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Educação13/08/2019 | 18h35Atualizada em 13/08/2019 | 18h35

"A orientação era não fazer nada", diz ex-diretora do Cristóvão de Mendoza, em Caxias

Gestoras que passaram pela instituição de ensino avaliam situação da escola

"A orientação era não fazer nada", diz ex-diretora do Cristóvão de Mendoza, em Caxias Antonio Valiente/Agencia RBS
Janela na escadaria de acesso ao auditório está destruída há meses Foto: Antonio Valiente / Agencia RBS

Uma maçaneta quebrada aqui, uma parede com pintura desgastada ali, um vidro quebrado acolá e de repente os pequenos problemas acumulados ao longo de anos agora exigem uma reforma milionária. Essa é a situação do Instituto de Educação Cristóvão de Mendoza, em Caxias do Sul, há 10 anos refém de uma solução que nunca chega. Alunos não podem acessar o auditório, o antigo bar, algumas salas e o parque Hermes João Webber. 

Parque Hermes João Webber em 2008 e em 2019:

As falhas estruturais e a falta de manutenção só alcançaram esse nível de emergência por conta de decisões tomadas no passado, algumas equivocadas. Ex-diretoras ouvidas pela reportagem relatam que o prédio sempre esteve em situação delicada porque é construção antiga (1961). 

O declínio maior, porém, começou no momento em que o Estado acenou com revitalização da escola por meio do Programa de Necessidades de Obras (PNO), em 2012. Fabiana Simonaggio, diretora daquela época, afirma ter sido orientada a não realizar intervenções como pinturas e consertos porque as melhorias iriam ocorrer de forma ampla (leia mais abaixo). 

 A obra nunca aconteceu e o Ministério Público (MP) obteve recentemente uma liminar favorável da Justiça que obriga o governo gaúcho a apresentar um plano de recuperação do complexo em até 60 dias e iniciar as melhorias em até seis meses  _ contados a partir da entrega do cronograma de trabalho.

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Opiniões da diretora atual e de quatro gestoras anteriores:

— As rachaduras (entrada da sala dos professores e da direção) existem há 12, 13 anos, juntamente apareceu o afundamento do piso. A escola é que nem casa: caiu maçaneta, tem que trocar. Estamos retomando as manutenções. A verba para acessibilidade nunca havia sido solicitada. Estamos usando agora para construir um banheiro adaptado, que nunca teve. Em 2019, a gestão começou com dívida de R$ 13 mil em mercado. Também estamos pagando mensalmente R$ 1.237,33 de dívida trabalhista de uma funcionária que trabalhava desde 1980. Trocamos recentemente 200 vidros com dinheiro do Estado. É difícil, mas é preciso ir atrás para acontecer.
Roseli Bergozza (diretora atual)

— Por que não se fez obras? Até sair a sair a notícia do PNO, sempre se manteve a manutenção em dia, se tentou manter as pinturas internas. Quando saiu o PNO, a orientação do Estado é que não era para fazer nada, não adiantava pintar se daqui a pouco ia ser pintado de novo. Então trocávamos os vidros, fazia algo aqui, algo ali, mas com o passar do tempo foi piorando. A última pintura foi no Bloco C, em 2012.  Tentamos uma verba e quase conseguimos para o PPCI do ginásio, já tinha feito o orçamento. Quando fomos perguntar, o Estado disse que não dava para fazer o PPCI só do auditório, tinha que ser de toda a escola. Isso em 2015, 2016. Ficou pendente alguma pendência relativa à merenda, teve dois repasses do Estado que não aconteceram no final do ano.
Fabiana Simonaggio (diretora de 2013 - 2018)

Corredor de acesso ao Bloco em 2016 e em 2019

— Tinha muitas coisas sempre para serem feitas, fui mantendo com ajuda da comunidade. Estado sempre abandonou a escola, então se fazia parcerias. Teve uma ampla reforma elétrica e hidráulica anterior, foi bem grande. Havia funcionário para manutenção, se quebrava uma cadeira, consertava. Quando passo lá, tenho dó. Lembro que na sala dos professores (Bloco B), o corredor já tinha afundamento no piso, de dois ou três dedos. O ginásio já estava caindo, já tinha rachaduras nos pilares. Mas no final do ano, sempre fazíamos a pintura interna, das salas, das portas. Faltava verba, mas se fazia o mínimo necessário para manter de pé. O PNO surgiu na minha gestão e nunca veio. Moro em frente à Escola Tiradentes, em Nova Prata, que estava no mesmo pacote e pergunto: por que ela foi restaurada e o Cristóvão não?
Leila Macuco (diretora de 2007 a 2012)

Bloco C em 2009 e em 2019:

— Quando fui gestora do Cristóvão, tentei fazer tudo o que meus antecessores fizeram. Havia 4 mil alunos. Fazíamos muito para deixar em dia, com boa aparência. A cor verde que está hoje foi pintada na minha época, possivelmente em 2002. Só consegui fazer a fachada, atrás não teve como. O auditório foi pintado, mudei o piso do palco, coloquei som no mezanino, o ginásio teve lixamento do piso. Na minha época o auditório recebia eventos, formaturas, o que gerava renda para o CPM. Tinha o afundamento onde é o Centro de Línguas, mas foi consertado. Não havia nada de rachaduras na sala da direção. A reforma elétrica e hidráulica foi na minha gestão.  Toda a escola precisa de manutenção, se não for feita imediata, é claro que vai deteriorando. A verba não era muito alta, mas hoje há muito mais recursos do que no meu tempo.
Laura Jane Machado (diretora de 2000 a 2006)

Corredor do laboratório de informática no bloco A em 2013 e em 2019

— Na verdade, o colégio sempre precisou de grandes obras. Não sei se naquele ano (em 1999) a situação não era tão ruim ou pior do que agora. Conseguimos R$ 200 mil para a reforma elétrica e hidráulica (realizada a partir de 2000), e deixamos a escola numa situação razoável, mas se as coisas não vão sendo mantidas... Em função do apoio da comunidade, pintamos a parte interna da escola. Quando se fala de verbas, nunca há certeza que virá.
Maria Liete Bassanesi Gomes (diretora de 1995 a 1999)

Fachada da escola em 2008 e em 2019

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