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Contra a pandemia01/04/2020 | 15h19Atualizada em 02/04/2020 | 07h33

Respirador projetado por voluntários caxienses aguarda autorização para testes clínicos

Durante pesquisa na UCS, ventiladores de baixo custo foram capazes de manter quatro pulmões artificiais cada

Respirador projetado por voluntários caxienses aguarda autorização para testes clínicos UCS / Divulgação/Divulgação
Ilustração do protótipo, que aguarda autorização para testes intrahospitalar Foto: UCS / Divulgação / Divulgação

Um respirador mecânico desenvolvido por voluntários caxienses está pronto para testes clínicos. Esta é a opinião da equipe coordenada pela Universidade de Caxias do Sul (UCS) e Hospital Geral, que solicitou autorização à Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep). Em pulmões artificiais, o ventilador caxiense funcionou ininterruptamente e manteve quatro "pacientes" por vez. A intenção é iniciar um processo intrahospitalar na próxima segunda-feira (6) diante do cenário de pandemia, afinal, o respirador foi idealizado para equipar hospitais de campanha e enfrentar a covid-19.

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O protótipo de respirador mecânico para ventilação pulmonar é desenvolvido por engenheiros e técnicos sob a orientação de médicos e coordenação do Parque de Ciência, Tecnologia e Inovação (TecnoUCS). São mais de 30 voluntários envolvidos desde o último dia 24. O projeto tem base nos conceitos necessários para o atendimento provocado pela pandemia do coronavírus. A iniciativa pretende equipar a rede hospitalar regional para o atendimento de pacientes que vierem a ser acometidos pela covid-19.

— Toda antecipação é bem-vinda, afinal, ninguém sabe o cenário dos próximos dias. Na Europa, vimos a crise se agravar por falta de ventiladores. Nosso projeto está extremamente rápido, mas estamos cumprindo todas as questões técnicas com responsabilidade ética. Há um processo burocrático, mas esperamos que seja rápido pela questão de urgência e tipo de teste que será feito — afirma o diretor técnico do Hospital Geral (HG), Alexandre Avino, que demonstra otimismo, mas ressalta que o momento é de cautela por ser tratar de uma pesquisa.

Embora o protótipo esteja quase pronto, melhorias técnicas estão sendo feitas para garantir o desempenho, a eficiência e a segurança necessários ao uso hospitalar. Ainda nesta semana, a equipe desenvolverá um descritivo que possibilitará estimar a capacidade de produção e os custos. Um equipamento tradicional utilizado em casos respiratórias graves pode custar R$ 60 mil. Com componentes produzidos e disponíveis localmente, como válvulas de máquina de lavar e controle de abertura de porta de ônibus, o projeto tem a produção facilitada e terá baixo custo.

— Não temos estimativa de custo, pois depende destas finalizações, mas será absurdamente menor. É um projeto diferente, que lida com equipamentos de engenharia, mas, ao contrário de outras iniciativas, mantém controle de pressão e alarme. O fato é que o equipamento já funciona, mas trabalhamos na busca de refinamento por maior controle, sensibilidade e confiabilidade para utilizar em um hospital de campanha — aponta Avino.

A intenção, segundo o coordenador-executivo do TecnoUCS, Enor Tonolli Jr., é acionar a produção assim que o protótipo for aprovado, tendo como meta a fabricação de 100 unidades em um primeiro momento, visando a atender os hospitais de Caxias e região. Como é uma pesquisa, não há expectativa de quando o novo respirador estará disponível

Reforço nos equipamentos

Enquanto é aguardada a avaliação do Conep, outro grupo de trabalho atua na produção de mangueiras e de um derivador, componente a ser acoplado na saída de ar dos tubos de oxigênio, para que até quatro pacientes possam ser ventilados simultaneamente — normalmente o respirador é de uso individual. O molde do componente está pronto e a produção deve se iniciar nos próximos dias.

Além disso, a UCS deslocou para o Hospital Geral 11 respiradores mecânicos que normalmente são usados por cursos da área de Ciências da Vida. Seis unidades eram disponibilizadas para as práticas de Técnica Cirúrgica, no Laboratório de Anatomia, e outras cinco na Clínica Veterinária. No caso desses últimos, como os princípios técnicos do equipamento são os mesmos, eles podem ser adaptados para o atendimento de urgência em humanos.

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