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Saúde pública07/10/2019 | 16h35Atualizada em 08/10/2019 | 11h20

Colegas de menino que morreu de meningite em Caxias recebem medicamento

Crianças têm em média 10 anos e estudam na Escola Municipal Abramo Pezzi

Colegas de menino que morreu de meningite em Caxias recebem medicamento Antonio Valiente/Agencia RBS
Os alunos do 5º ano da Escola Municipal de Ensino Fundamental Abramo Pezzi, em Caxias do Sul, receberam medicamentos para meningite Foto: Antonio Valiente / Agencia RBS

Os alunos do 5º ano da Escola Municipal de Ensino Fundamental Abramo Pezzi, em Caxias do Sul, receberam medicamentos para meningite nesta segunda-feira. A medida foi adotada pela Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), após a morte de um dos estudantes, Theillor Martins Matos, 10 anos, ocorrida na Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) Zona Norte, na manhã do último sábado (5).

As aulas foram suspensas no estabelecimento nesta segunda. A direção da escola confirma que o motivo foi precaução. Uma equipe da vigilância esteve no local, e uma infectologista deixou um medicamento para ser distribuído a todas as pessoas que tiveram contato direto com a criança. A escola ligou para os pais, que levaram os filhos para receberem as doses. A turma em que Theillor estudava tem 20 crianças. A idade média é de 10 anos. Cinco professores que tiveram contato próximo ao menino também foram imunizados. As atividades na escola devem ser retomadas nesta terça, quando a vigilância voltará ao local para fornecer outras duas doses, encerrando assim a conduta preventiva.

Segundo a prefeitura, 90% dos alunos da classe estavam vacinados. A Vacina Meningocócica C está disponível nas unidades básicas de saúde (UBSs). São duas doses, aos 3 e 5 meses, e um reforço quando a criança completa um ano. Adolescentes de 11 a 14 anos devem receber uma dose única, como reforço. Ainda conforme a prefeitura, os não vacinados que encontravam-se nessa faixa etária foram orientados a fazer a vacina, nas UBSs.

O município informou que a família da vítima e os profissionais da UPA Zona Norte foram medicados tão logo constatou-se o caso, ainda no sábado. O critério para fornecimento da medicação preventiva é o contato íntimo e prolongado (quatro horas ou mais) com a vítima, em ambiente fechado.

De acordo com o registro de ocorrência policial, a causa da morte do menino foi meningite bacteriana aguda. A diretora da Abramo Pezzi, Danúbia Boeira Fritz, diz que ele frequentou a aula normalmente na última sexta-feira, e não apresentou nenhum sintoma. Inclusive, fez aulas de educação física. A orientação recebida na escola é que as pessoas que tiveram contato com a criança e que tenham qualquer sintoma, como dor de cabeça, febre, vômito, procurem atendimento médico.

Theillor foi levado pelos pais na UPA Zona Norte na noite da sexta-feira (4) com quadro de vômito. Ele foi atendido medicado e liberado. Na manhã seguinte, a mãe notou manchas vermelhas no corpo e levou o menino novamente à UPA. Ele sofreu sequentes paradas cardíacas durante a assistência e acabou morrendo. A Secretaria de Saúde do município informou que "está em contato com a gestão e equipe técnica da UPA Zona Norte, a fim de obter informações completas e esclarecer as circunstâncias do atendimento."

Theillor foi sepultado no domingo à tarde no Cemitério Público Municipal de Caxias.

O caso foi comunicado pelo município ao Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs). Segundo a Secretaria de Saúde do Estado, em virtude da gravidade do estado, durante o atendimento não foi possível a coleta de material (sangue ou líquido da medula) para análise pelo Laboratório Central do Estado (Lacen). Contudo, a partir dos sintomas (principalmente a presença de manchas vermelhas pelo corpo) e a rápida evolução, o caso foi considerado como positivo para infecção pela bactéria meningococo. Isso caracteriza-se como um diagnóstico clínico, já que no caso não haveria a possibilidade de diagnóstico laboratorial. No ano, contando com esse de Caxias do Sul, são 42 casos no Estado, sendo sete óbitos, o que está dentro dos padrões normais (ou endêmicos) da doença.

Como se dá o contágio 

:: Segundo portal do Ministério da Saúde, a meningite bacteriana, geralmente, é transmitida de pessoa para pessoa, por meio das vias respiratórias, por gotículas e secreções das vias aéreas superiores (do nariz e da garganta). O MS informa que algumas pessoas podem transportar as bactérias dentro ou sobre seus corpos sem estarem doentes. Elas são chamadas de "portadoras". A maioria dessas pessoas não adoece, mas ainda assim pode espalhar as bactérias para outros. 

:: Ainda conforme o portal do MS, devido à gravidade do quadro clínico, os casos suspeitos de meningite sempre são internados nos hospitais, por isso, ao se suspeitar de um caso, é urgente a procura por um pronto-socorro hospitalar para avaliação médica. Para tratamento das meningites bacterianas, faz-se uso de antibioticoterapia em ambiente hospitalar, com drogas de escolha e dosagens terapêuticas prescritas pelos médicos assistentes do caso.

:: Conforme a Secretaria Municipal de Saúde de Caxias, o período de transmissibilidade da doença, ou seja, entre o contato com a bactéria causadora e a manifestação dos sintomas varia de dois a dez dias, sendo, em média, de quatro dias. Diante de sintomas como febre alta e vômito, a orientação é procurar um serviço de saúde para avaliação.

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