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Mistério24/02/2020 | 20h30Atualizada em 25/02/2020 | 10h00

Homem que morreu em rodoviária de Caxias do Sul passava as noites em carro

Com versões diferentes, circunstâncias da morte de Gilberto Gubert serão investigadas pela Polícia Civil

Homem que morreu em rodoviária de Caxias do Sul passava as noites em carro Ivi Alves Silva / Reprodução/Reprodução
Foto: Ivi Alves Silva / Reprodução / Reprodução

O taxista Homero Alves da Silva, 60, trabalha há 34 anos na Estação Rodoviária de Caxias do Sul e conta que há cerca de dois meses Gilberto Gubert, 65, fazia do Sandero, com placas de Bento Gonçalves, a casa dele. Chegava por volta das 22h, estacionava o carro na via de embarque sob a cobertura metálica ou um pouquinho mais adiante no lado oposto ao prédio. Desligava o veículo e dormia dentro dele. De tempo em tempo, saía, fumava um cigarro, caminhava um pouco e voltava a adormecer. Quando o dia começava a clarear, ele descia do carro, entrava na rodoviária, ia ao banheiro lavar o rosto, tomava um café, pegava o carro e partia. Os passos se repetiam todas as noites. Ainda conforme Silva, inicialmente, Gubert deixava o carro dentro do estacionamento particular que fica no local. Depois de um tempo, trocou de lugar e passou a pernoitar na área da rodoviária. A direção da estação disse desconhecer a presença do idoso no local.

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O motorista pouco sabia sobre a vida de Gubert, além da rotina que acompanhava do ponto de táxi que fica alguns metros distante. Contou que certa vez, Gubert mencionou que tinha filhos, mas não avançou na conversa. Também comentou que trabalhava com vendas. 

– Nunca perguntamos o que ele vendia. Fazia uns dois meses que ele posava ali. De manhã, levantava, subia, tomava o cafezinho dele e depois saía fazer os giros dele. Voltava de noite – conta Silva.

Na tarde do último domingo, o taxista presenciou quando uma senhora desconfiou do fato de Gubert estar há muitas horas parado dentro do carro. Uma viatura da Brigada Militar chegava ao local e foi acionada. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi chamado e, ao verificar, constatou que o idoso estava sem vida. Silva acredita que Gubert estivesse morto há muitas horas, talvez, desde a madrugada, já que ele passou a noite no local e não saiu pela manhã.

– Ele posou ali e, de manhã, não saiu dali. Foi achado umas três da tarde – relatou o taxista.

Esse relato corrobora com que o segurança do estacionamento José Valdir Teixeira de Lemos disse à reportagem ainda na tarde de domingo. Uma versão diferente deu o segurança da rodoviária Sidnei da Silva. Ele falou que Gubert havia chegado por volta das 15h de domingo no local, já que o Sandero estava estacionado na vaga que o segurança havia deixado ao sair para um compromisso. A única câmera de monitoramento no lado externo do prédio fica junto à entrada para o embarque e está direcionada para o sentido oposto ao ponto onde estava o carro de Gubert.

A Polícia Civil vai investigar as circunstâncias em que a morte ocorreu. O Posto-Médico Legal (PML) diz que a causa do óbito é indefinida. No carro de Gubert foi encontrado um revólver calibre .38, mas o corpo não tinha marcas de violência, segundo a BM.

Gubert foi cremado na tarde de ontem em Caxias.

Para família, idoso morava em hotel

Depois da cerimônia de despedida, no Memorial Crematório São José, na tarde de ontem, os familiares de Gilberto Gubert, 65 anos, falaram sobre a vida do idoso e sobre o mistério que se formou a partir da morte dele. Gubert foi encontrado sem vida dentro do carro dele, na Estação Rodoviária de Caxias do Sul, na tarde do último domingo.

Entristecidos com a perda do parente e cansados das publicações envolvendo o caso nas redes sociais, a família disse que mantinha contato frequente com o idoso. Gubert tem um filho do primeiro casamento e outro de uma segunda união e uma família grande com seis irmãos – um deles já morto. Chegou a morar em Bento Gonçalves por algum tempo, mas voltou a Caxias há cerca de quatro anos. Vivia com um irmão em uma casa no bairro São José. Foi depois da morte desse irmão, em meados de novembro do ano passado, que Gubert passou a morar em hotéis. Dizia aos familiares que ainda não tinha encontrado o lugar que queria para viver. Aposentado há alguns anos, havia exercido por muito tempo a atividade de representante farmacêutico e não tinha problemas financeiros, que a família soubesse. Em nenhum momento os parentes souberam que ele pudesse estar passando as noite no carro na rodoviária. Ainda não acreditam nisso. Nem sabiam da existência da arma achada com ele.

Gubert é descrito pela família como um homem de bem, que não contava muito sobre a própria vida à família.   

– Ele não se abria. A gente tinha que descobri as coisas e ajudar ele. Depois que o irmão faleceu, ele se afastou um pouco mais – contou um familiar que prefere não ter o nome divulgado.

Sobre a morte, os parentes disseram que foi causada por um infarto. Que ele não tinha problemas de saúde, a não ser de mobilidade em uma perna, inclusive, tinha feito exames em meados do ano passado. Dificuldade que também foi descrita pelas pessoas que passaram a conviver com ele na estação rodoviária.

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