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Comunidade30/12/2019 | 13h30Atualizada em 30/12/2019 | 13h30

Qual foi a marca nas cidades nos Anos 10? Doutora em Urbanismo responde

 Não é só 2019 que termina nesta terça-feira, mas também a década

Qual foi a marca nas cidades nos Anos 10? Doutora em Urbanismo responde Felipe Nyland/Agencia RBS
Giovana Ulian é engenheira civil e doutora em Urbanismo Foto: Felipe Nyland / Agencia RBS

Não é só 2019 que termina nesta terça-feira, mas também a década, os chamados Anos 10. A coluna conversou com a engenheira civil e doutora em Urbanismo Giovana Ulian para identificar as principais marcas dos Anos 10 na evolução das cidades. Confira: 

Qual a marca dos Anos 10 nas cidades?
Giovana Ulian:
É o espraiamento, o aumento das cidades de forma horizontal, com os novos loteamentos, a expansão urbana. É uma marca muito forte, a partir de ferramentas de financiamento e programas de habitação do governo. Está causando um grande problema, que é o aumento das distâncias, e a eficiência das cidades diminuiu. Também está muito forte a questão da habitação social na periferia. São empreendimentos grandes e afastados dos serviços públicos, motivados pelos programas de financiamento à moradia. Planejamento urbano tem que dosar arquitetura e urbanismo. Nas últimas décadas, o urbanismo dominou, só se pensou em fazer mais ruas, e não na qualidade do espaço público. E isso não é bom.

Que acréscimos se incorporaram à vida das cidades nos Anos 10?
Os condomínios fechados. Se acentuaram nos últimos 10 anos. Tinham função de dar segurança. Não sei até que ponto ele (os condomínios) vai entregar. Para quem compra (imóvel) em condomínio fechado, é um diferencial. É segregador, mexe com a conectividade da cidade, com a interação. Não é legal, mas, sob o raciocínio de quem compra, "pelo menos lá dentro eu me sinto seguro". É uma solução torta para um problema que é comum.

Que lacunas não foram resolvidas nos Anos 10?
Mobilidade é resolvida (sob a ótica das administrações) praticamente apenas com infraestrutura, mexer no sistema viário. A lacuna que fica é por que a gente não pergunta para as pessoas por que elas se deslocam. A gente tem de evitar que as pessoas se desloquem tanto. A lacuna é que estamos resolvendo os problemas da cidade somente com infraestrutura, e não com ação. Na ocupação dos espaços públicos, a capacidade de investimento das prefeituras é muito baixa. Outras demandas batem à porta antes dessas demandas. Parcerias são outra lacuna. A gente precisa reverter isso, com estratégias de transparência. Outra disparidade é entre tecnologia do sistema público com o privado. Essas coisas de inovação e transparência são facilmente resolvidas com um bom site. Disparidade total. Precisa enxugar o Estado para fazer o que só ele possa fazer.

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