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Covid-1906/05/2020 | 08h16Atualizada em 06/05/2020 | 09h07

Imigrantes e refugiados enfrentam dificuldades diante da pandemia em Caxias

Desemprego e demanda por alimentação e produtos de higiene aumentou no Centro de Atendimento ao Migrante 

Imigrantes e refugiados enfrentam dificuldades diante da pandemia em Caxias Marcelo Casagrande/Agencia RBS
Desemprego e demanda por alimentação e produtos de higiene aumentou no Centro de Atendimento ao Migrante Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

Com o avanço do coronavírus no mundo todo, certos grupos da população se encontram em posições mais vulneráveis. É o caso de imigrantes e refugiados que deixaram seus países e vieram para Caxias do Sul em busca de oportunidades de uma vida mais digna. São pessoas que abandonaram seus lares, deixaram famílias para trás para fugirem da miséria, da fome, de guerras, perseguições políticas ou religiosas e de desastres ambientais. Desde a confirmação do primeiro caso de contaminação por coronavírus no município, em 11 de março, o Centro de Atendimento ao Migrante (CAM) promove ações para ajudar estrangeiros que recorrem à entidade em busca de assistência e de informações. As solicitações aumentaram de março para abril.

- Houve um aumento expressivo na demanda por cestas básicas. Em março foram distribuídas 50, ao passo que em abril foram 170 unidades. Temos percebido aumento nas vulnerabilidades, principalmente pela perda de emprego e geração de renda. Muitos buscam auxílio alimentação, produtos de higiene e limpeza. A tendência é mais imigrantes nos procurarem porque foram demitidos ou trabalham no mercado informal - aponta a coordenadora do CAM, Irmã Celsa Zucco.

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Os imigrantes também relatam dificuldades para pagar o aluguel:

- Eles têm receio de despejos, bem como de não conseguir honrar com as contas mensais, como fornecimento de energia e água. Ou seja, dificuldades em questões básicas. Durante a pandemia, o serviço foi adequado às necessidades dos imigrantes, realizamos a arrecadação e as doações, bem como assistência jurídica em questões emergenciais. Todas as atividades coletivas foram suspensas, sendo o atendimento realizado com agendamento prévio - complementa. 

Irmã Celsa também pede ajuda à comunidade com doações. Serviços como documentação, aulas de português e cursos profissionalizantes estão atualmente suspensos por serem atividades de grupo.

- O Banco de Alimentos é o grande parceiro na cessão das cestas. No mês de abril, eles repassaram 90 unidades. Também contamos com a ajuda da comunidade, empresas, voluntários, institutos e pessoas físicas. Eles precisam de sabonete, sabão e demais itens de higiene pessoal e produtos de limpeza. As entregas são programadas para evitar aglomerações e evitar que os imigrantes circulem pelas ruas - garante a coordenadora.

Além de Caxias, o CAM atende outras cidades da Região Metropolitana da Serra, inclusive com demandas por alimentos e apoio ao acesso às repartições públicas. 

Dúvidas também sobre o auxílio emergencial 

O CAM também acompanha os processos de pedidos do auxílio emergencial feitos pelos imigrantes ao Governo Federal. São realizados agendamentos e mais de 60 pedidos foram atendidos. O advogado da entidade, Adriano Pistorelo, reitera que a vulnerabilidade social dos imigrantes e refugiados aumentou significativamente: 

- Com o isolamento social e as medidas de prevenção muitos têm sido demitidos e outros não conseguem gerar renda com o comércio informal, prestação de serviços ou atividades que exerciam antes da pandemia. Os reflexos são grandes na vida deles porque aumentou a demanda em busca de alimentos. Se o CAM agendasse a retirada das cestas básicas todos os dias, a demanda seria maior, mas não temos doações suficientes para todos. 

Ele explica que o CAM auxilia os imigrantes em relação às dúvidas trabalhistas e de como proceder diante da nova realidade imposta pelo vírus.  

- Muitos não receberam seguro desemprego, têm dúvidas sobre como proceder e se vão receber os salários, já que estão em casa e há flexibilizações. O que é possível resolvemos pelo telefone ou atendimento online. Mas há casos em que é necessário o presencial. Apenas para orientações foram cerca de 40 atendimentos e 60 feitos diretamente por nós para que eles possam retirar o benefício. Muitas vezes o nome da mãe está errado e é preciso ajustar os documentos para que eles tenham acesso. Ou há problema na documentação ou no preenchimentos de dados. 

Desemprego aumenta a demanda por alimentos

Imigrantes e refugiados enfrentam dificuldades com pandemia em Caxias. Na foto, a haitiana Sendie Jozeph, 22, busca alimentos no Centro de Atendimento ao Migrante.<!-- NICAID(14491663) -->
Haitiana Sendie Jozeph, 22 anos, foi demitida quando retornou da licença maternidadeFoto: Centro de Atendimento ao Migrante / Divulgação

A haitiana Sendie Jozeph, 22 anos, foi demitida quando retornou da licença maternidade. Ela esteve no CAM com o bebê para buscar alimentos. O marido dela trabalha em manutenção e o casal precisa de ajuda.

- Eu estava trabalhando e eles me mandaram embora. Essa ajuda é muito importante para minha família. Eu ajudava com o aluguel e não tenho mais essa renda. Meu marido está trabalhando em Vacaria, então as doações são importantes - conta ela. 

O senegalês Buba Sow, 45, vive em Caxias há nove anos. Ele conta que a situação está difícil com a pandemia. 

 CAXIAS DO SUL, RS, BRASIL, 04/05/2020 -  Com o avanço do coronavírus no mundo todo, certos grupos da população se encontram em posições mais vulneráveis. É o caso de imigrantes e refugiados que deixaram seus países e vieram para Caxias do Sul em busca de oportunidades de uma vida mais digna. São pessoas que abandonaram seus lares, deixaram famílias para trás para fugirem da miséria, da fome, de guerras, perseguições políticas ou religiosas e de desastres ambientais. NA FOTO: o senegalês Buba Sow, 45 anos, conta que a situação está difícil com a pandemia.  (Marcelo Casagrande/Agência RBS)<!-- NICAID(14491859) -->
O senegalês Buba Sow, 45, vive em Caxias conta que a situação está difícil com a pandemiaFoto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

-  Está complicado, acredito que para todo mundo. Ter que ficar em casa afetou as vendas, comprometeu a renda e é uma situação bem complicada, que aumenta as dificuldades _ lamenta ele. 

Os atendimentos aos imigrantes ocorrem por meios eletrônicos. O CAM disponibiliza o e-mail aesc.cam@aesc.org.br, o telefone (54) 3027.3360 e o WhatsApp (54) 99107.8434 para orientações. As doações podem ser realizadas na sede da entidade, na Rua Professor Marcos Martini, 1.600, bairro Marechal Floriano, de segundas a sextas-feiras, das 13h às 17h.

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