de urgência ou emergência está deixando de ser realizado, mas afirmou que o hospital está racionando os medicamentos sedativos e, em alguns casos, usando de alternativas, segundo ele previstas em protocolos médicos.

A situação se agrava no caso de pacientes oncológicos, que demandam cirurgias, nem sempre consideradas urgentes, mas que precisariam ser realizadas dentro da janela de tratamento.

— Recebemos diariamente a solicitação dos médicos, tanto do setor de oncologia quanto de outros. Mas, infelizmente, nestas circunstâncias, não temos como atender. Os pacientes que já têm laudos emitidos e que aguardam procedimentos estão sendo informados de que retomaremos com a maior rapidez possível, assim que tivermos os estoques regularizados — completou Avino.

Um retorno ainda sem previsão

Além do contato direto com laboratórios fornecedores — uma vez que distribuidores não têm mais estoques — os hospitais também aguardam um retorno por meio da Secretaria Estadual da Saúde (SES), que ao lado de outros estados, conta com uma distribuição nacional, e também se mobiliza para buscar alternativas de compra.

O Ministério da Saúde informou ainda na quarta-feira (18) que iria intermediar junto à Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) uma compra emergencial desses produtos no mercado internacional.

De acordo com a titular da 5ª Coordenadoria Regional de Saúde (5ª CRS), Tatiane Misturini Fiorio, hospitais da região começaram a relatar que estavam com dificuldades na aquisição dos medicamentos ainda no final de maio. Desde então, a coordenadoria orienta que as solicitações sejam diretamente reportadas ao departamento de alta complexidade da SES, em Porto Alegre, que centraliza as demandas de todo Rio Grande do Sul.

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS), além de orientar hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS) e alertar os da rede privada, coletou ofícios para repassar ao Estado. Consultados pela reportagem os hospitais Pompéia e Virvi Ramos, por enquanto, ainda possuem estoques – o Pompéia, por exemplo, garante sedativos por 60 dias. 

Conforme o diretor-geral da SMS,  Mário Taddeucci, os medicamentos em defasagem são sedativos, mas começam a faltar outras drogas, como heparina, anticoagulante usado no tratamento de pacientes com covid-19. Mesmo com a situação ainda sob controle, um possível desabastecimento de medicamentos usados em pacientes com covid-19 e outras condições que necessitam ventilação mecânica, preocupa. 

Ainda no dia 9 de junho, o Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) emitiu uma nota solicitando às autoridades sanitárias de nível estadual e nacional, que buscassem a regularização do fornecimento. A entidade também monitora hospitais públicos e privados da região.

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