Em meio ao aumento de casos, movimento nas ruas e falta de fiscalização preocupam moradores de Flores da Cunha - Geral - Pioneiro

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Coronavírus30/06/2020 | 14h43Atualizada em 30/06/2020 | 14h54

Em meio ao aumento de casos, movimento nas ruas e falta de fiscalização preocupam moradores de Flores da Cunha

Cidade passou de 18 infectados no início de junho para 106 nesta segunda-feira (29)

Em meio ao aumento de casos, movimento nas ruas e falta de fiscalização preocupam moradores de Flores da Cunha Antonio Valiente/Agencia RBS
Foto: Antonio Valiente / Agencia RBS

A circulação desregrada e a uma fiscalização mais efetiva nas ruas da cidade têm preocupado moradores de Flores da Cunha, que viu a quantidade de casos confirmados de coronavírus disparar ao longo de junho. Entre o início do mês e esta segunda-feira (29), o número de infectados no município passou de 18 para 106, um aumento de 488% em apenas 29 dias.

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Enquanto parte da população tenta tomar os cuidados necessários para evitar que o coronavírus se alastre, uma parcela considerável segue nas ruas. Descuido que causa indignação em Jair Antunes da Silva, 45 anos. O frentista afirma só sair de casa para trabalhar e em outras situações necessárias. Os fins de semana ele tem passado confinado com a mulher e o filho de 15 anos.

A circulação desregrada e a uma fiscalização mais efetiva nas ruas da cidades têm preocupado moradores de Flores da Cunha, que viu a quantidade de casos confirmados de coronavírus disparar ao longo de junho. Entre o início do mês e esta segunda-feira (29), o número de infectados no município passou de 18 para 106, um aumento de 488% em apenas 29 dias. Na foto, o frentista Jair Antunes da Silva, 45 anos.<!-- NICAID(14534218) -->
Frentista Jair Antunes da Silva mostra preocupação com aumento no número de casos na cidade Foto: André Fiedler / Rádio Gaúcha

— A população não respeita. Tá todo mundo levando para o lado da brincadeira e da política. Flores da Cunha deveria ter bandeira vermelha. Uma cidade de 30 mil habitantes ter 106 casos... Tenho certeza que vai dobrar esse número semana que vem. Se o pessoal ficar em casa, sair só o necessário, não precisa fechar o comércio — reclama o frentista, para quem a venda de bebidas alcoólicas deveria ser proibida após as 22h.

Outro relato de moradores diz respeito à realização de festas em loteamentos nos arredores do município, especialmente aos fins de semana. Os encontros contam com som automotivo e venda de bebidas alcoólicas.

— No fim de semana você passa na praça e vê um grupinho com um ou dois de máscara e o resto sem máscara, bebendo — observa o atendente Giovani Aliatar Gonçalves, 45.

Diante de tanto desrespeito às recomendações dos órgãos de saúde, quem tenta se cuidar defende que o município deveria ser mais rígido na fiscalização e que os carros de som orientando as pessoas a ficarem em casa não surtem efeito.

— Quando fechou o comércio (com a bandeira vermelha), na sexta-feira passaram para fiscalizar com alto-falante. Nos sentimos como bandidos. Deveriam olhar as pessoas que ficam nas ruas. Se tem a bandeira laranja, que continuem fiscalizando — afirma a gerente de uma loja de roupas, que prefere não se identificar.

Para ela, é preciso se cuidar, embora acreditem que todos serão infectados e o aumento dos casos se deva ao maior número de testes. Opinião semelhante tem Franciele Biazus, 36 anos. Funcionária de uma loja de materiais ortopédicos, ela acredita que a falta de testes ajudaram a mascarar os números desde o início da pandemia.

A circulação desregrada e a uma fiscalização mais efetiva nas ruas da cidades têm preocupado moradores de Flores da Cunha, que viu a quantidade de casos confirmados de coronavírus disparar ao longo de junho. Entre o início do mês e esta segunda-feira (29), o número de infectados no município passou de 18 para 106, um aumento de 488% em apenas 29 dias. Na foto, a funcionária de uma loja de materiais ortopédicos Franciele Biazus, 36 anos. <!-- NICAID(14534221) -->
Para Franciele Biasuz, falta de testes ajudou a mascarar os númerosFoto: André Fiedler / Rádio Gaúcha

— As pessoas não estão respeitando muito o isolamento. Várias que deveriam estar isoladas, vimos nas ruas. É preciso se conscientizar de que o vírus não é brincadeira — destaca.

Restrições podem aumentar

Até esta segunda-feira (29), dos 106 casos confirmados em Flores da Cunha, 47 estavam curados e 57 faziam isolamento domiciliar. A primeira morte foi confirmada no dia 21 de junho.

O Hospital Nossa Senhora de Fátima conta com 53 leitos, sendo 16 exclusivos para covid-19. Da estrutura dedicada para o enfrentamento do coronavírus, um leito está ocupado por uma mulher de 88 anos.

Na avaliação do secretário de Saúde, Vanderlei Stuani, por enquanto a estrutura de atendimento da cidade está sob controle. Contudo, ele revela que o aumento recente, embora também seja reflexo da maior testagem, preocupa e ele não descarta a adoção de medidas mais duras no futuro.

— Se der um aumento um pouco maior de casos vamos ter que partir para restrições maiores. Se subir o número de casos que precisam de UTI, sabemos que municípios da região podem precisar mais desses leitos — lembra o secretário.

Stuani concorda com os relatos de que a população não tem respeitado o distanciamento social e diz que o município tem limitações para fiscalizar.

— As pessoas perderam o medo. Na primeira parada se resguardaram, agora tá difícil fazer ficarem em casa. Tem gente que não acredita que tem doença e acha que é política — destaca.

Segundo o secretário, o município tem adotado reforço nas ações de conscientização, como carros de som, mas o resultado não é o desejado. Multas para a população chegaram a ser estudadas, mas a ideia não prosperou.

— Multa é complicado, não temos quadro de pessoal para ficar multando. O certo seria a conscientização para não ter que multar.

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