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Memória06/05/2020 | 17h47Atualizada em 06/05/2020 | 19h05

O álbum de família de Cláudio Eberle (1938-2020)

Neto de Abramo Eberle, empresário faleceu nesta quarta, aos 81 anos

O álbum de família de Cláudio Eberle (1938-2020) Studio Geremia,Arquivo Histórico Municipal/Divulgação
Anos 1950: o jovem Cláudio Eberle com os pais, Julio João Eberle e Alda Muratore Eberle, e as irmãs Maria Elisa Eberle, rainha da Festa da Uva de 1954, e Heloisa Eberle Bergamaschi Foto: Studio Geremia,Arquivo Histórico Municipal / Divulgação

Existem empresários cuja trajetória mescla-se de tal forma à história e ao desenvolvimento de uma cidade que não se sabe direito onde começa o público e o privado. Não foi diferente com seu Cláudio Eberle, falecido nesta quarta, aos 81 anos, após meses de luta contra um câncer.

Neto de Abramo Eberle e Elisa Venzon Eberle e filho de Júlio João Eberle e Alda Muratore Eberle, Cláudio Alberto Muratore Eberle nasceu em 2 de agosto de 1938. Formado em Direito e Ciências Econômicas pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-RS), iniciou suas atividades profissionais na lendária Metalúrgica Abramo Eberle S.A (Maesa), fundada pelo avô e dirigida pelo pai – foi onde também tornou-se diretor, sendo responsável pela abertura do capital social da empresa na Bolsa de Valores de São Paulo. 

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HOMENAGEM NA CIC

Cláudio Eberle participou ativamente da vida econômica, social, cultural, esportiva e também política de Caxias do Sul, chegando a se candidatar a prefeito do município em 1982. Por 18 anos, foi o representante do Ministério da Educação no Conselho Diretor da Universidade de Caxias do Sul (FUCS).

Em 10 de dezembro de 2018, seu Cláudio, então membro do Conselho  Superior da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul, foi homenageado com a Medalha e Diploma em reconhecimento ao seu trabalho e participação na entidade. O empresário foi o mais jovem presidente da CIC – à época Centro da Indústria Fabril –, eleito aos 24 anos, em 1962, e atuante entre 1963 e 1966.

Na ocasião, declarou-se emocionado com a homenagem: “Fui agraciado com muitas sementes, e me esforcei para transformá-las em bons frutos”, disse, sendo aplaudido de pé pelas mais de 200 pessoas que prestigiaram o evento, incluindo seus familiares.

Cláudio Eberle deixa a esposa, Carmem Silvia Castro Eberle, com quem casou em 1961, e os filhos Maria Isabel (Bebel), Julio Alberto, Marta Elisa e Marina, que lhe deram cinco netos e um bisneto.

Com informações de Marta Sfreddo e da CIC Caxias

Pioneirismo na metalúrgica

O olhar visionário de Cláudio Eberle em gestão foi destacado na publicação Empreendedorismo  e Desenvolvimento Econômico Regional – As Ações dos Industriais de Caxias do Sul (1950-1970), de Cláudio Baltazar Corrêa de Mello, lançada em 2016. Em um dos trechos, Cláudio Eberle recordou de seu início na Metalúrgica Abramo Eberle:

“Eu andava por dentro da fábrica e via que existiam muitos operários com problemas, passando por necessidades, então, a primeira iniciativa que tomei foi fazer a Fundação Abramo Eberle. A Fundação foi criada destinando até 3% do lucro da metalúrgica, que era resultado do trabalho dos empreendedores, dos gestores e de todos os funcionários, com a ideia de dar a cada um de acordo com a sua capacidade. Eu fiz um ponto de abastecimento de gêneros em que a fundação comprava e vendia pelo preço de custo. Peguei uma assistente social para visitar as casas das pessoas, encontrei funcionários que dormiam em cima de restos de tecidos que iam buscar no Sehbe, nas malharias, porque não tinham cama. Então, a fundação comprou, na época, mais de mil camas a preço de custo. Comecei a ver o pessoal doente, então encomendei duas mil japonas para o inverno, fiz um consultório médico dentro de cada fábrica e um acordo com o Sesi para colocar gabinete dentário dentro das duas fábricas. Isso é tremendamente importante na história de Caxias, do empreendedorismo e das outras empresas.

 Meu tio (José Eberle), que estudou na Alemanha, juntamente com o pai (Júlio), fizeram uma escola técnica de desenho que iniciava desde a alfabetização. Aí, nós começamos a fazer bolsas de estudo. Outras empresas começaram a fazer o mesmo, a Industrial Madeireira, o Sehbe. Outras 30 ou 40 empresas quiseram fazer e fizeram suas fundações nesse molde”.

Cláudio Eberle, Carmem Silvia Eberle, o presidente Castelo Branco, o casal Julio João Eberle e Alda Muratore Eberle, Ernesto Geisel e Heloísa Eberle Bergamaschi durante a Festa da Uva de 1965  <!-- NICAID(14493899) -->
Cláudio Eberle, Carmem Silvia Eberle, o presidente Castelo Branco, o casal Julio João Eberle e Alda Muratore Eberle, Ernesto Geisel e Heloísa Eberle Bergamaschi durante a Festa da Uva de 1965 Foto: Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami / Divulgação
Discurso em 1972: Claudio Eberle, o radialista Nestor Gollo, o pai Júlio João Eberle, Pratini de Moraes (Ministro da Indústria, do Comércio e do Turismo), o padre Eugênio Giordani e o governador Euclides Triches<!-- NICAID(14493900) -->
Discurso em 1972: Claudio Eberle, o radialista Nestor Gollo, o pai Júlio João Eberle, Pratini de Moraes (Ministro da Indústria, do Comércio e do Turismo), o padre Eugênio Giordani e o governador Euclides TrichesFoto: Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami / Divulgação
Claudio Eberle e a filha Bebel Eberle Sehbe (Maria Isabel Eberle) no início dos anos 1950, na Chácara Eberle.<!-- NICAID(10728565) -->
Cláudio e a filha Bebel nos anos 1960Foto: Acervo pessoal de Bebel Eberle Sehbe / divulgação
Cláudio Eberle durante a homenagem na CIC, em dezembro de 2018<!-- NICAID(14493901) -->
Cláudio Eberle durante a homenagem na CIC, em 2018Foto: Julio Soares / Divulgação

Homenagens

“Seguiu os passos do avô e do pai e deixou o importante legado na área econômica de nossa cidade. Foi jovem líder empresarial à frente do seu tempo. Caxias do Sul perde um homem de grande participação, social, esportiva e política. Minha solidariedade à família Eberle”. (Flávio Cassina, prefeito de Caxias do Sul)

“A S.E.R. Caxias presta o mais profundo pesar pelo falecimento de Cláudio Eberle. Eberle comandou a Associação Caxias nos anos de 1972 e 1973. Em homenagem póstuma, a bandeira grená ficará a meio mastro durante três dias, no Estádio Centenário.” (S.E.R. Caxias)

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