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Coronavírus26/03/2020 | 08h00Atualizada em 26/03/2020 | 09h07

Na rua por você: Noel da Silva garante a entrega de comida para dezenas de famílias em Caxias do Sul

Além dos profissionais da saúde, inúmeros trabalhadores e empreendedores deixam de fazer isolamento para garantir conforto e segurança de milhares

Na rua por você: Noel da Silva garante a entrega de comida para dezenas de famílias em Caxias do Sul Antonio Valiente/Agencia RBS
Máscara e luva são artefatos de proteção para o motoboy Foto: Antonio Valiente / Agencia RBS

Na semana passada, o Brasil fez reverência a médicos e demais profissionais da saúde. É uma justa homenagem para uma área vital na luta contra o coronavírus. No entanto, outras dezenas de profissionais estão nas ruas para garantir o conforto e a segurança de quem está em casa no isolamento. Eles também merecem o seu aplauso.

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Sobre duas rodas para o seu conforto

Em 13 anos como motoboy, Noel Antônio da Silva, 33, jamais havia experimentado tantas sensações diferentes ao lado de sua companheira de trabalho, uma moto Honda XRE 190.

É uma transformação marcada por sutilezas. No trânsito, motoristas têm dado passagem e preferência. Desapareceram os costumeiros xingamentos de quem não compreende a urgência de uma entrega. É uma valorização a uma função que garante o sustento de inúmeras famílias, tanto das que estão isoladas quanto das que dependem desse trabalho informal.

Atuando em dois restaurantes, Silva agora tem trabalho dobrado. Para cada pessoa confinada, ele transporta algum tipo de sabor. Vê satisfação no outro e obtém melhoria de renda para si. Quando o expediente termina perto da meia-noite, ainda encontra tempo para transportar compras de mercado. Nesta semana, levou um rancho para Bento Gonçalves _ o cliente temia sair de casa.

Infelizmente, é um cenário paradoxal. Se há mais entregas a serem feitas, o coronavírus pode tirar esse trabalho de Silva. Por precaução, o trabalhador usa máscara e luvas. A mãe dele, a costureira Odete Antônio da Silva, é quem confecciona a proteção do rosto. 

O motoboy não quer ser o transmissor de doenças e tampouco ser contaminado. Cair doente em razão do vírus ou de outra doença transmissível colocaria ele numa situação complicada. Ele não tem carteira assinada, não tem plano de saúde e perderia a única fonte de renda. Sequer teria direito ao auxílio-doença. Como outros motoboys, e são muitos na mesma situação em Caxias, seria um mergulho ao inferno.

- Tem um certo preconceito. Me veem de máscara e acham que tenho o vírus. Alguns ficam com receio e não sabem que uso isso para proteger eles também. Mas não vamos parar. Se é para o bem de todos, vamos continuar entregando - orgulha-se o motoboy.

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