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Meio ambiente27/09/2019 | 08h30Atualizada em 27/09/2019 | 09h40

Caxias do Sul terá inventário de resíduos sólidos

Coordenado pelo Instituto de Saneamento Ambiental da UCS, projeto pretende levantar e sistematizar dados dentro de dois anos

Caxias do Sul terá inventário de resíduos sólidos Porthus Junior/Agencia RBS
Inventário pretende concluir, dentro de dois anos, um levantamento de todos os resíduos que são gerados no município Foto: Porthus Junior / Agencia RBS

Atendendo à exigência do Plano Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), pensando em facilitar a gestão e ainda despertar potencialidades industriais da região, Caxias do Sul elabora o Plano Integrado de Gestão de Resíduos Sólidos (PIGRS).

Desenvolvido pelo Instituto de Saneamento Ambiental da Universidade de Caxias do Sul (ISAM-UCS), o Inventário de Resíduos Sólidos pretende concluir, dentro de dois anos, um levantamento de todos os resíduos que são gerados no município. Dentro do prazo previsto, os dados devem, ainda, ser sistematizados e publicados, de forma que colaborem para a tomada de decisões a respeito da gestão desse material.

— Via de regra é de responsabilidade da gestão pública o resíduo urbano, ou seja, resíduo doméstico e limpeza pública, porém, pela Política Nacional, devem ser integrados também os resíduos de serviços de Saúde, da Construção Civil, industriais, agrosilvopastoris, além de resíduos reversos, que são todos aqueles que devem retornar ao fabricante através dos comerciantes e distribuidores, como lâmpada, pilha, óleo combustível, pneus, eletroeletrônicos —  explica a diretora do Instituto de Saneamento Ambiental da UCS, professora Vania Schneider.

Ela ressalta que os resíduos não-urbanos continuam de responsabilidade dos geradores, porém, o poder público deve fazer a gestão, identificando todo e qualquer resíduo gerado no município.

Além da equipe multidisciplinar que elabora o projeto há cerca de um ano, o Inventário deverá contar com uma série de parcerias para o acesso às informações junto às secretarias municipais, comércio e indústria caxiense. O repasse de R$ 2,5 milhões provenientes do Fundo Municipal do Meio Ambiente (Fundema) foi aprovado em agosto, por unanimidade, pelo Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (Comdema). Este valor representa metade da verba para a execução do projeto, dando o pontapé inicial para os trabalhos, que segundo Vania, precisam ser fechados em até dois anos para evitar a desatualização dos dados. 

O restante do recuso será buscado junto a outras fontes, com editais de fomento e outros órgãos governamentais, pela UCS e entidades como a Câmara da Indústria e Comércio (CIC), Mobilização por Caxias (Mobi Caxias), e Instituto Ítalo Victor Bersani (IVB), que também participam do projeto.

O resultado do trabalho inédito para a região, de acordo com Vânia, poderá ser aproveitado por outros municípios, tendo em vista que a metodologia formulada a nível local poderia ser aplicada a outras cidades de regiões industrializadas. 

— Estamos falando de resíduos potencialmente perigosos. A logística reversa de alguns é antiga e está estabelecida, mas são ações pontuais, que não têm uma gestão integrada. É tudo questão de parar de olhar tudo como lixo e começar a olhar pelo potencial de risco ambiental, despertando na população o cuidado com esses materiais, no sentido de evitar que peguem carona com o resíduo doméstico.

Uma visão sócio-econômico-ambiental 

O ponto de partida do projeto é a questão ambiental, porém, de acordo com a diretora do ISAM-UCS, a sistematização de dados pode fomentar o setor industrial caxiense. 

— Quando a informação está metabolizada se consegue perceber os potenciais mercados e potenciais tecnologias que poderiam ser inseridas no sistema, este estudo pode despertar a vocação da indústria local pro saneamento, porque quando falo de rota tecnológica, estamos falando de motores, de peças metálicas, esteiras, tudo isso nossa indústria local produz.

Segundo a diretora, o retorno à indústria completa o ciclo de vida do produto, sendo este ciclo de responsabilidade compartilhada entre o consumidor, o comerciante e/ou fornecedor do produto e, claro, da indústria. Ações pontuais já ocorrem para coleta de tampinhas, eletroeletrônicos, e outros materiais, mas podem ser organizadas e potencializadas a partir do levantamento de dados integrados.

— É importante sairmos da visão de que tudo que é resíduo vai pra um lugar só. Continuo acreditando que algum dia o ser humano vai acordar. Vamos trabalhar no nível da informação, para subsidiar a tomada de decisão e abrir cenário pra possíveis novas vocações da indústria local. A ideia é estabelecer uma cadeia produtiva da reciclagem, da recuperação de materiais e recuperação energética. A gente vê o resíduo meramente como problema, mas ele pode ser solução.

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