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Memória22/04/2020 | 07h00Atualizada em 22/04/2020 | 07h00

A chegada da Romi-Isetta a Caxias em 1958

Veículo foi produzido no Brasil entre 1956 e 1961 e hoje é item de colecionador

A chegada da Romi-Isetta a Caxias em 1958 Studio Geremia,Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami/Divulgação
A Romi-Isetta estacionada na Praça Rui Barbosa em 1958, em um registro do Studio Geremia feito a partir das escadarias da Catedral Foto: Studio Geremia,Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami / Divulgação

Até hoje ele é objeto de desejo de centenas de colecionadores e aficionados por carros antigos pelo Brasil, muito em função de seu design compacto e arrojado. E duas imagens localizadas junto ao acervo do Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami trazem à tona a história do veículo, à época de sua chegada a Caxias do Sul, em 1958. Falamos da Romi-Isetta, considerado o primeiro carro de passeio fabricado em série no Brasil (leia detalhes no quadro abaixo).

Toda essa história tem origem na Itália do pós-guerra, mais especificamente em 1953. Foi quando, durante o Salão do Automóvel de Turin, a empresa de refrigeradores e motonetas Iso apresentou um modelo de custo baixo, em consonância com as restrições do período e a nova realidade econômica da Europa. Projeto dos engenheiros Ermenegildo Preti e Pierluigi Raggi, a Isetta trazia como diferenciais uma porta frontal única para “facilitar” a entrada do passageiro, cabine em formato oval, velocidade máxima de 85 quilômetros por hora e, principalmente, baixo consumo de combustível – até 25 km com apenas um litro de gasolina. 

Apesar de todas essas vantagens, o veículo teve vida curta na Itália, e sua produção encerrou-se em 1956. O design, porém, espalhou-se pelo mundo, com fábricas autorizadas produzindo o veículo na França, Espanha, Alemanha, Reino Unido e, logicamente, no Brasil. Por aqui, coube às Indústrias Romi S.A, com sede em São Miguel do Oeste (SP), o direito da linha de montagem - daí o nome Romi-Isetta. 

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A Romi-Isetta estacionada na Praça Rui Barbosa em 1958, em um registro do Studio Geremia feito a partir das escadarias da Catedral.<!-- NICAID(14482693) -->
Veículo atraiu dezenos de curiosos à antiga Praça Rui Barbosa em 1958Foto: Studio Geremia,Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami / Divulgação

Parceria

Você tem informações mais precisas sobre o contexto das duas fotos ao lado, com a exposição do veículo na Praça Dante em meio a dezenas de curiosos? Reconhece algum dos meninos da imagem? Envie suas informações para o e-mail rodrigolopes33@gmail.com. A hipótese mais provável é de que alguma antiga revenda ou concessionária local tenha promovido a ação.

O veículo

A produção da Romi-Isetta no Brasil teve início em 1955, encampada pela Romi S.A., dos empresários Américo Romi e Carlos Chiti. A chegada ao mercado da época, então àvido por novidades, deu-se em 1956, com uma ampla badalação em torno de suas características: design futurista, porta frontal e apenas um banco como assento, ideal para ser “o segundo carro da família”, conforme a publicidade da época. 

Foram cerca de três mil unidades fabricadas no Brasil, até a produção ser encerrada, em 1961. Muitos modelos originais, porém encontram-se ainda hoje preservados por colecionadores ou perdidos por aí. Será que temos algum exemplar em Caxias ou região?

Anúncio do veículo Romi-Isetta em 1957, publicado no jornal O Estado de São Paulo.<!-- NICAID(14482694) -->
Anúncio de 1957 destacava o carro como “a solução definitiva para o problema do transporte pessoal nas grandes cidades”Foto: Studio Geremia,Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami / Divulgação

Curiosidades

:: Por ter apenas uma porta, muitos historiadores não reconhecem a Romi-Isetta como o primeiro carro em série fabricado totalmente no país, título atribuído ao Fusca, em 1959.
:: Era necessário entrar de costas, baixar a cabeça e ir se encaixando no banco inteiriço – que acomodava, quanto muito, uma criança ou um caroneiro não muito grande.
:: Para fechar a porta era preciso puxar o volante, dobrável e preso a ela. No painel só havia o velocímetro. Não dispunha de marcador de combustível nem porta-malas. As duas rodas traseiras ficavam bastante próximas, dando a impressão de um veículo de apenas três.
:: A alavanca do câmbio, manual de quatro marchas, ficava na lateral esquerda, local da porta do motorista nos carros convencionais. Possuía uma abertura no teto, que funcionava também como saída de emergência.
:: O veículo pesava 350 quilos, distribuídos em 2,25 metros de comprimento por 1,35 de largura e 1,35 de altura.
:: A Romi-Isetta custava 60% mais caro que o Fusca, pois carecia do incentivos fiscais dados pelo presidente Juscelino Kubitschek aos carros com duas portas ou mais.

Fontes

Parte das informações desta página foi reproduzida do site oficial da empresa Romi, fundada em Santa Bárbara do Oeste (SP) em 1930, como uma oficina de reparo de automóveis. No site www.romi.com é possível acompanhar uma detalhada linha do tempo e fazer o download do livro Oficina dos Sonhos – Américo Emílio Romi, aventuras de um pioneiro.

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