Domingos Mancuso e uma imagem de exatos 110 anos - Geral - Pioneiro

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Memória01/06/2020 | 18h37Atualizada em 02/06/2020 | 21h12

Domingos Mancuso e uma imagem de exatos 110 anos

O fotógrafo italiano tirou a clássica foto da chegada do trem a Vila de Santa Teresa de Caxias do Sul

Domingos Mancuso e uma imagem de exatos 110 anos Domingos Mancuso/Divulgação
A chegada do trem a Caxias em 1º de junho de 1910, captada somente pelo fotógrafo italiano Domingos Mancuso Foto: Domingos Mancuso / Divulgação

Todo fotógrafo costuma ser lembrado por uma imagem emblemática, vide a importância histórica do fato, o contexto em que foi captada, o flagrante ou as curiosidades em torno de sua produção. No caso do italiano Domingos Mancuso, o registro da chegada do trem a Vila de Santa Teresa de Caxias há exatos 100 anos, em 1º de junho de 1910, pode ser considerado um marco por englobar todos os aspectos acima. A clássica imagem da Estação Férrea – na verdade, foram duas, praticamente iguais – coroou um trabalho desenvolvido pelo fotógrafo desde 1908, quando registrou o aterro do traçado, a confecção dos trilhos em meio às rochas, o cotidiano dos operários e o transporte dos dormentes. Detalhe: apenas duas horas depois do clique, esse clássico da fotografia caxiense em negativo de vidro era exposto no Café Marconi. Ninguém soube explicar como Domingos Mancuso conseguiu exibir seu troféu em apenas duas horas. Coisa de mestre.

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Atuação

Domingos Mancuso nasceu em 4 de dezembro de 1885 em Leonforte, na Sicília. Em 1887, aos dois anos, chegou ao Brasil com os pais, Santo Mancuso e Carmela Guagliano Mancuso, e mais quatro irmãos: Ângela, Núncia, Salvador e Caetano. Em Porto Alegre, onde a família instalou-se inicialmente, nasceram mais dois irmãos, Francisca e Angelino.

O início de Domingos na fotografia deu-se a partir do aprendizado com o também italiano Virgílio Callegari, sumidade da área na virada do século e dono de um famoso estúdio na Capital. Já a mudança para Caxias ocorreu por volta de 1904, quando o irmão mais velho, Salvador, passou a residir na Serra.

A partir daí, incentivado pelo amigo Virgílio, começou a registrar diversos aspectos da vila em crescente desenvolvimento. Algum tempo depois, passou a namorar a jovem Cecilia Von Schlabrendorff Fonini, com quem casou em 1909, fixando residência em Caxias. A partir de então, o nome Mancuso foi se impondo profissionalmente na região, não somente pela qualidade e cuidados em relação às imagens produzidas.

Por iniciativa própria, custeando as despesas decorrentes na produção, tirava dezenas de fotografias fora do estúdio da Rua Sinimbu, nas imediações da Galeria Fonini – destacando prédios, ruas, eventos diversos e o movimento do Centro. Por essa razão, Domingos Mancuso é considerado o primeiro repórter fotográfico de Caxias do Sul e figura entre os três pioneiros do Rio Grande do Sul. Domingos e Cecília tiveram sete filhos: Caetano, Clemente, Ruby,Carmela, Reno, Rômulo e Cyro. Domingos Mancuso faleceu em 5 de maio de 1942, aos 56 anos. 

Posteridade

:: Os preciosos negativos de vidro de Domingos Mancuso integram o acervo do Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, a partir de uma doação feita pelo colecionador Francisco Fortuna em 1983. 

:: Todo esse acervo também pode ser conferido no blog www.caxiaspormancuso.blogspot.com, mantido por Renan Carlos Mancuso, neto de Domingos e filho do também fotógrafo Reno Mancuso.

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