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Solução emergencial25/04/2020 | 14h26Atualizada em 25/04/2020 | 14h26

Primeiros respiradores desenvolvidos em Caxias podem ficar prontos em até três semanas

Prazo depende de aprovação da Anvisa e acesso às peças, entre outras variáveis

Primeiros respiradores desenvolvidos em Caxias podem ficar prontos em até três semanas Marcelo Casagrande/Agencia RBS
Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

As primeiras unidades dos respiradores desenvolvidos em Caxias do Sul podem deixar as linhas de montagem em até três semanas. A previsão é da equipe que desenvolveu o aparelho. O cumprimento do prazo, contudo, depende de variáveis como a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o acesso às peças fundamentais para fabricação.

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Na última quinta-feira (23), os projetistas se reuniram por videoconferência com representantes da Anvisa, do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e do Ministério da Saúde para apresentar o projeto.

— Eles têm muitos para avaliar e dezenas já foram descartados, mas o nosso foi apontado como muito robusto e adiantado — revela o professor Alexandre Avino, diretor técnico do Hospital Geral (HG).

De acordo com o Avino, como se trata de um equipamento emergencial, diversos requisitos técnicos necessários em situações normais não serão exigidos. Isso deve encurtar o processo de liberação por parte da Anvisa de mais de um ano para uma semana. Para isso, a equipe já se mobiliza para encaminhar ao governo federal toda a documentação de desenvolvimento do aparelho. A expectativa é de que a entrega ocorra na segunda-feira (27).

— Estamos correndo contra o tempo. Parece que estamos tendo uma elevação da curva de casos graves em algumas regiões do país, como o Rio de Janeiro, onde já há relatos de falta de respirador. Tenho a sensação de que o gabinete de crise talvez tenha que rever algumas normas para facilitar a produção e não correr o risco de ficar sem respiradores. Se houver uma explosão de casos graves, a capacidade instalada da nação não vai ser suficiente, a exemplo do que ocorreu na Europa — alerta Avino.

A forma de produção do aparelho é outro ponto ainda em discussão. Em situações normais, equipamentos hospitalares só podem ser fabricados por empresas certificadas, que garantam uma estabilidade de pelo menos cinco anos para o funcionamento. Já existe uma linha de montagem do tipo em Caxias preparada para a produção de até 150 respiradores por dia. No entanto, como parte das normas foram flexibilizadas, existe um risco para a fabricante caso o aparelho não atenda aos padrões habituais. Dessa forma, a intenção dos projetistas é viabilizar a produção em várias linhas de montagem.

Outro objetivo da equipe é fabricar 300 respiradores, mas nem todos os recursos foram levantados. A Fundação Universidade de Caxias do Sul (Fucs) já encaminhou a compra de peças importadas, e a Câmara de Indústria, Comércio e Serviço de Caxias do Sul (CIC), tenta captar recursos para auxiliar.

A estimativa é que cada respirador seja vendido por cerca de R$ 20 mil, enquanto um aparelho tradicional pode se aproximar atualmente dos R$ 200 mil. Após a pandemia, os desenvolvedores já projetam aprimorar o aparelho para o atendimento de todas as normas técnicas. O objetivo é ter um produto capaz de ser utilizado em ambulâncias, aviões de transporte médico, hospitais de campanha em áreas de miséria e clínicas veterinárias.

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