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Coronavírus25/03/2020 | 14h27Atualizada em 25/03/2020 | 14h31

Coordenadora de Saúde da Serra alerta sobre importância de medidas para evitar sobrecarga nos hospitais

Tatiane Fiorio defendeu restrições determinadas em decretos estaduais e municipais

Coordenadora de Saúde da Serra alerta sobre importância de medidas para evitar sobrecarga nos hospitais Isadora Neumann/Agencia RBS
Foto: Isadora Neumann / Agencia RBS

Em entrevista ao programa Gaúcha Hoje da rádio Gaúcha Serra na manhã desta quarta-feira (25), a titular da 5ª Coordenadoria Regional da Saúde (CRS), Tatiane Misturini Fiorio, afirmou que espera que os recursos públicos que serão destinados à ampliação da estrutura de hospitais sejam suficientes, não sendo necessárias doações, embora tenha destacado esse tipo de engajamento por parte da população. Ela explica que isso vai depender de as medidas de contenção da propagação do coronavírus proporcionarem um controle no número de casos.

— A gente acredita que vá dar conta. Tudo vai depender de a gente conseguir o achatamento da curva e fazer o atendimento das pessoas dentro da capacidade que a gente tem. Se a gente conseguir diminuir a velocidade, o número de pessoas que vão precisar de leitos ao mesmo tempo diminui. Com a estrutura que a gente tem organizada, e que está aumentando, vai conseguir passar essa situação. Agora, se tivermos um pico muito elevado, não há sistema de saúde no mundo que comporte esse quadro — destacou.

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Tatiane também comentou a fala do presidente Jair Bolsonaro em pronunciamento na noite desta terça-feira (24). O presidente criticou medidas de restrição impostas por decretos municipais e estaduais. Em cadeia nacional, defendeu que permaneçam em isolamento apenas os idosos e outras pessoas vulneráveis à doença, e, entre outros pontos, que as escolas voltem a funcionar. Para a coordenadora de saúde, as medidas implantadas são eficazes e necessárias para evitar a rápida propagação da doença.

— Acredito que todas as medidas que estão sendo tomadas em nível de município, Estado e União através do ministro Luiz Henrique Mandetta e do Ministério da Saúde são prudentes, coerentes e estão corretas.

E defendeu o fechamento das escolas.

— Como já foi colocado, sim, o nosso maior grupo de risco são as pessoas idosas ou com comorbidade, isso está posto. A gente tem observado que grande parte dos pacientes, crianças e jovens adultos são assintomáticos. O que acontece muitas vezes é que a pessoa não sabe o que tem. E acaba indo visitar a avó, um avô, um parente, e pode transmitir o vírus sem conhecimento. A partir do momento que temos o fechamento das escolas e diminuição da circulação, evitamos a propagação. Temos que diminuir a velocidade de propagação para que tanto o sistema de saúde público quanto o privado dê conta da demanda que vai surgir — pontuou.

Ouça a entrevista na íntegra:

Tatiane explica que a Secretaria Estadual enviou ao Ministério da Saúde qual a estrutura de leitos e equipamentos a mais que os hospitais vão precisar para poder operar na capacidade máxima - isto é, até o ponto em que a estrutura física de cada um proporciona e também até o ponto em que as equipes de cada hospital podem dar conta dos atendimentos. O número de leitos de internação, isolamento e UTI que serão ampliados e recursos para isso ainda dependem de uma definição do Ministério da Saúde, o que é esperado para os próximos dias.

Segundo Tatiane, há hospitais que não têm capacidade de aumentar muito a estrutura em relação à atual. Já o Hospital Geral de Caxias do Sul e o São Carlos, de Farroupilha, por exemplo,  informaram que estão pedindo o dobro de leitos de UTI; cada instituição tem 10 e quer ampliar em mais 10 esse número.

A coordenadora informa que os hospitais da Serra têm 62 leitos de UTI pelo SUS, o que já é defasado em condições normais, em que o ideal seria ter de 100 a 120 leitos. Por outro lado, os procedimentos eletivos, isto é, aqueles que podem ser agendados, estão sendo suspensos e, com isso, haverá mais disponibilidade de leitos para atender os pacientes com sintomas respiratórios.

Em relação aos recursos públicos, eles virão tanto na forma de leitos, já com os equipamentos necessários, enviados pelo Ministério da Saúde, quanto na forma de verbas do próprio ministério, do Estado e de emendas parlamentares, além de outras possibilidades, como verbas do Poder Judiciário.

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Sobre os equipamentos de proteção individual para os profissionais de saúde que estão na ponta dos atendimentos, a coordenadora regional reconhece que estão em falta.

— As pessoas da população acabaram comprando também e estamos com dificuldade de comprar. E temos relatos de vários municípios e Estado dessa dificuldade. O Ministério fez uma compra bastante grande, e receberemos até o final desta semana um quantitativo para ser distribuído — afirmou.

A coordenadora de Saúde assegurou que todos os casos registrados na rede de coronavírus são notificados e as confirmações são divulgadas. Ela reconheceu que há uma defasagem de tempo na atualização dos levantamentos divulgados no boletim da Secretaria Estadual da Saúde, mas reforça que todos os dados são informados. 

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