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Saúde 01/07/2019 | 20h29Atualizada em 01/07/2019 | 21h04

Após confirmação de caso de leptospirose, Canil Municipal de Caxias pode ser interditado 

Decisão está sendo analisada pelo Ministério Público. Funcionários do abrigo cobram medidas da prefeitura

Após confirmação de caso de leptospirose, Canil Municipal de Caxias pode ser interditado  Lucas Amorelli/Agencia RBS
Foto: Lucas Amorelli / Agencia RBS

A 1ª Promotoria Especializada do Ministério Público (MP) de Caxias do Sul cogita pedir judicialmente a interdição do canil municipal. A decisão é analisada pela Justiça como uma alternativa para tentar resolver problemas que não tem sido solucionados pelo município. Em fevereiro, a promotora Janaína De Carli dos Santos vistoriou o abrigo. 

—  A situação estava caótica, principalmente pela infestação de ratos, rede elétrica extremamente precária e saneamento péssimo. Fizemos um pedido judicial alertando sobre os riscos e para que a prefeitura tomasse alguma providência, mas até agora nada foi feito. Estamos com o processo no MP e estamos cogitando pedir judicialmente interdição ou intervenção do canil — ressalta. 

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A promotora ressalta que o local ainda não foi interditado porque é preciso pensar nos animais abrigados no espaço. Mas reconhece que o município precisa tomar medidas urgentes:

— Com a interdição seria nomeado um interventor judicial para administrar o canil. Estamos estudando essa possibilidade. A prefeitura tem que agir, tem que investir no que é urgente e cumprir a sentença judicial que determina, há anos, que se reforme o local.

Passados cinco meses da inspeção feita pelo MP, a situação piorou, segundo relatos de funcionários. Após reportagem, publicada na edição do último final de semana, em que a Vigilância Ambiental de Caxias confirma indícios que apontam para focos de leptospirose, trabalhadores procuraram o Pioneiro para fazer novas denúncias. A equipe teve acesso a fotografias e vídeos que comprovam a presença de ratos e camundongos no canil .

Descaso e omissão

 CAXIAS DO SUL, RS, BRASIL, 01/07/2019Denúncias sobre a infestação de ratos no canil municipal que vem causando preocupação entre os funcionários.TODAS AS FOTOS FORAM FEITAS DO LADO DE FORA DO CANIL. (Lucas Amorelli/Agência RBS)
Foto: Lucas Amorelli / Agencia RBS

Na manhã de segunda-feira (01), quando a reportagem esteve no canil para conversar com os veterinários, foi possível observar, do lado de fora da chácara, a retirada do quiosque que estava na Praça Dante Alighieri e foi levado para o terreno, onde deverá ser usado como recepção. No momento em que a estrutura foi erguida do chão pelo guincho, diversos ratos correram em direção a tocas escavadas na terra. 

Os funcionários confirmam descaso e omissão por parte da Secretaria do Meio Ambiente. O receio de ser contaminado pela doença aumentou depois que Valdemar Ferreira França , 48, foi diagnosticado com leptospirose em 27 de maio deste ano. Ele é funcionário de uma empresa terceirizada que presta serviços ao canil, onde vivem cerca de 850 cães, o que aumenta a preocupação, levando em conta que os cachorros podem ser contaminados, e transmitir a doença a outros animais e humanos. 

Na última sexta-feira (28), a diretoria do departamento de Proteção e Bem-Estar Animal da Semma afirmou que o município está com plano de combate mais intenso em relação aos roedores. Os funcionários, por sua vez, alegam que nada foi feito até o momento. A reportagem procurou a diretora do departamento novamente nesta segunda, mas ela estava em atendimento externo da pasta. A assessoria de comunicação da prefeitura informou que a diretora vai se manifestar nesta terça-feira. 

Funcionários cobram medidas 

— Nosso colega foi internado há mais de um mês, já saiu do hospital, está em casa, e até agora não tomaram nenhuma medida para controlar os ratos no canil. 

A reclamação é de um funcionário do canil (identidade foi preservada) que afirma que as veterinárias responsáveis pelo abrigo solicitaram à secretária do Meio Ambiente, o fornecimento de veneno para controlar a presença de roedores. 

—  Já pediram veneno, mas desde outubro, nem isso é mandado para o canil. O que mandaram estava vencido. 

Outro funcionário explica que as veterinárias reuniram a equipe para repassar informações sobre cuidados e programaram uma palestra em parceria com a Universidade de Caxias do Sul para repassar informações aos trabalhadores. O evento será realizado no dia 11 deste mês para prestar esclarecimentos. 

—  Tiveram a ideia para tentar ajuda com ações de prevenção e dicas de higiene e cuidados para que nenhum outro trabalhador seja infectado pela doença. 

Um terceiro trabalhador,  acrescenta que procurou atendimento médico depois de se sentir mal na última semana. 

—  Fiz exames porque fiquei com medo de também estar infectado com a doença. A Secretaria do Meio Ambiente pediu nossos dados para cadastramento, mas não fizemos exame nenhum e também não esteve ninguém da prefeitura no canil para conversar conosco. 

"Por aqui, os ratos comandam a situação"

— A prefeitura diz que a situação está controlada, mas o controle  do canil é dos ratos, são eles que mandam. Desde outubro o canil não é desratizado. As ratas podem ter várias crias. Estamos desesperados e sem saber a quem recorrer —  desabafa um dos funcionários.

Ainda, segundo ele, duas caixas d'água foram limpas, mas não estão vedadas.

— Colocaram telas nas caixas e os ratos podem não entrar, mas o xixi passa pela tela. Cada setor tem uma caixa d'água e são delas que tiramos a água que é colocada nos potes para consumo dos cães. Esses recipientes realmente não são lacrados, então é um caminho para a transmissão da doença. 

Além dos risco à saúde dos funcionários e dos animais, há também prejuízos financeiros:

— Os ratos comandam a situação. Eles roem mangueiras, cabos, botas de borracha. Há fezes nas mesas, no açúcar, no sal, por toda a parte. As tocas não são pequenas, são assustadoras. A situação é desesperadora! — relata. 

Eles também temem o que pode acontecer quando começarem as obras do Centro de Bem-Estar Animal que será construído no terreno onde funciona o canil:

—  Imagina quando começarem as obras: essas ratazanas vão correr para a cidade, porque aqui os bichos têm acesso à comida e à água. E depois? Se não controlar agora, a tendência é só piorar. 

Outro trabalhador acrescenta:

— O que estão esperando para tomar atitudes?  Nós e os cães estamos abandonados a própria sorte — reclama. 

Ainda conforme as denúncias, o risco de contágio é maior porque há cães que aceitam a proximidade dos roedores.

—  Tem cães que matam os ratos, mas tem outros que acabam tendo um contato mais íntimo e dividem o pote de água e comida com os roedores. Realmente não sabemos mais o que fazer. 

Inspeção

A Comissão de Saúde e Meio Ambiente da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul agendou para a próxima quinta-feira (4) uma inspeção no canil para verificar como está a situação no abrigo. 

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