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Memória04/04/2020 | 07h00Atualizada em 04/04/2020 | 07h00

Caxias em 1918: as medidas públicas para conter a Gripe Espanhola

Pessoas que chegavam à cidade deveriam comunicar às autoridades aonde ficariam hospedadas

Caxias em 1918: as medidas públicas para conter a Gripe Espanhola Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami/Divulgação
A Praça Dante Alighieri durante uma celebração religiosa em meados dos anos 1920, na sequência da epidemia de gripe espanhola Foto: Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami / Divulgação

Assim como o jornal "Cittá di Caxias", destacado na coluna de quarta, o semanário "O Brazil" também recheou suas páginas com notícias referentes à Gripe Espanhola que se alastrava por Caxias e região em novembro de 1918. Em 4 de novembro daquele ano, alertava para a chegada de infectados: 

"As pessoas que porventura aqui chegarem atacadas do mal reinante terão que avisar à autoridade sanitária as casas para onde se dirigem, a fim de as mesmas serem convenientemente isoladas e submetidas a outras medidas necessárias. Na falta de hospital de isolamento, essas providências são indispensáveis para evitar ou pelo menos minorar o contágio da moléstia. Pede-se aos habitantes da cidade que comuniquem à saúde municipal qualquer caso suspeito que venha a chegar ao seu conhecimento. Estão sendo feitas visitas a hotéis, pensões e residências coletivas, a fim de se verificarem as condições higiênicas dos mesmos e serem feitas aos seus proprietários as recomendações precisas. Com a observação dessas medidas e outras que as autoridades entenderem úteis, conseguiremos minorar os efeitos do terrível mal e fazer com que ele não se demore muito entre nós. Nesse sentido, o governo municipal, cônscio dos seus deveres para com a coletividade, apela ainda uma vez para a boa vontade e auxílio de todos os habitantes de Caxias, dos quais depende, em grande parte, o bom êxito das providências empregadas em benefício da comunhão".

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Duplo ataque

Outro trecho da reportagem de 4 de novembro de 1918 alertava para os sintomas verificados nos aparelhos respiratório e digestivo:

"A moléstia eminentemente contagiosa tem percorrido com extraordinária rapidez o mundo inteiro, sem que tenha sido possível circunscrevê-la. Benigna, ordinariamente catarral, ataca ora um, ora mais do que um aparelho do organismo humano. Às vezes, ataca o aparelho respiratório, provocando tosse; outra, o aparelho digestivo, determinando vômitos, diarréia, etc. No começo, tem a aparência de forte resfriamento vulgar". 

A Praça Dante em 1920 

Quase não há fotos do centro de Caxias durante o surto de gripe espanhola, entre finais de 1918 e 1919, tampouco registros das medidas sanitárias junto aos vagões da Estação Férrea. O registro acima, do início da década de 1920, traz o cenário da Praça Dante Alighieri pós-epidemia, uma concentração de pessoas impensável dois anos antes, quando a cidade recolheu-se em casa. Trata-se de uma cerimônia religiosa captada a partir da Rua Marquês do Herval, com o recém-construído prédio do Bispado, a Catedral Diocesana, o casarão que abrigou a loja “A Economia do Povo” (embrião da Casa Magnabosco, de Raymundo Magnabosco) e o casarão de alvenaria da família Serafini (onde viveu a jovem Flora Serafini, filha do fotógrafo Giovanni Battista Serafini e esposa de Raymundo). 

Na praça ainda cercada por muros, o busto de Dante Alighieri, surgido em 1914 e envolto por grades (à frente), e o de Júlio Prates de Castilhos (ao fundo).

Purgativo e dieta

Na edição de 4 de novembro de 1918, o jornal "O Brazil" também reproduziu várias recomendações publicadas em outros periódicos editados no país:

"Como primeira medicação, deve-se recorrer a um purgativo, que pode ser óleo de rícino, limonada de citrato de magnésia ou o simples purgante de sal. Caso o estôomago não suporte o purgativo, far-se-á, então, uma lavagem intestinal com um litro de água fervida morna. 

Duas ou três horas depois, se a febre for alta, o doente deve tomar uma cápsula de vinte centigramas de quinino. Depois, tomará um chá de sabugueiro ou de tília. Para as dores, se forem intensas, usará a aspirina, um ou dois comprimidos de meia grama por dia.

O regime alimentar deve consistir em leite, café fraco, chá da índia, chá de canela, caldos de galinha e caldos de cereais. O doente guardará o leito desde as primeiras manifestações da moléstia, a fim de evitar as complicações. Tornamos a acentuar que essas instruções devem ser seguidas até a chegada do médico. Só este pode verificar a forma da moléstia, aquilatar da resistência do doente, conhecer o bom ou mau funcionamento dos seus órgãos, para traçar com segurança o tratamento adequado". 

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