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Seção do leitor02/07/2019 | 06h00Atualizada em 02/07/2019 | 09h21

Leia o artigo "É tempo de reforma", de Germano Rigotto

Texto foi publicado na edição do Pioneiro desta terça-feira

Por que o povo foi para as ruas nos últimos anos? Não existe uma única resposta para essa pergunta. As manifestações tinham, claramente, um caráter político — o que não as descredencia. Mas é preciso extrair delas uma motivação mais profunda, que explique o que foi capaz de levar tantos brasileiros de bem a dedicar seus domingos a um protesto em favor do país.

O ato tem consigo uma demonstração de fé no Brasil, de patriotismo. Se as pessoas pedem mudanças, é porque não querem desistir da nação. Mais do que nomes e partidos, mais do que a simples troca de comando do país, mais do que ideologias, está na alma do brasileiro uma profunda vontade de transformação. Note-se: uma prática de conformismo e comodismo foi rompida como claro sinal à classe política. E esse clamor é ordeiro e democrático, vindo de todos os setores. Há os tresloucados e histriônicos, mas a grande maioria quer viver e deixar como legado um país melhor aos seus filhos.

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Chamo isso de espírito de reforma. Há abertura para mudanças em todas as áreas, mesmo com as doses de sacrifício que se fizeram necessárias. O pais já sofreu demais nos últimos anos, especialmente com o desemprego e a criminalidade. Nossa Constituição como um todo, datada de 1988, e nosso modelo político, especificamente, ainda mais arcaico, já não respondem mais aos parâmetros da sociedade moderna. O sistema tributário, dos mais complexos e caros do planeta, trava a economia — ao invés de promover o desenvolvimento. As instituições se distanciaram da sociedade, que não se sente mais representada.

A crise é geral e irrestrita, mas os brasileiros não querem rompimento; querem construção, e pela via da democracia e das reformas. A terra das consciências está mexida para uma nova lavoura. Apesar dos muitos pesares, sou otimista — pelo menos em relação ao sentimento do povo. Que o temor, a angústia e a desesperança se transforem em atitude. Sem medo e com esperança, é tempo de reformar o país. 

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