"Quando consegui abrir a porta e vi que era um buraco, fiquei apavorada", diz motorista que caiu em cratera em Flores da Cunha - Geral - Pioneiro

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Entrevista20/11/2019 | 17h42Atualizada em 20/11/2019 | 18h36

"Quando consegui abrir a porta e vi que era um buraco, fiquei apavorada", diz motorista que caiu em cratera em Flores da Cunha

Acidente ocorreu na tarde desta terça, quando o veículo que a vítima dirigia caiu em buraco 

"Quando consegui abrir a porta e vi que era um buraco, fiquei apavorada", diz motorista que caiu em cratera em Flores da Cunha Antonio Valiente/Agencia RBS
Acidente ocorreu na tarde desta terça, quando o veículo que a vítima dirigia caiu em buraco Foto: Antonio Valiente / Agencia RBS

A motorista do Honda City que caiu em uma cratera em Flores da Cunha, Vanessa Cavagnoli, 35 anos, permanece, na tarde desta quarta-feira (20), internada no Hospital do Círculo em Caxias do Sul. Ela passou por exames de raio-X e tomografia da face e aguardava um posicionamento médico, quando recebeu a reportagem no quarto do hospital nesta tarde.

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É possível que, além da fratura no nariz, Vanessa tenha outra fratura na face. Com o lado esquerdo do rosto, incluindo o olho, ainda muito inchado, escoriações no pulso direito e sem saber se precisaria ou não passar por procedimento cirúrgico, ela recebia medicação e aparentava tranquilidade. Ela contou que voltava de Caxias com a filha Andressa Carnizella, 12, no banco do carona, e seguia pela Rua Júlio de Castilhos. Ao chegar no cruzamento com a General João Manoel, no bairro Aparecida, dobrou à direita em direção ao salão de beleza onde trabalha às terças-feiras como massoterapeuta e não viu a cratera. O buraco de cerca de três metros de diâmetro por dois de profundidade fica cerca de cinco metros distante da esquina e o veículo caiu inteiro dentro dele. O acidente ocorreu por volta das 14h.

Segundo a prefeitura, o trecho fica sobre a antiga galeria de pedras – construída há mais de 50 anos – que atualmente canaliza 70% do escoamento da água da chuva da cidade. A pavimentação asfáltica foi feita há cerca de sete anos. A galeria subterrânea tem aproximadamente dois quilômetros de extensão e atravessa o centro da cidade, com início no bairro São José até o bairro Aparecida. Ainda de acordo com o município, alguns trechos contam com reforço de concreto, não sendo o caso deste onde ocorreu o acidente. Uma vistoria realizada em 2016 teria contatado a viabilidade da estrutura.

Asfalto cede e carro é
Foto: Róger Rufatto / agência RBS

Confira trechos da entrevista:

Pioneiro: O que lembras do acidente?
Vanessa Cavagnoli:
Eu dobrei ali naquela rua, que era perto do meu trabalho, e a caçamba estava na minha frente. De repente, escuto um barulho horroroso e não sei o que aconteceu. Foi uma coisa muito estranha. Achei que tinha entrado embaixo da caçamba. Mas, quando consegui abrir a porta e vi que era um buraco, fiquei apavorada. Pensei: como caí aqui? Não vi cone, nada. A senhora que me socorreu disse que abriu o buraco na hora que passou a caçamba, só que eu não cheguei a ver. Não deu tempo. Aí, consegui sair. As pessoas me socorreram e veio o Samu. Tiraram minha filha, que graças a Deus, não teve nada, nenhum arranhão. Isso para mim foi nascer de novo, (fiquei) bem feliz por não ter acontecido nada com ela porque foi horrível.

Tu não estavas tão perto do caminhão...
Na verdade, eu tenho medo porque sempre cai pedra ou cascalho. Estava indo e, quando dobrei a esquina, não vi mais nada, escutei esse estouro e não sabia o que tinha acontecido. Depois que saí do carro que vi que era um buraco.

O airbag foi acionado?
Sim. Mas não sei se bati no volante ou se foi o airbag. Não lembro. Fiquei tonta. Estava toda ensanguentada. Perguntei para minha filha: tu está bem? Ela já tinha saído do carro também. Eu disse: vou sair (do buraco) porque estou tonta e estava cheio de pedra e tinha medo de desmaiar. Subi no carro e acho que foi um senhor que me ajudou e tirou minha filha também. É uma coisa muito louca.

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