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Final feliz21/08/2019 | 18h20Atualizada em 21/08/2019 | 18h22

Médico acha difícil idoso ter ficado mais de 40 horas em mata, em Caxias

Desaparecido desde segunda, José Orlandi Vargas, de 80 anos, foi encontrado em uma área na UCS

Médico acha difícil idoso ter ficado mais de 40 horas em mata, em Caxias Porthus Junior/Agencia RBS
O idoso toma medicação contínua para pressão alta e para diabetes entre outros remédios Foto: Porthus Junior / Agencia RBS

O geriatra Fabio Letti acha difícil que o aposentado José Orlandi Vargas, de 80 anos, encontrado em uma área de mata na Universidade de Caxias (UCS) mais de 40 horas depois de ter desaparecido, tenha ficado todo esse tempo no local.

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O médico diz que não tem como precisar sobre as condições de saúde do idoso, já que não o examinou, mas considera que "seria anormal ele ter resistido todos esses dias na mata". O idoso toma medicação contínua para pressão alta e para diabetes entre outros remédios. Se tivesse permanecido no local ermo sem abrigo apresentaria um quadro mais acentuado de debilidade:

– Ele deveria estar desidratado completamente, em um estado semicomatoso (grau leve de coma) sem a medicação para a diabetes e para a pressão, talvez, até com uma bronco-pneumonia pelo frio ou uma hipotermia. Ele também poderia ter sido encontrado com problema circulatório grave, porque a irrigação sanguínea das extremidades diminui muito em uma pessoa de mais idade. Acho difícil ele conseguir resistir a uma situação dessas.

O próprio médico cogita a possibilidade de o idoso ter estado em algum outro lugar antes daquele em que foi localizado. Outros elementos fazem com que a família de Vargas compartilhe da mesma opinião. Um deles é quem foi a pessoa que ligou para a segurança da UCS avisando sobre a localização do idoso e como essa pessoa o viu se ele estava embrenhado na mata. Outro fato que causou estranheza é que ele segurava a carteira firmemente na mão quando foi encontrado. A bengala que ele usava estava com ele, mas sem o papel com a identificação e número do telefone da esposa. Mas a maior dúvida é se ele, de fato, passou as duas últimas noites naquele lugar sem água, comida e qualquer abrigo que o tivesse protegido do frio que fez na cidade.

Sobre a possibilidade de ter se perdido, a família comenta que ele tinha lapsos de memória, mas era acostumado a pegar o ônibus na Rua Luís Michelon, em frente à escola Helen Keller, no bairro Cruzeiro, e seguir até a Estação de Integração Imigrante, no bairro Lourdes. De onde embarcava em outro coletivo para seguir até o Centro. Na segunda, ele saiu de casa, no Cruzeiro, por volta das 14h, para ir até uma farmácia na área central, mas não retornou, o que motivou uma mobilização em busca do aposentado.

Os filhos contam que, nesta terça, procuraram pelo pai naquela área de mata da UCS, inclusive, com apoio dos bombeiros e de cães farejadores. Nada foi encontrado, o que reforça a suspeita de que ele pode ter sido deixado ali nesta manhã.

Mesmo com dificuldade para falar, Vargas conversou com a reportagem no Hospital Pompéia, onde recebe atendimento. Ao lado dos filhos Fernanda Vargas Tranzansin, 52, Edmilson vargas, 51, e Tiago Vargas, 41, e da esposa Maria Teresa Canali Vargas, 73, o aposentado sorriu. Se disse feliz por estar com a família e com vontade de voltar para a casa. Quando perguntado sobre o que aconteceu, apenas disse: "não lembro".

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