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Prevenção na linha de frente26/03/2020 | 13h28Atualizada em 26/03/2020 | 13h28

Empresas e entidades da Serra se mobilizam para equipar hospitais no combate ao coronavírus

Ações têm o objetivo de doar materiais de proteção a profissionais de saúde

Empresas e entidades da Serra se mobilizam para equipar hospitais no combate ao coronavírus CTA/IFRS/Divulgação
Suportes dos protetores são fabricados em impressoras 3D Foto: CTA/IFRS / Divulgação

Em meio aos esforços de combate à pandemia de coronavírus que obrigaram algumas empresas a suspender as atividades e outros tantos trabalhadores a adotar o home office, algumas ações da iniciativa privada na Serra estão voltadas a equipar os hospitais que se preparam para receber muitos pacientes com covid-19. Pelo menos duas forças-tarefas surgiram na região nesta semana. Uma delas, para a produção de visores para os profissionais de saúde, começou em Bento Gonçalves e já se espalha por cidades do entorno. Já em Caxias, um financiamento coletivo busca recursos para compra de caixas acrílicas para proteger médicos e enfermeiros no momento da entubação de um paciente, quando há alto risco de contaminação.

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A produção dos visores começou a ser articulada no domingo, a partir de uma postagem no Instagram. O empresário de Bento Gonçalves, Otávio Carvalho, soube por meio da rede social que havia a possibilidade de fabricar, com impressoras 3D, os suportes que fixam os protetores na cabeça dos profissionais. Ele procurou, então, a Secretaria da Saúde de Bento Gonçalves, que sinalizou a necessidade do material para as unidades de atendimento.

Com o sinal positivo, formou-se uma rede de proprietários de impressoras 3D dispostos a fabricar os visores e doar para os hospitais. Também juntaram-se aos esforços empresas de Garibaldi e Carlos Barbosa que doam o plástico PET (transparente), além de uma empresa de Bento Gonçalves que doou a matéria prima para a impressão das peças restantes. Já o Instituto Federal de Educação (IFRS) auxilia com impressão e corte a laser das peças produzidas em PET.

Até agora, o grupo já conta com 19 pessoas que possuem impressoras 3D e contribuem também com matéria prima. Além de Bento, a força-tarefa já recebeu pedidos de Carlos Barbosa, Garibaldi e Cotiporã.

— Desde ontem estamos com mais força. Temos 40 visores prontos e hoje devemos preparar mais 60. Até amanhã devemos ter 130. Não temos data para parar. Hoje tivemos o contato de Cotiporã e vamos atender enquanto tiver demanda — afirma Carvalho, que possui um empresa de automação industrial e levou a impressora 3D para casa e aguarda um segundo equipamento para reforçar a produção.

O grupo está aberto à adesão de mais pessoas e também a doações de matéria prima.

— Se tiver empresa que quiser doar, estamos aceitando, principalmente para a semana que vem. Não pedimos dinheiro, só o material — destaca.

Caixas protetoras não existem no mercado

Em Caxias do Sul, o financiamento coletivo para compra de caixas de acrílico tem o objetivo de arrecadar R$ 100 mil, valor suficiente para a aquisição de cerca de 550 unidades. Conforme o Diori Lovatto Ricaldi, coordenador geral da Associação Acelera Serra, criadora da campanha, a quantidade é suficiente para atender a cerca de 100 hospitais.

A caixa é utilizada no momento da entubação de um paciente, quando há dispersão dos chamados aerossóis, que carregam o vírus e se dispersam pelo ambiente. Com a proteção, é possível manter o material confinado e evitar a contaminação dos profissionais.

— Esse produto não existe no mercado. Desenvolvemos com três fornecedores para doar primeiro para os hospitais públicos e depois para os privados. Nós temos a vaquinha e também passamos o contato dos fornecedores para quem quiser comprar em vez de esperar. É um produto muito simples, mas muito eficiente, que atua naquele momento que tem muito contágio — explica Ricaldi.

A intenção, segundo o coordenador, é começar as doações pelos hospitais da região e ampliar para outras parte do Estado e do país na medida do possível. O foco é principalmente os estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, que registram as temperaturas mais baixas no inverno. Em Caxias, o Hospital Pompéia já encomendou oito unidades.

As doações podem ser realizadas pelo site vakinha.com.br. A arrecadação começou nesta quarta-feira (25) e até o meio-dia desta quinta-feira (26) haviam sido levantados R$ 360.

Outro financiamento coletivo em Caxias busca arrecadar R$ 40 mil para a compra de aventais, máscaras e roupas de UTI. Até o meio-dia desta quinta a campanha, já contabilizava R$ 11,5 mil. A ação é organizada pela presidente do Conselho da Mulher Empresária da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC), Ágatha Tonietto, e as doações também podem ser encaminhadas pelo site vakinha.com.br.

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