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Pandemia08/06/2020 | 17h41Atualizada em 08/06/2020 | 17h41

"Era um batalhador", diz filho de idoso vítima do coronavírus em Caxias do Sul

Luiz Carlos Viganó coloca em dúvida o diagnóstico da covid-19 

"Era um batalhador", diz filho de idoso vítima do coronavírus em Caxias do Sul Arquivo Pessoal/Arquivo Pessoal
Luiz Carlos e o pai Miguel Viganó (D), em 2014, durante uma pescaria em família Foto: Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal

Miguel Viganó, 79 anos, foi a sexta vítima confirmada pela covid-19 em Caxias do Sul. Marceneiro de profissão, ele dedicou 26 anos de trabalho na antiga Funerária Rech, produzindo caixões. Segundo o filho Luiz Carlos, de 58 anos, o pai era um batalhador:

— Um cara que viveu para a família, trabalhou para criar os filhos e viver para a casa. Um cara que nunca bebeu, nunca usou droga. Um cara batalhador e que sempre lutou pela família — conta.

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Seu Miguel teve quatro filhos e oito netos. Aos 49 anos, sofreu um acidente vascular cerebral (AVC), que comprometeu seus movimentos. Ele passou os últimos 30 anos vivendo em uma cadeira de rodas. Com a pandemia, estava confinado dentro de casa. Miguel tinha problemas pulmonares crônicos, até devido à doença, e foi levado para o Hospital Pompeia na última quarta-feira (3), com problemas respiratórios. Segundo o filho, ele não apresentava nenhum outro sintoma. 

A confirmação para covid-19 foi até uma surpresa para a família. A ligação do hospital no domingo (7) não foi muito clara, segundo Luiz Carlos.

— O hospital ligou para minha esposa confirmando que tinha dado positivo, aí ela (esposa) disse que então iríamos no hospital fazer o exame também. A moça disse assim: "não, vocês não são pacientes de risco e não precisam fazer o exame". Aí eles falaram que, como morávamos longe, iriam mandar o exame por e-mail. A minha esposa questionou: "como longe?". E ela respondeu: "vocês são de Bento (Gonçalves), né?". "Não moça, a gente mora no bairro Cruzeiro", e ela respondeu: 'Então eu confundi com o pessoal de Bento" — relata Luiz.

Essa situação incomodou muito a família, que coloca em dúvida o diagnóstico final. Na certidão de óbito consta: "Insuficiência respiratória, pneumonia, sequelas e acidente vascular cerebral. Tipo de morte: não natural, suspeita de covid-19". O exame foi feito por laboratório particular. Sem poder fazer velório do pai, Luiz Carlos desabafa: 

— Não conseguimos velar meu pai. Ele saiu de dentro do necrotério direto para o cemitério. Isso me dá uma bola no estômago, sabe? Me atacou os nervos.

EM ISOLAMENTO

Luiz Carlos e a esposa Elis Moreira estão isolados em casa. Ambos querem realizar o exame para o coronavírus, mas foram informados pela Secretaria Municipal da Saúde de que isso só será possível a partir da próxima segunda (15). 

— Vamos esperar mais uma semana? Enquanto isso, eu fico trancado dentro de casa. Eu não penso só em mim, mas em todo mundo que está ao meu redor — diz Luiz.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, como o casal não tem sintomas da covid-19, é preciso aguardar 10 dias para a realização do teste rápido. Para pacientes que podem ser assintomáticos, a realização do exame antes deste período pode resultar em uma resposta equivocada e que não condiz com a realidade.

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