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Pandemia01/06/2020 | 20h00Atualizada em 01/06/2020 | 20h00

Cidades da Serra Gaúcha convivem com surtos de coronavírus em frigoríficos

Garibaldi, Nova Araçá e Serafina Corrêa registraram crescimento de infectados

Cidades da Serra Gaúcha convivem com surtos de coronavírus em frigoríficos Marcelo Casagrande/Agencia RBS
Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

O boletim epidemiológico da última semana, produzido pela Secretaria Estadual da Saúde, e divulgado no dia 27 de maio, mostra um levantamento que pode ser preocupante para a Serra Gaúcha. O Estado investiga 36 surtos de coronavírus e boa parte deles estão na região. Os casos que mais chamam a atenção nesse levantamento são nos frigoríficos, que representam 25 vetores do Rio Grande do Sul, sendo que nove estão nos municípios do Nordeste gaúcho.

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No entanto, para entender melhor essa situação é preciso considerar que o termo surto é utilizado quando existem dois casos positivos no mesmo local. Ou seja, pode-se ter pequenos surtos até em residências. Ainda assim, algumas empresas chamam a atenção, como um frigorífico de Garibaldi, que registrou 240 pessoas positivas para a covid-19.  A empresa paralisou sua produção por três dias e precisou passar por adaptações, ainda mais por ter funcionários espalhados por diversos municípios, como São Sebastião do Caí e São Leopoldo. Agora, segundo a secretaria municipal da saúde, está superada essa onda de contágio.

(Está) Muito sob controle. A empresa foi interditada por três dias e fizeram todos os procedimentos previstos. Eles estão realizando, após a reabertura gradual, até a mais do que é exigido pela vigilância sanitária e epidemiológica e pelo Ministério Público do Trabalho — ressalta Simone Agostini de Moraes, titular da pasta em Garibaldi.

Nova Araçá

O caso mais recente foi em Nova Araçá. O frigorífico, que emprega um terço do município, foi fechado por 72 horas, no último fim de semana, após ser um vetor de contaminação do coronavírus. Os resultados dos mais de mil testes deve ser divulgado amanhã. A questão principal é que os números do município divergem daqueles publicados pela SES. Segundo o dado estadual, eram 158 infectados pelo coronavírus e, de acordo com a secretaria municipal, apenas 41. Essa divergência se deve pelo critério clínico-epidemiológico. Isso significa que as pessoas que tiveram contato com os contaminados e tiveram uma síndrome gripal são considerados infectados.

— Sem o teste não pode enquadrar alguém por critério clínico-epidemiológico. No nosso Estado, com oscilação de temperatura, as pessoas são acometidas de gripe muito mais fácil e mascara o dado — aponta Cláudia Daniel, secretária da saúde de Nova Araça.

Até por isso, está sendo feita essa testagem em massa e alguns funcionários já foram colocados em quarentena. Ontem, o frigorífico voltou com metade do seu efetivo de trabalho e 30% da produção foi reduzida.

— Agora, conforme eles (funcionários) vão saindo dos isolamentos, a empresa está testando e assim vai atingir os mais de 1,6 mil funcionários da cadeia produtiva — complementa Cláudia.

Outros casos

Outra cidade que sofreu com um surto foi Serafina Corrêa. No mês de maio, o município saiu de 14, no dia 1º de maio, para 108 infectados, no dia 31. Um salto significativo e que também teve um frigorífico como vetor de contaminação. Segundo Salete Cadore, titular municipal da saúde, o surto foi controlado. No entanto, ela ressalta a dificuldade que essas empresas de alimentação enfrentam nesse momento, já que a maioria tem diversos setores onde não há circulação de ar e a proximidade dos funcionário é maior. 

— O início da pandemia para nós foi em 19 de março (data de confirmação do primeiro morador infectado). Esse de maior número de casos que resultou em surto foi de um frigorífico. Ele é grande, mas a contaminação na cidade se estendeu — considera a secretária.

Caxias do Sul, Carlos Barbosa, Vacaria, Bom Jesus, Bento Gonçalves e Farroupilha também já registraram surtos nos últimos dois meses. A investigação é considerada finalizada após 14 dias da primeira ocorrência, mas não se pode descartar que mais surtos em outros setores econômicos possam aparecer no mês de junho, esperado como o pico da pandemia no Rio Grande do Sul.

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