"Guerreira é a palavra que define minha mãe", diz filho de mulher que morreu de covid-19 em Caxias - Geral - Pioneiro

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Pandemia23/06/2020 | 20h00Atualizada em 23/06/2020 | 20h00

"Guerreira é a palavra que define minha mãe", diz filho de mulher que morreu de covid-19 em Caxias

Ela é a 12ª moradora da cidade que perdeu a vida na pandemia

"Guerreira é a palavra que define minha mãe", diz filho de mulher que morreu de covid-19 em Caxias arquivo pessoal/divulgação
Foto: arquivo pessoal / divulgação

A dona Maria de Fátima Henrique de Góes tinha 66 anos e lutou por mais de um mês contra esse vírus que assola o mundo. No entanto, ela não conseguiu resistir à batalha inglória e acabou falecendo na madrugada desta terça-feira. A hipertensão e a pneumonia, causada pela covid-19, acabaram agravando demais o seu caso. Ela é a 12ª vítima que Caxias do Sul contabiliza em mais de 100 dias de pandemia.

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Nascida em Bom Jesus, Maria se casou com Adolfo Ribeiro e ganhou o mundo para tentar ganhar a vida. O casal morou no Paraguai por um tempo e regressou ao Brasil em 2001, chegando a Caxias do Sul. Mãe de quatro filhos, ela havia se recuperado de um quadro depressivo há pouco mais de três anos e, mesmo sem precisar, exercia duas profissões: cozinheira de um restaurante e costureira. Dona Maria fazia roupas, consertava outras e, com a pandemia, estava produzindo máscaras. Ela vendia a preço de custo, pois sabia que o momento exigia mais solidariedade de todos. Ser útil para a comunidade trazia uma sensação diferente para ela, um exemplo para a família.

— Mãezona. Guerreira. Eu sou o quarto filho dela, o mais novo. Ela era uma pessoa muito forte. Trabalhou a vida toda em condições bem complicadas e fez uma mudança muito grande de uns anos para cá, porque ela sempre sofreu de depressão. Só que ela vinha se sentindo mais viva. Acredito que guerreira é a palavra que define minha mãe. Pessoa de personalidade forte, 100% correta, sempre querendo passar os melhores exemplos pra família. A minha mãe é o meu exemplo — conta Clau de Góes Ribeiro.

O vírus entrou na família há 35 dias, quando os primeiros sintomas de uma gripe apareceram para dona Maria. Com o agravamento desses sintomas, ela procurou atendimento na UPA Central, já com falta de ar. O médico passou uma medicação para a covid-19 e a mandou para casa. 

Como mora em Santa Catarina, Clau tem na última mensagem da mãe sua fala preocupada por não ser hospitalizada e estar com muita falta de ar. Ela era do grupo de risco e os sintomas só se agravaram. Três dias depois do atendimento, ela precisou ser levada às pressas para o Hospital Geral, onde já foi intubada. Poucos dias depois, o seu Adolfo, marido de Maria, também teve diagnóstico para o coronavírus e acabou internado. Ele passou pela UTI e conseguiu se recuperar.

— Meu pai saiu do hospital no sábado. Ele passou 10 dias na UTI, e depois foi para a recuperação. É bem triste ver o que faz essa doença. Meu pai tem 68 anos, mas porte atlético. Agora está com 60kg e precisa de ajuda para caminhar — relata Clau.

Na esperança de ver os pais recuperados, a família chegou a tirar uma foto com o pai em casa, na segunda-feira. Uma forma de agradecer a todos os amigos que estavam torcendo pelo casal se recuperar e na expectativa pelo retorno da mãe. Infelizmente, esse reencontro não foi possível.

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