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Decreto permanece16/06/2020 | 17h35Atualizada em 16/06/2020 | 17h50

Governo do Estado mantém regramento da bandeira vermelha para a região da Serra

Segundo governador Eduardo Leite, não foram apresentados dados suficientes para que se alterasse a classificação

Governo do Estado mantém regramento da bandeira vermelha para a região da Serra Reprodução / Facebook / Governo do RS/Facebook / Governo do RS
Foto: Reprodução / Facebook / Governo do RS / Facebook / Governo do RS

Após avaliação junto ao gabinete de crise iniciada ainda na noite de segunda-feira (15), o governo do Estado, representado por Eduardo Leite, determinou que os 49 municípios da região covid de Caxias do Sul permanecerão classificados como bandeira vermelha, pelo menos até a próxima segunda-feira (22).

A decisão anunciada em uma transmissão ao vivo na tarde desta terça-feira (16) contraria a vontade de diversos prefeitos da região, que, após o anúncio da troca no final de semana, solicitaram uma reavaliação por parte do Estado. Uma reunião de representantes locais com o governador foi realizada no final da tarde de segunda-feira (15) e, desde então, aguardava-se a decisão perante a solicitação.

No pronunciamento desta tarde, o governador também anunciou um ajuste no modelo que visa proporcionar tempo de contestação aos municípios e reavaliação por parte do gabinete de crise. A troca de bandeiras que vinha sendo anunciada aos finais de semana, passará a ser definida às quintas-feiras e divulgada às sextas-feiras, tendo as regiões o final de semana para contestarem as trocas, que podem passar por uma reavaliação. A consolidação dos modelos irá ocorrer nas segundas-feiras, com vigência de uma semana a partir de terça-feira. No caso de reincidência de bandeira, o ciclo passa a ser quinzenal.

Decisão polêmica para a Serra

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Após anunciar a decisão de manter a bandeira vermelha para a Serra, o governador considerou que, mesmo que muitas pessoas não concordem, a bandeira vermelha é resultado dos indicadores técnicos e se faz necessária para evitar um colapso no sistema de saúde da região.

Leite apresentou números que demonstram o crescimento dos índices relacionados à covid-19 nas cidades serranas, chamando a atenção para um aumento significativo de internações registradas nas últimas duas semanas. Além disso, 18 óbitos resultam de uma projeção da Secretaria Estadual de Saúde nos próximos 14 dias, quando há tendência para aumento no número de infecções por coronavírus.

Outro fator que colaborou para a reclassificação de bandeira — da laranja para a vermelha — foi o aumento de casos confirmados na proporção para cada 100 mil habitantes, que subiu de 1,9 para 5,3 nas últimas duas semanas. A proporção de leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), que baixou de 1,2 para 0,75 (a cada um ocupado), também colaborou para a nova classificação.

— Não houve dados trazidos suficientes para que se alterasse a classificação de risco da Serra gaúcha. Há, de fato, um aumento de casos confirmados e, por isso, mantêm-se a bandeira vermelha — afirmou Leite, referindo-se à contestação buscada pelos representantes da região.

O governador também apresentou a reavaliação feita para outras regiões. Das quatro que haviam sido classificadas como bandeira vermelha no sábado, Santa Maria e Santo Ângelo, voltaram para a classificação laranja.

— Os municípios e hospitais devem ter muito cuidado no lançamento dos dados para que representem exatamente a realidade do que está ocorrendo na cidade e assim possamos aplicar os modelos em acordo — disse Leite.

No final da apresentação, Leite deixou em aberto a possibilidade de subdivisão da região da Serra, a partir da abertura de UTIs em cidades como Vacaria e Gramado. O assunto está sendo tratado pelo comitê que gerencia o Processo de Distanciamento Controlado.

Decisão contraria prefeitos

Em entrevista concedida na manhã de terça-feira ao programa Gaúcha Hoje, da Rádio Gaúcha Serra, o prefeito de Caxias do Sul, Flavio Cassina, apontou que, o grande problema na mudança com obrigações mais severas contra o coronavírus, com a bandeira vermelha, é o fato do governador mudar a “regra do jogo durante o próprio jogo”. Isso, na visão de Cassina, atrapalha os planos de prevenção da própria administração municipal e também do empresariado caxiense que vinha cumprindo com as determinações do Estado.

Cassina considera que os critérios utilizados para a mudança de bandeira para Caxias do Sul e Serra foram injustos, principalmente com os municípios menores, já que estes possuem realidades diferentes, como o número de população. O prefeito ainda afirma que Caxias não cometeu erros nos números enviados sobre o coronavírus para o governo do Estado e, segundo Cassina, o Estado possui uma forma de interpretar os números que talvez seja diferente do olhar da administração municipal.   

Ainda na segunda-feira, o presidente da Associação dos Municípios da Encosta Superior do Nordeste (Amesne), prefeito de Cotiporã, José Carlos Breda, afirmou que a troca de bandeira na região gerou insatisfação quase que unânime entre os prefeitos dos 36 municípios associados. Também em entrevista concedida ao Gaúcha, ele projetou que, caso o governo não voltasse atrás, haveria uma grande possibilidade dos municípios passarem a descumprir o decreto estadual.

Mesmo com a determinação da bandeira vigente, inúmeros estabelecimentos abriram as portas normalmente nesta segunda e terça-feira enquanto aguardavam o resultado da negociação entre os governos estadual e municipais. Em cidades como Farroupilha e Vacaria, o descumprimento foi realizado com aval das prefeituras. 

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