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Falta de profissionais08/07/2019 | 11h15Atualizada em 08/07/2019 | 11h24

Sem merendeiras e zeladoras, escolas estaduais ainda improvisam em Caxias do Sul

Rede aguarda a contratação de 62 funcionários

Sem merendeiras e zeladoras, escolas estaduais ainda improvisam em Caxias do Sul Porthus Junior/Agencia RBS
Vanessa de Souza, diretora da Escola Renato Del Mese, também fica responsável por fazer a comida para os alunos Foto: Porthus Junior / Agencia RBS

Se o quadro de professores está menos caótico, as vagas de funcionários de zeladoria e de cozinha seguem em aberto em Caxias do Sul. A rede espera pelo ingresso de 62 profissionais, praticamente a mesma quantidade solicitada no início do ano. O problema não tem prazo para ser solucionado.

Na Escola Doutor Renato Del Mese, em Vila Cristina, a diretora Vanessa da Silva de Souza e uma coordenadora se desdobram na cozinha para preparar arroz, feijão, massa e outros alimentos para 72 estudantes. A merendeira deixou a escola em outubro. A auxiliar de limpeza está de licença-saúde e a tarefa de manter o prédio em dia também ficou com Vanessa. Com tantos afazeres, Vanessa dedica menos da metade da função para a qual foi designada, no caso, administrar a Del Mese. 

— Funcionário é mais complicado que professor. Temos 42 candidatos com laudo apto, que é quando todos os exames estão ok e outros 20 aguardando a realização de exames. Os que aguardam exames é outra questão. São eles quem pagam os custos para isso, por isso demora mais — explica Janice Moares, titular da 4ª Coordenadoria Regional da Educação (4ª CRE).

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A determinação da Secretaria Estadual da Educação (Seduc) de priorizar a sala de aula, removendo professores de bibliotecas e outros setores não atrapalha apenas a gestão, mas a manutenção de programas essenciais para o aluno, como a Ficha de Comunicação do Aluno Infrequente (Ficai). O documento não está sendo emitido na Aquilino Zatti, no Cruzeiro, desde a transferência de uma servidora para atuar em sala de outro estabelecimento estudantil.

— Até estamos controlando se um aluno está infrequente e ligamos para a família, mas não há o mesmo trabalho de antes, quando um professor analisa a situação, procura a família, faz o relatório — reitera Isabel Bonatto, vice-diretora do turno da manhã.

POR QUE ESTÁ EM FALTA

:: Salários baixos - ser professor da rede estadual deixou de ser atrativo há muito tempo e piorou com o escalonamento dos salários. Logo, nem todos estão interessados em ingressar na rede.

:: Fim de contratos - no governo passado, muitos professores assinaram contratos fechados e foram dispensados no final do ano. Alegando falta de recursos, o atual governo determinou que docentes em funções burocráticas fossem para a sala de aula _ regra que valia desde a gestão passada. A Seduc fez estudo do quadro e se havia profissionais atuando fora da sala em escolas próximas, não liberou nova contratação até ser feito o remanejamento. Isso segurou a reposição de vagas de novos contratos para final de maio e início de junho.

:: Desligamentos constantes - a sangria na docência estadual não dá tréguas. Em Caxias, neste ano, ocorreram 97 dispensas de contratos até a última sexta-feira por opção dos próprios profissionais. Outros 29 servidores concursados foram exonerados por motivos diversos. Somente em junho, 23 professores assinaram a aposentadoria. 

:: Regra menos flexível - Até o ano passado, um professora podia ministrar aulas em disciplinas diferentes de sua área de formação. Agora, a determinação é que atuem apenas em setores para os quais assinaram contrato ou possuem habilitação.

:: Outros - há também ausências por saúde ou ou por licença-maternidade. Um único professor fora da escola pode afetar diversas turmas diferentes. 

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