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Saúde01/08/2019 | 16h00Atualizada em 01/08/2019 | 17h09

Médico espanhol especialista em câncer de pulmão participa de workshop em Caxias e alerta: "Pare de fumar"

Ramón Rami Porta estará na cidade nesta sexta e sábado apresentando dados sobre a doença

Médico espanhol especialista em câncer de pulmão participa de workshop em Caxias e alerta: "Pare de fumar" Bruno Alencastro/Agencia RBS
Foto: Bruno Alencastro / Agencia RBS

Ramón Rami Porta, 62 anos, é referência mundial quando o assunto é câncer de pulmão. Ele estará em Caxias do Sul nesta sexta e sábado participando do workshop sobre a doença, no Hospital Geral (HG). O evento vai reunir mais de 100 profissionais do Brasil.

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 Porta  preside várias instituições, mas o seu maior interesse é o estadiamento e o tratamento do câncer de pulmão, além da oncologia torácica em geral. É chefe clínico do Serviço de Cirurgia Torácica do Hospital Universitário Mútua Terrassa, na Espanha e presidiu o Comitê de Estadicação e Factores Pronósticos da Associação Internacional para o Estudo do Câncer do Pulmão, de 2009 a 2016. 

Atualmente, colabora no desenvolvimento da nova edição da classificação, previsto para 2024. Também é membro do CIBERES-Lung Câncer Group, um grupo de estudo de rede de apoio ao câncer de pulmão. Nesta sexta e sábado, ele está apresentando sua experiência para mais de 100 profissionais do Brasil, no HG, em Caxias do Sul.

Confira a  entrevista:

Pioneiro: Por que os casos de câncer de pulmão são tão altos?

Ramón Rami Porta: Porque não há uma forma eficaz de prevenção. O hábito de fumar é a principal causa do câncer e é muito difícil de erradicar. Eliminar o tabagismo depende do aumento nos investimento de programas para de fumar. Por outro lado, a exclusão da população de risco à base de tomografia computadorizada precisa de equipe e infraestrutura específicas. Esses recursos a maioria dos países não consegue oferecer, inclusive o Brasil. 

O fato do câncer de pulmão não ter sintomas específicos explica os altos índices de mortalidade?

É um dos fatores que causam a demora no diagnóstico. Diante de um cenário de tosse e expectoração, se pensa que o paciente possa ter um resfriado ou uma traqueobronquite. Em áreas onde a tuberculose é endêmica, os sintomas respiratórios são atribuídos somente a ela (tuberculose). Por isso é tão importante não tratar antes de ter um diagnóstico certeiro da doença respiratória. É preciso fazer um raio-x de frente e de perfil do tórax para ver se não há alterações pulmonares. Se forem constatadas,  a indicação é de exames mais complexos para poder chegar a um diagnóstico. 

É possível dizer que o câncer de pulmão tem cura? Quais os avanços (reais) no tratamento da doença?

A remoção completa do câncer é o único tratamento que se associa a uma sobrevida prolongada. Infelizmente, somente 20% dos pacientes podem se submeter a tratamento cirúrgico. O resto tem metástase no momento do diagnóstico, o tumor está avançado e o paciente não está em condições de submeter-se a uma cirurgia. Os avanços são de cirurgia minimamente invasiva. Com pequenas incisões e a ajuda de um microscópio de vídeo podem ser realizadas as mesmas operações que eram feitas com grandes aberturas da cavidade torácica.
A agressão é muito menor e a recuperação é muito mais rápida. Porém, o avanço nos últimos anos é a descoberta de mutações específicas no genoma celular e o desenvolvimento de medicações  específicas para contrapor os efeitos metabólicos dessa mutação. As terapias são denominadas "diana"  e a imunoterapia são um grande avanço, pois  conseguem taxas de resposta superiores às conquistadas pelas quimioterapia e radioterapia, Mas não há remédios específicos para cada mutação conhecida nem se pode intervir em todos os pontos de controle imunológico. Estou convencido de que a cura do câncer de pulmão vai por esse caminho e, cedo ou tarde, vai acontecer. 

workshop Câncer de Pulmão no HG, especialista Ramon Rami Porta
Foto: Jordi Canyameres / Divulgação

Como prevenir o câncer de pulmão?

A melhor prevenção é a eliminação do principal causador: o tabaco. Há outras causas como as radiações, o gás radônio, minerais cancerígenos como o amianto, etc. Porém, o tabagismo é a causa mais generalizada. Pare de fumar, pois a eliminação do tabaco  é muito difícil. Deixar de fumar é um processo longo, que requer muita vontade e interesse por parte do paciente. No âmbito público, as leis antitabaco nem sempre se cumprem e, em muitos lugares, há excessiva tolerância. Além disso, o tabaco traz grandes benefícios aos estados. É uma droga legal, autorizada, pela qual se pagam impostos que revertem para os cofres dos estados. Outro aspecto que deve-se levar em conta é que o cultivo da planta, a colheita da folha, o processo de transformação, de distribuição e que geram muitos postos de trabalho. 

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