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Seção do leitor08/08/2019 | 06h00Atualizada em 08/08/2019 | 06h00

Leia o artigo "turismo e identidade", do crítico Guilherme Reolon de Oliveira

Texto foi publicado na edição do Pioneiro desta quinta-feira

Leia o artigo "turismo e identidade", do crítico Guilherme Reolon de Oliveira Luan Zuchi/
Foto: Luan Zuchi

Espantei-me com a afirmação da Secretária Municipal de Turismo, para justificar seu desejo de Caxias pertencer à Região das Hortênsias, que turismo não está relacionado com a identidade. Nada mais equivocado. Como bem se sabe, o turismo se constrói pela identidade cultural, por isso seus desafios na pós-modernidade, em que convivem a globalização (com homogeneização de culturas) e anseio pelas origens (representada no modismo retrô e na valorização do local).

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Espantou-me também todo esse imbróglio, justamente na cidade sede da UCS, cujo Programa de Pós-graduação em Turismo foi um dos primeiros mestrados criados na instituição, ainda é um dos únicos do tipo no país e referência. Parece-me que este sequer foi consultado (e não se manifesta, por quê?). Até mesmo contraditório, já que a prefeitura é membro do conselho da FUCS, que se orgulha em ser comunitária. O PPG não foi consultado. Os inúmeros pesquisadores aí formados, muito menos. Um contrassenso. 

Não há turismo que não se alicerce na identidade. Poderia recorrer a diferentes exemplos: na Europa, cuja economia é basicamente vinculada ao turismo (com uma população envelhecida, que sofria muito de desemprego - situação semelhante a atual no Brasil), nas diversificadas matizes identitárias dos estados nordestinos (lembremos da baiana), nos nossos vizinhos (Bento e Garibaldi que, muito sabiamente, criaram o Vale dos Vinhedos). Poderia recorrer a teóricos, de diferentes correntes metodológicas, mesmo ideológicas, de internacionais a locais, de  Stuart Hall a Pozenato. Mas não é preciso, a situação econômico-financeira exige.

A identidade cultural se constitui de religiosidade, do trabalho (da produção, dos serviços), da arte, da arquitetura, dos costumes, da tradição (ainda que reinterpretada), da língua, da história de um povo. Elementos que, por sua vez, fortalecem e propiciam o turismo.

Poderia falar das diferentes manifestações artísticas locais cujo potencial turístico é inestimável (a Cia Municipal de Dança, o IBS, o MDBF, entre outros), mas já o fiz neste espaço em artigos ignorados pela administração municipal. Recorro, então, ao trabalho que, me parece, é valorizado em consenso pela população. O potencial de nossas vinícolas é imenso, Caxias é campeã em número de cervejarias, mas não há incentivos, não há investimentos, o marketing é escasso,  não há criação de roteiros turísticos nessas áreas. Conversando com proprietários de vinícolas locais, observa-se o desânimo, enquanto o governo não houve seus anseios e Caxias perde o pouco que tinha: ao menos um potencial latente na Região da Uva e do Vinho. Perdem-se verbas. Uma lástima e uma vergonha!

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