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Proteção02/04/2020 | 18h10Atualizada em 02/04/2020 | 18h10

Designer de moda produz máscaras para trabalhadores em Caxias do Sul

Diante da falta de um dos produtos mais requisitados do mercado, Niura Ramos se dedica à confecção das peças em parceria com empresa local

Designer de moda produz máscaras para trabalhadores em Caxias do Sul Divulgação/Divulgação
Diante da falta de um dos produtos mais requisitados do mercado, Niura Ramos se dedica à confecção das peças, com parceria de empresa local Foto: Divulgação / Divulgação

Há cerca de um mês, pouco antes das medidas de contingenciamento motivadas pela disseminação do novo coronavírus serem adotadas em Caxias do Sul, máscaras — assim como os tão requisitados frascos de álcool gel — já começavam a sumir das prateleiras de farmácias e de outros estabelecimentos da cidade. Com o aumento do consumo das máscaras, sobretudo pela área da saúde, outros trabalhadores, que atuam em serviços essenciais, acabaram ficando sem o utensílio de proteção à covid-19.

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A demanda local motivou a designer de moda caxiense Niura Ramos, 41 anos, a, literalmente, colocar as mãos à obra. Com a experiência e o material que já tinha, começou a usar seu atelier, anexo da casa onde mora, para salvar vidas. A iniciativa ganhou ainda mais força por meio da parceria firmada com a empresa local Esterili-Med / Esterilizare, que produz itens hospitalares e passou a fornecer polipropileno para a confecção. Mais de mil unidades já foram produzidas.

— A empresa está trabalhando a todo vapor. Porém, as máscaras que os funcionários usavam eram importadas e esgotaram em todos os fornecedores. O diretor soube do meu trabalho e me procurou para que eu fizesse as máscaras com um material que ele poderia me fornecer, que é o polipropileno, desenvolvido para guarda-pós cirúrgicos, com várias camadas que filtram o ar — relata Niura.

Há 20 anos trabalhando com moda na cidade, entre figurinos e outras peças, por coincidência — ou não — a produção de máscaras de tecido não é inédita na linha de produção da designer. Em um projeto desenvolvido com crianças há alguns anos, ensinando os pequenos a costurar, Niura desenvolveu seu primeiro modelo de máscara, feita pelos e para os alunos utilizarem nas aulas de culinária.

A produção ganhou continuidade quando ela passou a atender ateliers de pintura, com artistas que precisavam de uma proteção ao forte cheiro das tintas utilizadas em obras de arte. Com tecido 100% algodão, 200 fios, a designer aproveitou a deixa para utilizar estampas cheias de estilo, que agradavam seu público consumidor.

O salto para a produção diuturna de centenas de máscaras foi inesperado para Niura, tanto quanto a pandemia vem sendo para o mundo inteiro. Ainda assim, ela segue, incansável, atendendo empresas que a procuram e, ainda, produzindo unidades para doação, dentro de sua capacidade de produção.

Niura Ramos, 41 anos, é designer de moda em Caxias do Sul e, com parceria de uma empresa de materiais hospitalares (Esterili-Med / Esterilizare) que fornece polipropileno para a produção de máscaras. Além de comercializar a empresas da cidade, ela também distribui para trabalhadores que encontra na rua.<!-- NICAID(14467568) -->
Foto: Divulgação / Divulgação

— Já distribui para atendentes da farmácia que frequento, do mercado aqui do bairro, policiais na rua. Eles estão trabalhando por nós. Acho muito bom poder ajudar dentro do que consigo. Algumas empresas grandes, até de fora, chegaram a me procurar, mas não tenho como atender, sou apenas uma pequena estilista do interior do Rio Grande do Sul que trabalha sozinha e que quer fazer o bem.

MÁSCARAS CASEIRAS

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que apenas profissionais de saúde e pessoas com sintomas ou confirmação de covid-19 utilizem máscaras. Ainda assim, muitas pessoas estão usando o item como barreira para reduzir a possibilidade de contágio.

Nesta semana, o ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta declarou que qualquer pessoa pode, sim, confeccionar sua própria máscara com uso de tecido. Porém, vale destacar que o uso da máscara não deve exceder duas horas, devido à proliferação de bactérias que pode ocorrer.

Além disso, a prática de higienizar as mãos constantemente, com uso de água e sabão ou álcool gel, evitando contato com mucosas dos olhos, do nariz e da boca, associada ao distanciamento social, ainda é considerada a forma mais eficaz de prevenção.

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