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Na Serra09/04/2020 | 14h39Atualizada em 09/04/2020 | 14h39

Comércio em Farroupilha abre, mas sem cumprir exigências do decreto municipal

Uma das determinações é de que as lojas usem termômetros para medir temperatura dos clientes. No entanto, boa parte dos estabelecimentos não tem o equipamento

Comércio em Farroupilha abre, mas sem cumprir exigências do decreto municipal Lucas Amorelli/Agencia RBS
Nesta quinta-feira, a maior parte do comércio do Centro da cidade abriu as portas pela manhã Foto: Lucas Amorelli / Agencia RBS

A retomada do comércio farroupilhense nesta quinta-feira (9) gera polêmica não apenas por contrariar orientações do  governo do estado, mas também por outro fator: de acordo com último decreto publicado, lojistas precisam medir a temperatura dos clientes, mas não foi o que se viu nesta manhã. O decreto do prefeito Claiton Gonçalves (PDT) determina a verificação de temperatura corporal antes da entrada ao local, com termômetro infravermelho, sendo vedado o ingresso dos que apresentarem 37,8°C. ou mais. A norma vale para lojas e outros estabelecimentos, como hotéis e restaurantes.

Nesta quinta-feira, a maior parte do comércio do Centro da cidade abriu as portas pela manhã. A loja de roupas de Lair Bridi, 57 anos, foi uma delas. Lair e as funcionárias usavam máscaras, mantinham distância uma entre as outras e passavam álcool gel nas mãos frequentemente. Entretanto, nenhum cliente teve a temperatura conferida pela equipe.

— Ninguém tem esse termômetro! Não achamos em lugar algum. Também não caberia a nós verificar se o cliente está com febre ou não —  afirma a proprietária.

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O caso de Lair é o mesmo de todos os 10 estabelecimentos consultados pela reportagem. Nenhum trabalhava com o aparelho e os responsáveis afirmaram não entender como funcionaria este item do decreto.

O termômetro infravermelho descrito no decreto possui sensores que atuam por meio da detecção pela testa. Em uma consulta na internet é possível constatar que o aparelho custa entre R$ 150 e R$ 500.

A proprietária de uma empresa especializada em soluções financeiras, Marília Pereira, 37, aproveitou a decisão da prefeitura para abrir o espaço. O estabelecimento dela fica em uma galeria comercial no coração da cidade.

— Estávamos trabalhando em casa, mas muitos clientes não gostam do atendimento online, preferem pessoalmente porque passa mais confiança — relata.

No caso do dono de uma cafeteria, Liandro Mocelin, 47, o atendimento continua acontecendo no formato pegue e leve. Cadeiras seguem em cima das mesas para que o cliente não permaneça no local. Por causa do decreto municipal, parte do público achou que tomaria café no local nesta quinta, mas não puderam.

— Estamos atendendo quem vem buscar o lanche. Há uma contradição com a lei estadual, mas temos que dançar conforme a música — conta.

O que diz a prefeitura

Procurado pela reportagem, o prefeito Claiton Gonçalves, afirmou que está  ciente da dificuldade em adquirir os termômetros. Ele garantiu que os cerca de 80 fiscais, nas ruas da cidade para garantir o cumprimento do decreto, têm os aparelhos, mas porque foram adquiridos em São Paulo.

— Sugerimos que em um primeiro momento sejam utilizados termômetros normais, mas com a devida higienização. Estamos em processo de instalação deste decreto — explica

Questionado sobre a proximidade dos funcionários com o cliente no momento da verificação de temperatura, o prefeito entende que o uso de máscaras irá barrar qualquer transmissão por coronavírus.

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