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Abril azul31/03/2020 | 17h59Atualizada em 31/03/2020 | 18h42

Professoras da rede municipal de Caxias do Sul lançam campanha de conscientização ao autismo

Conexão Azul sugere que caxienses vistam-se de azul no dia 2 de abril, data alusiva ao Transtorno do Espectro Autista (TEA)

Professoras da rede municipal de Caxias do Sul lançam campanha de conscientização ao autismo Diogo Sallaberry/Agencia RBS
Nesta quinta-feira (2), vista azul e use a #EmCasaComAmor Foto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS

A próxima quinta-feira (2) é reservada para tratar de um tema importante nos âmbitos educacional e social: o autismo. A data será explorada por professoras da rede municipal que trabalham com educação especial em Caxias do Sul, nas salas de recursos das escolas. O intuito é conscientizar a população da cidade a respeito do Transtorno do Espectro Autista (TEA).

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Professores, profissionais da saúde, pais e aqueles que tem alguma proximidade com o transtorno vestirão azul e usarão a #EmCasaComAmor nas plataformas digitais. A cor azul é símbolo do autismo pois a maioria dos casos envolve o sexo masculino. O Conexão Azul, evento de conscientização nas redes sociais, começou ainda no último sábado. 

— Nosso papel como professores da área de educação especial é tentar desmistificar muito esses tabus. Como? Com informação verdadeira e científica. Mas espero que um dia não seja mais necessário ter dias específicos para conscientizar a população. E que os grupos minoritários possam ser tratados com respeito — diz Marijara Gobbi, gerente da Educação Especial da Secretaria Municipal da Educação (Smed).

APRENDER BRINCANDO

Desde o dia 23 de março, um grupo de sete professoras da educação especial resolveu unir-se para auxiliar famílias que contam com crianças com alguma dificuldade de aprendizagem, seja ela síndrome, transtorno, doença ou afins, especialmente neste período de distanciamento social, necessário para conter o avanço do coronavírus. A ideia do grupo resultou na criação da página no Facebook Aprender Brincando

—  A ideia é propor sugestões nestes dias de afastamento da escola, de uma forma lúdica, envolvendo mães, pais e as crianças — explica a professora Mara Rossatto, especialista em educação especial e neuropsicopedagogia. 

Há pouco mais de uma semana no ar, a página já conta mais de 300 publicações e cerca de 700 curtidas. Há vídeos, sugestões de atividades e até material de apoio para adultos que ainda estão aprendendo sobre educação especial. 

— Percebo que os diferentes olhares de cada colega contribuem para que a página contemple diversas habilidades: com o olhar de uma das professoras mais voltado para, a expressão corporal, equilíbrio ou movimento; outra mais pontual, com uma preocupação maior na apuração da motricidade fina; ou mais voltado à lógica, a observação e a compreensão — expõe Mara. 

A ideia do grupo responsável pelo projeto é manter a página depois que este período conturbado de distanciamento social terminar. As envolvidas ressaltam que nem todas as atividades são criações delas, mas que são compartilhadas por profissionais da educação especial. Por isso, são pensadas para esse público. 

FILTRO NO FACEBOOK

O professora Mara desenvolveu um filtro no Facebook para facilitar o engajamento dos interessados com a causa. As outras educadoras envolvidas com o projeto já aderiram. Confira: 

ENTENDA O AUTISMO

As discussões a respeito do tema não são recentes. No entanto, muito ainda precisa ser dito quando tratamos de transtornos, síndromes e doenças. O autismo é caracterizado por uma dificuldade na comunicação social e comportamental. Há vários espectros, que são níveis do transtorno. 

— Pessoas com autismo podem ou não fazer contato visual, por vezes não apresentam comportamentos repetitivos, estereotipados (como balançar-se, por exemplo) e não são "frias", como é comum ouvirmos, apenas apresentam uma maneira diferente de se relacionar com o mundo. O autismo não tem "cara", quer dizer, não há traços físicos que identifiquem um indivíduo que está no espectro — explica a professora Viviane Schorn, especialista em psicopedagogia e inclusão. 

Ela explica, ainda, a diferença entre síndrome, transtorno e doença: 

 — De maneira bastante simples, doença é uma condição que pode ou não ser permanente, é algo tratável. O autismo não é doença, portanto, não tem cura. Hoje tratam-se apenas os sintomas que muitas vezes decorrem de outras comorbidades que se associam a essa condição. Já em uma síndrome, ela geralmente possui sinais mais visíveis, como as pessoas com Down. O transtorno de neurodesenvolvimento, que é o caso do autismo, está associado principalmente a questões neurológicas, que podem afetar uma ou diversas áreas do desenvolvimento.   

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