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Distanciamento controlado13/05/2020 | 21h06Atualizada em 13/05/2020 | 21h06

Prefeitura produz vídeo com orientações sobre novo sistema de bufê em Caxias

Restaurantes adotaram medida como alternativa ao modelo tradicional para manter serviço funcionando

Prefeitura produz vídeo com orientações sobre novo sistema de bufê em Caxias Porthus Junior/Agencia RBS
Restaurante Gianella colocou faixas isolando a mesa onde ficam os alimentos e funcionários servem os clientes Foto: Porthus Junior / Agencia RBS

O sistema tradicional de bufê em restaurantes, em que as pessoas se aproximam da mesa onde ficam os alimentos e servem os próprios pratos, está proibido por decreto estadual em todo o território gaúcho. A regra vale também para aqueles municípios classificados como sendo de risco baixo, ou bandeira amarela, no modelo de distanciamento controlado, que passou a regrar o funcionamento das atividades econômicas no Estado para conter a disseminação do novo coronavírus.

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Mas, a prefeitura de Caxias do Sul, que está em área de risco médio, encontrou uma alternativa para manter os bufês funcionando: sugeriu aos estabelecimentos para colocarem um funcionário junto ao bufê servindo os clientes. Dessa forma, as pessoas mantêm distância da mesa onde estão dispostos os alimentos e não têm contato com os talheres de servir. Elas indicam o que querem comer e recebem o prato pronto.

O município produziu um vídeo para orientar os restaurantes sobre o passo a passo e normas do processo. Essa foi a maneira que achou para não inviabilizar os negócios já tão afetados pelo momento de crise. Os bufês foram proibidos em Caxias com o primeiro decreto municipal em meados de março e tiveram liberação da prefeitura para retomar a operação em 17 de abril, quando também retornou o comércio na cidade. 

A posição da administração local sobre a questão não consta no último decreto, desta terça-feira, mas foi anunciada pelo vice-prefeito Edio Elói Frizzo, na noite de segunda, por meio de uma transmissão ao vivo em rede social oficial da Secretaria de Saúde:

– A orientação que estamos passando para todos os restaurantes é que utilizem a forma do proprietário ou do garçom servir o bufê, a pessoa não ser ela que se serve. Então, se fica atrás do bufê e alguém do restaurante serve. Esse é o sistema que o governo do Estado está adotando e que nós também vamos ter que adotar aqui em Caxias.

Para André Andrighetti, 39 anos, funcionário do Restaurante Gianella, no bairro Santa Catarina, essa não é a forma ideal, mas a possível, no momento, para não interromper as atividades novamente. O estabelecimento teve de fechar por 20 dias, período em que foram dadas férias coletivas aos colaboradores. A reabertura veio com restrição de público, redução e distanciamento de mesas, medidas de higiene e utilização de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), mas com serviço de bufê normal, em 17 de maio. Já nesta semana foi preciso adaptar a maneira de servir de acordo com as orientações do município. Foi colocada uma faixa de isolamento junto à mesa para que os usuários não se aproximem e um garçom serve os pratos conforme indicação dos clientes.

– Foi a forma que nós conseguimos de continuar atendendo. No momento em que a gente está, precisamos. Pagamos aluguel... não tem como não abrir. A redução foi de 70% de público. Antes de fechar já tinha reduzido bastante também – lamentou Andrighetti.

O restaurante também trabalha com o serviço de viandas, mas não é representativo, segundo o funcionário.

Questionada sobre a alternativa adotada em Caxias, a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) não se manifestou especificamente. Reiterou apenas, por meio de nota, que de acordo com o novo modelo a cidade está classificada, nesta semana, com a bandeira laranja, e que "o serviço de bufê não é permitido nesta classificação". Disse, ainda, que "os órgãos estaduais, como Ministério Público e Ministério Público de Contas, seguem monitorando o cumprimento das medidas previstas nas normas apresentadas. Isso sem prejuízo de outras medidas, inclusive judiciais, que a própria PGE possa adotar."

O médico infectologista Diego Costa diz que o ideal seria que os restaurantes utilizassem somente o sistema a la carte:

– Acho uma medida muito ruim. É um profissional servindo todos os clientes. E se ele estiver contaminado? Pode ser assintomático, que, sabemos, transmite o vírus. Então, pode ser vetor para muitas pessoas.

O especialista diz ainda que uso de luvas que pode estar sendo adotada como medida de proteção nos estabelecimentos não é indicado para a população, apenas para profissionais de saúde, porque dificulta a higienização. O melhor é usar mão limpa para todas as ações e higienizar seguidamente. 

– Só há duas coisas comprovadas cientificamente que funcionam contra esse tipo de vírus que é a higienização com álcool em gel 70% ou água e sabão, que destrói o vírus, e o distanciamento social – reitera Costa.

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