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Memória09/05/2020 | 09h41Atualizada em 11/05/2020 | 11h27

De Colônia Conde D'Eu a município de Garibaldi

Nome atual da cidade serrana foi escolhido em homenagem ao italiano que participou da Revolução Farroupilha

De Colônia Conde D'Eu a município de Garibaldi Alvaro da Costa Franco/Acervo de Sérgiuo da Costa Franco
Garibaldi, em 1912, fotografada por Alvaro da Costa Franco, pai do historiador Sérgio da Costa Franco Foto: Alvaro da Costa Franco / Acervo de Sérgiuo da Costa Franco

"A pittoresca villa de Garibaldi, na região colonial italiana, attrae annualmente na estação calmosa, centenas de forasteiros que ali vão reconstituir as energias perdidas nas cidades vertiginosas. Esta página fixa, além de um aspecto da ridente povoação, diversos grupos de gentis garibaldinas, dentre as quaes a senhorita Emma Casacurta, a graciosa ‘miss’ Garibaldi do ultimo concurso de belleza deste Estado."

A legenda acima (com a grafia original preservada) compõe uma das edições da Revista do Globo de 1929, a qual dedicou uma página inteira para a cidade serrana que então não passava de um pequeno povoado: Garibaldi.

Na foto ao lado, de 1912, pode-se ter uma ideia de como era a localidade no início do século passado. O registro da vista geral do núcleo urbano foi feito por Alvaro da Costa Franco (pai do historiador Sérgio da Costa Franco), então juiz distrital, em início de carreira, daquela vila. 

O início

O povoado surgiu por ato de 24 de maio de 1870. Na data, o presidente João Sertório criou as colônias Conde D’Eu e Dona Isabel (que daria origem a Bento Gonçalves), inaugurando um novo momento no processo de colonização e da economia no RS. Garibaldi, inicialmente, era chamada de Colônia Conde D’Eu, em homenagem ao genro do imperador, casado com a Princesa Isabel.

A região não oferecia atrativos, pois suas terras eram acidentadas. Seria necessário investir em infraestrutura para povoá-la. Como o governo não estava disposto a isso, encontrou outra solução: povoar a região com europeus habituados ao mesmo clima do sul, ao frio e às dificuldades do terreno para o cultivo agrícola. Os primeiros imigrantes chegaram em 9 de julho de 1870 e eram todos prussianos (alemães). A partir de 1874 e 1875, começaram a chegar novas levas de imigrantes, dessa vez suíços, italianos, franceses, austríacos e poloneses.

Em 31 de outubro de 1900, o governo eleva Conde D’Eu à condição de município, que passa a se chamar Garibaldi, em homenagem ao italiano que participou da Revolução Farroupilha e é considerado o “herói dos dois mundos”.

Parte das informações desta página foi publicada originalmente na coluna Almanaque Gaúcho, do colega Ricardo Chaves, de Zero Hora.

Sede da Colônia Conde DEu, atual município de Garibaldi. Ao centro da imagem, vê-se a Rua Buarque de Macedo, que se junta com a ponte. Data: 1892 -1897.<!-- NICAID(14050218) -->
Sede da Colônia Conde D’Eu, atual município de Garibaldi, por volta de 1900. Ao centro, a Rua Buarque de Macedo, que se junta com a ponteFoto: Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami / divulgação

O álbum das antigas colônias

Uma doação feita pela família de Eloy Ibanez Darsie ao Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami em 1977 constitui-se em um dos mais ricos documentos fotográficos das antigas colônias italianas instaladas na Serra entre 1875 e 1900. 

Trata-se do álbum Recordação das Colonias  Conde D’Eu, Dona Isabel, Alfredo Chaves, Antonio Prado e Caxias, origem das atuais cidades de Garibaldi, Bento Gonçalves, Veranópolis, Antônio Prado e Caxias do Sul, respectivamente.

De provável autoria de Francisco Moscani e Giovanni Battista Serafini, as fotos traduzem o surgimento dos novos núcleos urbanos, a organização social, o desenvolvimento econômico e o cotidiano verificado em ruas, moradias, armazéns, hotéis, casas de negócios, moinhos, serrarias e igrejas. Também a construção de estradas e pontes, as plantações e parreirais e a paisagem dominada por araucárias. 

O álbum tornou-se documento público em 1977. Após o falecimento de seu Eloy, a esposa Siena Maria Calcagnotto Darsie e a filha Luiza Helena Darsie, então estudante de História, optaram por doá-lo ao então Museu e Arquivo Histórico Municipal. Luiza recorda que o livro era bastante estimado pelo pai, que o manteve guardado desde a juventude, mostrando-o sempre à família e reconhecendo seu valor cultural.

Em 2014, por meio de uma iniciativa do Arquivo Histórico e da Associação dos Amigos da Memória e do Patrimônio Cultural de Caxias do Sul (Mousái), efetivou-se o projeto de restauração, financiado pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura, com apoio das Empresas Randon. Posteriormente, o documento passou por um detalhado processo de restauração no Rio de Janeiro, o que assegurou sua preservação.

 Página da Revista do Globo, publicada em 1929, sobre a Villa de Garibaldi.<!-- NICAID(14491654) -->
Em 1929, a Revistado Globo dedicou uma página à “Villa de Garibaldi”, que, na verdade, já era município naquela épocaFoto: Reprodução / Revista do Globo

Participe

Você possui fotos dos municípios que compunham as antigas colônias italianas na virada do século 19 para o 20? Podem ser registros de família ou de aspectos da localidade em si (ruas, comércios, religiosidade, etc). Envie as imagens, acompanhadas de um breve histórico, para o e-mail rodrigolopes33@gmail.com.

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