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Inspiração 21/05/2020 | 09h43Atualizada em 21/05/2020 | 09h52

Caxiense costura máscaras e pendura no portão para doar a quem precisa

Um cartaz no portão de uma casa no bairro Desvio Rizzo convida as pessoas que não tem condições de comprarem a proteção para rosto que retirem uma da sacola 

Caxiense costura máscaras e pendura no portão para doar a quem precisa Porthus Junior/Agencia RBS
Foto: Porthus Junior / Agencia RBS

Cuidar do próximo, fazer o bem e pensar no coletivo. Atos de bondade que podem ajudar a quem mais precisa. Em um momento em que o mundo enfrenta um vírus letal, a solidariedade é ainda mais inspiradora.  

Quem passa pela Rua Vereador Otto Scheifler, no bairro Desvio Rizzo, em Caxias do Sul, é surpreendido por uma dessas iniciativas de carinho e cuidado.  Um cartaz no portão convida as pessoas que não tem condições de comprarem máscaras, que retirem uma, que fica pendurada ao lado da placa. 

Edina Amandio Bianchi, 37 anos, decidiu tomar uma atitude ao ver muitos idosos passarem pela rua da casa dela sem a máscara.  Ela perdeu o pai, Gustavo Amandio, 75, em setembro do ano passado, e percebeu que não poderia ficar de braços cruzados neste momento: 

– Eu fiz de coração, para ajudar pessoas que não tinham. Aqui na frente da minha casa passam muitas pessoas de idade, que são o grupo de risco, e foi por isso que tive vontade de aprender e colocar penduradas na cerca de casa. Senti que precisava agir. Eu pensava: meu Deus, perdi meu pai no ano passado.  Ele era acamado e tínhamos que ter cuidados com ele. Se estivesse vivo, como seriam esses cuidados? Decidi que tinha que fazer alguma coisa para ajudar. 

Edina ganhou o molde e alguns modelos de uma amiga e começou a produzir as máscaras, sem ter qualquer pretensão comercial. 

– Eu fui comprar umas máscaras com uma amiga e comentei com ela que queria que aprender. Tenho uma máquina de costura velha e tinha essa vontade de ajudar.  Ela me disse: “ eu te dou o molde e algumas”. Foi aí que comecei a produzir. Eu trabalho em casa e não sabia costurar, mas aprendi – afirma. 

Edina deixa as pessoas bem à vontade para retirar a máscara: 

– Não fico cuidando, quero que peguem sem receio. Às vezes, vejo que alguns passam e ouço comentarem com os outros. No outro dia, uma moça bateu foto – relembra, rindo. 

Por conta da timidez, ela não queria conversar com a reportagem porque afirma que sua atitude foi de coração, sem qualquer desejo de notoriedade. Porém, o marido lhe disse que a iniciativa pode inspirar mais pessoas a cuidar umas das outras e fazer o bem. 

– Queria muito mais, mas tudo tem um custo, eu tenho duas crianças pequenas, mas vou fazer o quanto eu conseguir. Eu sinto aquela sensação: a minha parte eu fiz porque penso que muitos estão cobrando R$ 10 por cada máscara. E quantas pessoas perderam o emprego? Se uma pessoa pegar a máscara é R$ 10 que pode sobrar para ela comprar o pão. Meu coração diz que isso é o certo e eu fico feliz em ajudar – conta Edina. 

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